Denúncia de irregularidades poderá impactar todos os elos da cadeia

Publicado em 20/03/2017 16:02 e atualizado em 21/03/2017 15:59
5031 exibições

Por Larissa Albuquerque

Muito embora os esforços das entidades de classe e do governo sejam reconhecidos no sentido de evidenciar a realidades da produção nacional de proteínas, a deflagração da operação Carne Fraca na última sexta-feira (17), já trouxe prejuízos a imagem da cadeia de proteínas nacional.

Mas, esses reflexos podem não ficar apenas nas carnes. Em entrevista ao portal de notícias R7, o economista, Marcos Melo, professor de Finanças do Ibmec-DF, afirmou que os impactos poderão ocorrer na pauta de exportação de diversos produtos brasileiros.

"O Brasil deve perder mercados, mas ainda é cedo para avaliar o tamanho do impacto. Vai depender até de negociação diplomática. Agora existe um problema sanitário. O problema é que há instituições públicas que asseguram a qualidade da carne e que estão envolvidas no esquema. Isso é o mais preocupante, porque não afeta apenas a carne. Pode ser qualquer outro produto, frango, suínos, soja que também têm exportação muito grande. Dá motivo para outros países colocarem barreiras fitossanitárias", pondera.

A expectativa dos envolvidos no setor é que poderemos ter no curto e médio prazo uma redução no consumo de proteínas no mercado interno e, no caso das exportações, recuo nos embarques especialmente de carne de frango. Esses fatores levariam a redução na demanda por grãos – milho e soja – mas, todos esses desdobramentos ainda são muito cedo para afirmar e dependerão do como o governo irá proceder após as denuncias de irregularidades.

“A comunicação da operação policial ensejou generalizações, que tanto o governo federal quanto as entidades do setor estão esclarecendo aos consumidores brasileiros e mercado internacional. Mas não fomos ontem (19) à Brasília protestar contra a PF e nem estamos hoje falando contra ninguém. Nossa preocupação é com mais de 6 milhões de trabalhadores brasileiros, que atuam nesta cadeia de produção de carnes bovina, suína e de aves. Estamos em uma missão patriótica, em defesa da indústria de proteína animal, que embarca anualmente 262 mil containers para 160 países, gerando uma receita que representa 15% do total das exportações brasileiras”, afirmou Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), entidade que representa as indústrias brasileiras de carnes suína e de aves.

Importantes países importadores de carne bovina, suína e de aves, já notificaram a o embargo para os produtos do Brasil até terceira ordem. A China, como grande importador, também solicitou explicações do governo brasileiro e as carnes já embarcaram deverão ficar retidas.

As ações das empresas que operam no setor também vêm em queda desde o final da última semana. Na BM&FBovespa a perda já chega a quase 8 bilhões de reais em valor de mercado. Considerando apenas JBS, a queda era de cerca de 4 bilhões de reais no período.

A AgResource Brasil (ARC BRASIL) acredita que ainda é cedo para calcular todos os impactos da operação “Carne Fraca”, mas não é exagero em dizer que as fraudes na indústria irão criar dificuldades, no curto prazo, para o mercado de carnes brasileiro. É normal que “embargos” e “suspensões” de importação sejam impostos a países com problemas fitossanitários, da mesma maneira que o Brasil proíbe a importação de alguns produtos como café e camarão para evitar disseminação de doenças.

Veja mais:

>> Operação Carne Fraca não reflete qualidade da produção dentro da porteira

Ministro da Agricultura vê 'desastre' se todos os países interromperem importação de carne do Brasil (no ESTADÃO)

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, considerou nessa segunda-feira, 20, que os efeitos do embargo à exportação de carne brasileira podem ser desastrosos para a economia do País. Hoje, Chile, China, Coreia do Sul e países da Europa anunciaram a suspensão da compra de carnes brasileiras após a Operação Carne Fraca da Polícia Federal encontrar irregularidades em produtos de 21 frigoríficos.

"Se todos os países interromperem a importação, será um desastre", disse o ministro que, no entanto, minimizou os efeitos da operação em relação ao consumo no Brasil. Maggi anunciou um esquema especial de fiscalização para produtores de carne.

O ministro afirmou ainda que vai buscar o diálogo com países que embargaram a carne brasileira, mas cogitou, porém, retaliar o Chile com a proibição à exportação de produtos daquele país.

