Pressões de baixa na arroba e no frango vivo, se intensificam na semana

Publicado em 30/01/2017 07:15
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Boi Gordo: Pressão de baixa ganha força

Por Scot Consultoria

Mercado pressionado. A semana termina consolidando o viés de baixa. Desde o começo do ano a oferta restrita vinha sendo o “contrapeso” da demanda ruim, freando as tentativas das indústrias de impor referências menores ao mercado. Mas já se foram quatro semanas em janeiro, nada do consumo melhorar e a disponiblidade de gado aumentou ligeiramente.

O resultado disso é um viés baixista em quase todas as praças. Não há muito interesse por parte dos compradores em alongar as escalas. Assim, as tentativas de alguns pecuaristas de reter a boiada no pasto não têm sido efetivas no sentido de dar sustentação aos preços.

É importante deixar claro que, embora existam ofertas de compra por até R$ 3,00/@ abaixo da referência em todas as regiões do país, este tipo de pressão trava o mercado, não permite que as compras aconteçam. Não há gado terminado em quantidade suficiente para que isto vire referência de uma hora para outra.

Em São Paulo, por exemplo, há quem oferte até R$ 145,00/@, à vista, mas compras em volumes maiores ocorrem a partir de R$ 147,00/@, nas mesmas condições.

A carne bovina ficou estável hoje, mas termina a semana acumulando um recuo de 1,25%. No começo do ano o boi casado era negociado a R$ 10,01/kg. A referência atual é R$ 9,29/kg, queda de 7,1% no período.

Frango vivo: Dificuldade na demanda pressiona cotações

Por Larissa Albuquerque

As cotações do frango vivo apresentaram pouca movimentação nesta semana apesar do forte viés baixista. Segundo pesquisadores do Cepea, a demanda enfraquecida segue como principal fator de pressão sobre as cotações internas.

Para o presidente da APA (Associação Paulista de Avicultura), Érico Pozzer, o cenário reflete além do baixo desempenho das vendas no mercado interno e exportações, mas também o aumento de 8% a 10% no alojamento de pintos.

No mercado paulista, os produtores chegaram a comercializar, em novembro, a ave inteira a R$ 4,50/kg, atualmente a cotação é de R$ 3,70/kg.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Pozzer destacou que "o problema principal é que a cadeia avícola do país são estruturas feitas para crescer. Então como houve uma redução de alojamento em 2016, em torno de 8%, houve esse reajuste, pois essas estruturas carecem de volume, escalas", ressalta Pozzer.

Aliado a isso, o setor vive um momento de demanda fragilizada no mercado interno e exportações abaixo da expectativa neste início de ano. Também há, neste momento, uma liquidação de aves natalinas que colabora com a pressão nas cotações do vivo.

"As festividades de natal e ano novo apresentaram volume de vendas fracas para todos os abatedouros, e agora em janeiro a população está descapitalizada, reduzindo o consumo", lembra o presidente.

O levantamento de preço realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, apontou ligeira alta apenas na praça mineira. Nesta semana a cotação subiu 1,89% terminando cotado a R$ 2,70/kg. Nas demais praças o cenário foi de estabilidade.

Quanto à carne, no atacado do estado de São Paulo, o preço do frango inteiro congelado caiu 1,9% em sete dias, passando para a média de R$ 3,84/kg.

Mas, o setor aposta na recuperação da demanda externa e do enfraquecimento dos custos de produção para retomar as margens neste ano.

Países exportadores estão enfrentando dificuldades de comercialização por conta da Influenza Aviária. "Algumas indústrias já relatam aumento de consultas para determinados produtos nos últimos dias", diz Pozzer.

Além das exportações, o setor espera um arrefecimento nos custos de produção, especialmente pela redução nas cotações do milho, que no ano passado foi o grande vilão da cadeia de granjeiros.

"Chegamos a pagar R$ 50 na saca e hoje conseguimos adquirir o cereal a R$ 32/sc na região de Campinas (SP)", lembra Pozzer. Segundo ele, no período da safra - caso as projeções de super safra se confirmem - a saca do milho poderá ficar abaixo dos R$ 30.

Exportações

Dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, na segunda (23), mostram que até a terceira semana de janeiro (cinco dias úteis) os embarques de carne de frango 'in natura' apresentaram queda na comparação com o mês e ano anterior.

No acumulado do período foram embarcado 200 mil toneladas, sendo a média diária de 13,4 mil/t. Esse resultado representa um recuo de 10% na comparação com dezembro/16 e 6,6% na relação com o igual período de ano passado.

Em receita o saldo parcial é de US$ 319,4 milhões, com valor médio da tonelada cotado em US$ 1.591,9.

Suíno vivo: Melhora nas compras aquece mercado nessa semana

Por Larissa Albuquerque

As cotações do suíno vivo no mercado independente tiveram uma semana positiva nesta segunda quinzena de janeiro. O aumento na procura por animais dos últimos dias foi o principal fator de alta.

Apesar do ruim desempenho das vendas no varejo, cenário típico da segunda quinzena do mês, quando normalmente o poder de compra do consumidor está menor, os estoques enxutos contribuíram para este cenário de alta.

O levantamento de preço realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, apontou valorização em quatro praças. A maior alta ocorreu em Santa Catarina, com avanço de 5,41%, sendo cotado a R$ 3,90/kg. Seguido de São Paulo com crescimento de 3,85% e preço em R$ 4,32/kg.

Segundo o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, a procura por suínos é grande em todas as regiões do Estado, uma vez que o peso dos animais está baixo, retraindo a oferta de animais ao mercado.

A tendência é que o mercado permaneça positivo, já que as exportações estão em ascensão e há demanda no mercado interno. “O mercado deu uma alavancada, principalmente para os três estados do Sul. Eu acredito que o custo de produção deve baixar mais 10%”, diz o produtor Odanir Farinella, em depoimento a ACCS.

Em São Paulo a APCS (Associação Paulista dos Criadores de Suínos) anunciou nesta sexta (27) a venda de 440 suínos em Brotas com preço de R$ 4,59/kg para entrega na próxima terça e quarta-feira. E mais 700 animais em Holambra, para entrega também na próxima semana e cotação R$ 4,53/Kg.

No atacado, o cenário é semelhante. A carcaça especial tem sido negociada por R$6,00/kg, alta de 1,7% no período.

Entretanto, a Scot Consultoria ressalta que apesar da recente alta, desde o início do mês as desvalorizações acumuladas nas granjas e no atacado foram de 9,3% e 11,8%, respectivamente.

Além disso, conforme pesquisadores do Cepea, apesar das quedas em janeiro, os preços médios do suíno vivo na parcial do mês superam os de um ano atrás, em termos reais (IPCA de dez/16).

"Nos próximos dias, não são descartadas mais altas, já que a entrada do mês e os recebimentos dos salários podem colaborar para melhora das compras. Mas não são esperadas valorizações expressivas", diz a Consultoria.

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Fonte: Notícias Agrícolas + Scot

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