Bloomberg: Vírus mata 5 milhões de suínos nos Estados Unidos e eleva preços

Publicado em 06/02/2014 14:55 e atualizado em 06/02/2014 15:42 1256 exibições

Um vírus altamente contagioso, que causa a Diarreia Epidêmica Suína (PED, sigla em inglês), está matando suínos em 23 estados dos EUA e elevando as cotações.

Craig Rowles, pecuarista de Iowa, perdeu quase todos os seus animais infectados com a doença, desde que o vírus atingiu sua fazenda em novembro. Rowles teve prejuízo de US$ 462 mil e, até o final de fevereiro, deve perder até 15 mil animais, ou seja, 10% de suas vendas anuais. 

“Este vírus causa uma das doenças mais infecciosas que eu já vi”, afirmou Rowles. 

O vírus tem se espalhado pelo país desde abril, com um aumento de casos relatados em janeiro, principalmente em Iowa, o maior estado produtor de carne suína. 

A consultoria Global AgriTrends afirma que a doença poderá matar até 5 milhões de porcos, ou 4,5% dos animais que seriam enviados para as plantas de processamento nos Estados Unidos, o maior exportador de carne suína. 

Produtores norte-americanos pretendiam aumentar sua produção este ano, por conta dos custos mais baixos de alimentação, mas estão vendo uma diminuição de sua produtividade. 

Os preços do suíno na Bolsa de Chicago já subiram 16% este ano, atingindo US$ 1,10 a libra-peso, o maior valor desde abril/2011.     

Doença fatal 
O PED não representa ameaça para os humanos, mas pode ser 100% fatal para suínos jovens, com menos de 3 semanas de vida, além de impedir que animais adultos ganhem peso, atrasando seu envio para o abate. 

Ainda não há vacinas para o vírus, que é comum na Europa e na Ásia, mas não era visto nos rebanhos dos EUA até o final do ano, de acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).   

Clima frio 
Mark Schultz, analista chefe da Northstar Commodity Investment Co., em Minneapolis, EUA, afirmou que ainda não se sabe quanto a doença irá se espalhar este ano e qual será o verdadeiro impacto no mercado. “As temperaturas baixas estão fazendo com que a disseminação da doença seja ainda maior, e as notícias são de que o clima frio e com neve deverá continuar até o final de fevereiro”. 

Em um dia, uma média de 600 mil suínos são transportados pelos Estados Unidos e, para evitar a contaminação de mais animais, os caminhões devem ser lavados. Porém, com temperaturas negativas, a água usada para lavar os caminhões está congelando. 

O frio intenso e a neve também está dificultando o transporte de grãos e animais pelas rodovias do país.

Impactos no mercado brasileiro
Rui Vargas, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína), afirma que ainda é cedo para saber quais serão os impactos no mercado internacional. “Ainda não temos a mensuração do impacto, mas sabemos que é um problema sério, que está atingindo muitos animais”.

Os Estados Unidos produzem 100 milhões de cabeças de suínos atualmente e, se a morte de 5 milhões de animais for confirmada, isso representaria 5% de perda. 

Vargas explica que ainda não se sabe se os principais países compradores de suíno dos EUA poderão impor alguma barreira comercial à carne, mas o material genético de animais de origem norte-americana já parou de ser exportado. 

Os principais países compradores de carne suína dos EUA são o Japão, a Coréia do Sul, México, Rússia e países da América Central. 


Informações: Bloomberg

Tradução: Fernanda Bellei

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Fonte:
Notícias Agrícolas

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