Países barram, por ora, importação de carne. Mandem a conta à PF! (REINALDO AZEVEDO)

Um dia os doutores acordam e sentem a comichão: “Vamos tentar quebrar o país de vez. Eu também quero ser Sergio Moro. Eu também quero ser Deltan Dallagnol.... Operação Carne Fraca provocou reação dos importadores (VEJA.COM)

Pois é… É claro que a coisa não seria sem consequências. Existem protocolos a respeito, não é? Apesar da rápida reação do governo brasileiro, sabia-se que os países importadores de carne brasileira tomariam medidas. Uma coisa é embaixador cair de boca na picanha; outra, distinta, são os respectivos órgãos reguladores ignorarem o que a própria Polícia Federal anunciou ao mundo: papelão misturado à carne, uso de lotes putrefatos, emprego de substância cancerígena, partes do corpo dos animais impróprias para consumo humano (cabeça de porco) sorrateiramente metidas no produto final.

Mentiras grotescas.

Bem, já sabemos, a esta altura, que os gênios da PF não entenderam nada do que ouviram. Já sabemos que eles analisaram a carne de um único lugar de processamento, dos 4.837 que existem no país. Já sabemos que todo o resto da narrativa foi montada com chutes e ilações a partir de gravações autorizadas pela Justiça.

Aliás, tomem nota: em todo o mundo desenvolvido, a quebra de um sigilo telefônico costuma ser uma das últimas etapas da investigação. No Brasil, tudo começa e termina com a escuta. Somos tão sofisticados nisso que um bandido como Sérgio Machado só se livrou da cana, e do resto, porque topou gravar seus interlocutores. Mas volto ao ponto.

A União Europeia não suspendeu toda a importação, a exemplo do que fez a China, por exemplo. Oh, não! Só aquela oriunda de frigoríficos citados. Bem, no grupo, estão a BRF e a JBS. Dá praticamente na mesma. A Coreia do Sul anunciou o aumento da fiscalização sobre o produto brasileiro e suspendeu frangos da BRF, o maior exportador mundial dessa carne. Por enquanto, nada de carne brasileira, de qualquer uma, no Chile.

Eis aí as consequências práticas da irresponsabilidade da Polícia Federal, do seu açodamento, do seu gosto pelo espalhafato… Quem vai pagar por todas essas bobagens? Ninguém. Um dia, um doutor acorda de veneta, fica com carência de refletores, resolve que tem de ser o assunto das mesas de bar, sente aquele faniquito da celebridade e bate o porrete na mesa: “É hoje!”. E 1.100 homens vão a campo para provar que o setor da economia em que o país atingiu a excelência — as ligações políticas da JBS são outro assunto, que merece ser discutido, sim — não passa de uma fraude de alcance mundial. Na verdade, são todos uns malvadões, capazes de fraudar até salsicha de merenda escolar.

E tudo isso, reitere-se, fazendo o exame de amostras de UM entre 4.837 postos de abastecimento. Alguma evidência material do papelão misturado à maçaroca de carne? Não! Isso veio de escuta. Alguma evidência do uso sistemático de “carne podre”? Não! Isso veio da escuta. Algum estudo científico provando que ácidos normalmente usados na indústria de alimentos são cancerígenos? Não! Isso saiu da mente divinal de um delegado.

Então ficamos assim. Um dia os doutores acordam e sentem aquela comichão incontrolável: “Vamos tentar quebrar o país de vez? O que temos aí ainda não é o suficiente! Vamos fazer sucesso. Vamos mobilizar a população! Eu também quero ser Sergio Moro. Eu também quero ser Deltan Dallagnol. Se eles podem ignorar as regras elementares, por que não a gente? Vamos nessa! E ainda teremos o apoio de manifestantes. Que se dane o setor!”.

Sabem como é: a carne da demagogia é fraca, não é mesmo?

Mas por favor! Não falemos em punições para o espetáculo de abuso de autoridade a que se assistiu. Nem mesmo há como punir os responsáveis.

Enganos, vejam que coisa, todos cometem.

É uma pena que alguns custem alguns bilhões e condenem o país ao atraso.

Na FOLHA: Equipe da PF defende investigação e diz que ainda há provas sob sigilo

Membros da equipe ligada à Operação Carne Fraca, que apura supostas irregularidades na inspeção de alguns dos principais frigoríficos do país, contestaram as críticas à investigação feitas pelo setor e pelo governo federal.

Os investigadores afirmam que ainda há muito material sob sigilo, e que a operação deve ter desdobramentos mais adiante.

OPERAÇÃO CARNE FRACA
PF deflagra ação em grandes frigoríficos

Neste domingo (19), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, criticou a PF por "erros técnicos" e o governo federal procurou minimizar o alcance da investigação.

Para os investigadores, o governo está se precipitando. A equipe também contestou a informação de que apenas um frigorífico teve a carne periciada na investigação.

Segundo os investigadores, a realização de perícias em diversas empresas comprometeria o sigilo da operação —por isso, durante a fase de apuração, optou-se por apenas uma amostra.

A equipe sustenta, porém, que há provas do envolvimento de outros frigoríficos na produção e venda de carnes adulteradas e no pagamento de propinas a fiscais do Ministério da Agricultura.

Todas as empresas que foram alvo de busca e apreensão na sexta (17) tiveram material coletado, que será analisado e fará parte das provas da operação.

Além disso, os investigadores ressaltam que há suspeita de irregularidades até mesmo nos laboratórios que fazem análises para os frigoríficos e estão credenciados pelo Ministério da Agricultura.

Um deles, Laboran Análises Clínicas, com sede em Curitiba, foi alvo de busca e apreensão na sexta (17). Um ex-funcionário do frigorífico Peccin disse à PF que o laboratório pedia novas amostras quando o material não atendia aos "requisitos técnicos exigidos".

A empresa, porém, nega irregularidades, diz que não realiza testes oficiais para produtos de origem animal e que enviou todos os seus relatórios à PF. "Comprovamos cabalmente a honestidade, ética e qualidade das nossas análises", informou a Laboran, em nota. 

Operação Carne Fraca expõe o mesmo fisiologismo desmascarado na Lava Jato, por JOSIAS DE SOUZA (UOL)

CarneFolha.jpg

Deflagrada a partir de Curitiba, a Operação Carne Fraca tem mais pontos de contato com a Lava Jato do que a mera localização geográfica. A investigação sobre fraudes no setor de inspeção agropecuária expõe o mesmo flagelo que produziu o escândalo do petrolão: o fisiologismo. Assim como aconteceu na Petrobras, o organograma do Ministério da Agricultura foi tomado de assalto por apadrinhados de políticos. No setor de petróleo, os congressistas foram atraídos pelos bilionários negócios com fornecedores da maior estatal do país, sobretudo as empreiteiras. Na Agricultura, a sedução é exercida pela prosperidade planetária do agronegócio brasileiro.

O Diário Oficial desta segunda-feira publica a exoneração dos superintendentes do Ministério da Agricultura em dois Estados alcançados pela investigação da Carne Fraca. Seguindo-se a trilha do apadrinhamento político, chega-se às digitais do problema. No Paraná, foi afastado Gil Bueno de Magalhães. Trata-se de um servidor apadrinhado pela bancada paranaense do Partido Progressista (PP), campeão no ranking de enrolados do petrolão. Sustentavam o demitido os deputados Dilceu Sperafico, Nelson Meurer e Ricardo Barros, licenciado do mandato para exercer o cargo de ministro da Saúde.

Em Goiás, foi afastado o servidor Júlio César Carneiro. Seu padrinho é Jovair Arantes (PTB-GO), um deputado da infantaria de Eduardo Cunha. Ele já controlava a superintendência goiana da Agricultura no governo petista. Afastou-se de Dilma Rousseff ao exercer a função de relator do processo de impeachment na Câmara. Consumado o impedimento da presidente, Jovair credenciou-se para manter os pés fincados no setor que controla os negócios da agropecuária, principal atividade econômica do seu Estado.

Gil Bueno e Júlio César foram apeados de seus cargos numa situação limite. Ambos tiveram a prisão decretada na última sexta-feira. Do contrário, o ministro Blairo Maggi (Agricultura) não ousaria afastá-los num instante em que o Planalto paparica seus aliados no Congresso para aprovar a reforma da Previdência.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos mais destacados membros da bancada ruralista do Congresso, critica a ação da Polícia Federal na Carne Fraca. Acha que, numa investigação que se desenrolava há quase dois anos, a PF tinha “a obrigação de ser mais certeira nos seus tiros e não sair atirando para todo lado, como se toda a carne brasileira fosse uma porcaria.” Mas Caiado reconhece que a influência política exerce efeitos deletérios sobre o setor.

“Este modelo está falido. Submeter a composição de cargos técnicos a interesses políticos só pode resultar em desastre”, disse Caiado ao blog. “Por isso, jamais me atrevi a indicar ninguém. Perde-se a objetividade para fazer o controle sanitário e garantir todas as exigências que fazem da nossa carne a mais prestigiada do mundo. O estrago feito agora vai demorar muitos anos para ser desfeito.”

No Paraná, o servidor Gil Bueno substituiu outro encrencado na Carne Fraca, o ex-superintendente Daniel Gonçalves Filho. Que representava no cargo a bancada do PMDB paranaense. Última ministra da Agricultura da gestão Dilma Rousseff, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) exonerou Daniel Gonçalves por recomendação da Consultoria Jurídica do Ministério. O personagem sofrera um processo administrativo disciplinar.

Em privado, Kátia Abreu diz que não foi fácil retirar Daniel da cadeira. Conforme já noticiado aqui, peemedebistas do Paraná, entre eles o deputado licenciado Osmar Serraglio, hoje ministro da Justiça de Michel Temer, pressionaram pela permanência do servidor tóxico no cargo. Nessa época, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi convidado pela colega Kátia a indicar uma pessoa para comandar a superintedência do Paraná. Requião preferiu abrir mão da preferência.

A exemplo de Caiado, Requião critica a generalização feita pela Polícia Federal. Atribui o fenômero ao que chama de “espetaculatização da corporação policial. Mas Requião reconhece a importância da investigação. E explica os motivos que o levaram a se abster de fazer indicações para a Agricultura.

“Os rumores eram intensos de que havia por trás daquilo um esquema de parlamentares com fiscais, para conseguir favores e facilidades de forma corrupta”, disse Requião ao blog. “Essa coisa é muito semelhante aos pixulecos, ao caixa dois ou caixa três que estão por aí. Disse à ministra que nomeasse um técnico. Depois, vi que não adiantava, porque parece que muitos funcionários estavam envolvidos nisso. A estrutura se corrompeu ao longo do tempo.”

Dá-se na Agricultura algo muito parecido com o que sucedeu na Petrobras. O fenômeno foi dissecado numa resposta que o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa deu ao juiz Sérgio Moro em depoimento que prestou como delator, em outubro de 2014.

Funcionário de carreira da Petrobras, Paulo Roberto foi alçado ao posto de diretor por indicação do PP. Antes de dar por encerrado o interrogatório, Sergio Moro perguntou se ele gostaria de “dizer alguma coisa”. Eis o que disse o delator:

“Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois que eu saí não posso mais falar, mas que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia…”

PF com pinta de Robocop é herança do 1º governo Lula: caso Daslu

Eliana foi surpreendida, ainda de camisola, ao raiar do dia, em sua casa, com luzes, câmera e ação na sua cara. Os robocops estavam armados até os dentes (POR REINALDO AZEVEDO, em VEJA.COM)

Ora, ora…

Leio na Folha que integrantes da Carne Fraca defendem a operação e que ainda há provas sob sigilo.

Bem, é claro que são pessoas sem nome, não é?, que só aceitam falar em off. E vêm com a cascata de que “o tempo dirá”. Como é? Um ato destrambelhado corre o risco de fazer o país mergulhar numa crise sem precedentes num setor vital, e devemos dizer tudo para que o tempo esclareça? Quem essa gente pensa que é?

Ademais, ainda que se comprovassem centenas de fraudes aqui e ali, qual é o papel do órgão investigador? Criar uma comoção no setor? Paralisar uma cadeia produtiva que, ademais, diz respeito a milhares de produtores e de trabalhadores?

“Então não se faz nada em nome da economia do Brasil e dos empregos, Reinaldo Azevedo?” Ora, que bobagem! É claro que sim. Mas que se façam as coisas com decência e método. Sim, há “offs” para todo lado. Há profissionais de ponta da PF que estão furiosos com o amadorismo da turma.

Mas é preciso compreender a coisa no seu contexto. É preciso que fique claro que estamos diante de uma cultura, que não é recente.

Essa Polícia Federal midiática, que se paramenta de negro e sai por aí como Robocop, arregaçando com tudo, tem história. Começou no primeiro governo Lula, quando o ministro da Justiça era Márcio Thomas Bastos.

Eu me lembro bem da prisão da empresária Eliana Tranchesi, que morreu em 2012. Era julho de 2005. Eu estava ainda no site e na revista Primeira Leitura. A VEJA só passou a hospedar meu blog em junho de 2006.

Pois bem: desde o primeiro momento, não tive a menor dúvida de que, com efeito, a Daslu de então recorria a artifícios criminosos para sonegar impostos. Isso ficou comprovado depois. Não há dúvida sobre o que aconteceu por lá. E eu aplaudi a PF e a Receita Federal pela operação.

Mas eu também censurei vivamente o espetáculo dado pela Polícia Federal. Eliana foi surpreendida, ainda de camisola, ao raiar do dia, em sua casa, com luzes, câmera e ação na sua cara. Os Robocops estavam armados até os dentes. Quem visse a coisa iria pensar que a mulher dispunha de um exército de mercenários para defendê-la.

E eu me lembro de Lula a usar Eliane como exemplo. Disse algo assim: “Rico ou pobre, que todo mundo ande na linha, porque acabou esse negócio de só prender pobre, preto e puta no Brasil”. Pode não ter sido com tais palavras, mas esse era o sentido.

Lembro-me da reação rancorosa do petismo ainda dos primeiros anos de governo e de certo alarido que foi criado. Porque a Daslu havia sonegado? Não! Porque, afinal, via-se uma ricaça, que só vendia roupas para a Dona Zelite, ser conduzida coercitivamente à política e, depois, presa. Em 2008, já mais adiante, o ex-prefeito Celso Pitta foi preso em casa, de pijama, também numa grande operação, para a qual a imprensa havia sido previamente chamada.

Os trouxas que agora afirmam que mudei de posição sobre isso e aquilo deveriam procurar nos arquivos o que escrevi em todas essas circunstâncias. Apoiava, obviamente, as investigações e o rigor máximo, como faço com a Lava Jato, mas não os arreganhos autoritários porque, afinal, FULANO E FULANA são ricos e têm mais é de ser humilhados.

Essa paixão da PF pelo espalhafato vem desse tempo; de um tempo em que o órgão serviu como uma espécie de Polícia Política do PT, como ficou evidente com a Operação Satiagraha, conduzida pelo notório delegado Protógenes, que depois se elegeu deputado federal pelo… PCdoB!!!

Até onde sei, os alinhamentos partidários por lá andam esmaecidos. Tomou corpo o sentimento de onipotência; de que tudo lhes convém e lhes é permitido, como não recomendava São Paulo, o Apóstolo, porque, afinal, junto com o Ministério Público, sua função seria depurar a política.

Se tiverem de quebrar o país para que isso aconteça, por que não?

Afinal, este há de ser um país em que os ricos também choram. Poderíamos tentar eliminar os motivos que fazem chorar os pobres. Mas isso daria muito trabalho…

Por: Larissa Albuquerque
Fonte: NA/UOL/VEJA/FOLHA/ESTADÃO

5 comentários

  • Mazinho Costa Dundalk - 00

    Vamos supor que a PF não fizesse esse escândalo e somente mandasse relatórios da investigação para o STF ou algum ministério, o que aconteceria??
    Nada... seria abafado pelos ministros e juízes corruptos.
    Por que estão pensando no prejuízo agora? Por que não pensaram nisso antes de começarem com esse esquema fraudulento?
    Mas uma vez nós, brasileiros, vamos ter de dar nosso apoio à PF antes que nossa malha de políticos sem escrúpulos abafe o caso e nós continuamos consumindo lixo com preço exorbitante.

    7
    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Este pessoal comprador não tem fiscalização, ora tenha paciência...Exportação de carne FOB [ free on board] tem que acabar, o navio esta chegando no destino, é obrigado voltar com a carga perdida sem ônus para o comprador ...De agora em diante exportação CIF, pagamento no embarque... com fiscalização mútua...

      0
  • Vicente Sampaio Silva Sorriso - MT

    quem é vcs desse sie para criticar a PF??? por acaso vcs defendem corruptos???. hahahah governo tentando reverter a situação atraves de propagandas em sites em tvs, tudo bem fomos afetados mais quando acabar a corrpção não teremos noticias como esta, enquanto fazendeiros e empresas compraren fiscais para passarem seus projetos na frente, enquanto misturarem soja ruim com boa, enquanto, comprarem licesas ambientais, enquanto desmatarem, sem autorização, enquanto usar defensivos em excessos, enquanto não seguirem as regras vamos ter muitas e muitas noticias assim, apoio a PF se perdemos mercado sera por canta da corrupção e não de quem esta tentando limpar ela!

    15
    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      VICENTE eu também apoio a Policia Federal e pedirei a ela para investigar a sua declaração de imposto de renda cheia de maracutaias--

      0
    • DALMO HENRIQUE FRANCO SILVADOURADOS - MS

      Nem lá, nem cá Sr. Vicente! Há muito tempo as coisas no Brasil são feitas assim, cada um cuidadando do seu umbigo. Todos nós, sem excessão temos nossos lampejos de corrupção em coisas que nem imaginamos, portanto está na nossa cultura infelizmente, e sabe quando isso vai acabar? Quando tiver uma educação exemplar desde nossas crianças para daqui a vinte anos se começarmos agora, ai podermos comemorar alguma coisa. Mas não é só isso, eu venho defendendo há muito tempo uma integração maior dos setores representativos da sociedade, inclusive das policias para que barbaridades como essa não venha acontecer. Não vou dizer que a policia federal não sabia que isso iria acontecer mas faltou conhecer mais o nosso Brasil e ter maior responsabilidade com ele, só isso.Não vamos comemorar a desgraça dos outros porque nós somos todos uma cadeia, que mesmo às vezes por mais independente que se ache uma hora se cruza, com certeza ai vamos lembrar que às vezes jogamos nobtime adversário sem perceber. ACORDA BRASIL UNIÃO E FORÇA.

      1
    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Ah! Por culpa dos "vicentes" é que estamos vivenciando essa triste realidade. ... A corrupção foi a causa da queda do Império Romano, isso nos anos 300 da era cristã. ... E, ainda tem "vicentes" que acreditam que a corrupção um dia vai acabar. ... A sociedade precisa criar mecanismos que controlem a sanha corrupta do ser humano. Sim, senhores este desejo de "ganhar dos céus", sem fazer nenhum esforço, é próprio de uma grande parte da população e, se por sorte da população alguns desses forem eleitos para administrar o "bem público", com certeza esse bem deixara de ser público e passara a ser de um grupo partidário, ou de empresários, ou de sindicalistas, ou de classe de funcionários públicos, enfim as alternativas podem deixar para eles que com certeza vão "legalizar" o uso desses recursos. ... Enquanto isso, vamos alugar nossas orelhas para ficar ouvindo "MENTIRAS POLÍTICAS" !!! ... E pensar que o próximo candidato irá colocar o trem nos trilhos. ... Essa ideia que o voto é a maior arma que temos é mais uma "MENTIRA POLÍTICA", na qual grande parte da população acredita... DEVE-SE MUDAR O SISTEMA !!!

      0
    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Sr Paulo um dia desse encontrei um resumo muito interessante----Os formados em Ciências Humananas, combatem ,tripudiam e detestam os formados em Ciências Exatas---ou seja o eterno embate entre esquerdas e direitas.

      1
  • Mauricio Vieira Cascavel - PR

    A corrupção deve ser combatida a todo custo. A Polícia Federal deveria ter agido de forma responsável na divulgação das informações. Em vez de ter divulgado a investigação de forma responsável, agiu de maneira totalmente IRRESPONSÁVEL, fazendo generalizações, não descendo aos detalhes, tais como quais lotes foram encontrados anomalias, etc. A forma como os fatos foram divulgados causarão prejuízos incomensuráveis para a economia brasileira. Espera-se que os que, de forma irresponsável, divulgaram os fatos, sejam processados administrativa e judicialmente e, se for o caso, punidos exemplarmente.

    8
    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Este estardalhaço provocado por esta operação serviu também para provar que no Brasil também não importa 'cortar na própria carne' para denunciar atitudes que podem provocar danos a saúde, inclusive dos países importadores...Mostra também as providencias tomadas que sinalizarão mais segurança e confiança na qualidade e consumo de nosso produto...O Brasil, mostra ao mundo que a saúde da população está em primeiro lugar, sobrepondo a obtenção de lucro a qualquer custo, atitude que deveria ser copiada por todo mundo...

      6
  • Jorge Almada São José dos Campos - SP

    A operação da PF só está no começo..., a PF vai puxar mais algumas penas e virá uma galinha..., é só uma questão de tempo.

    2
  • Jose C Salomão Campestre - MG

    A bancada da bala e do boi e toda a turma do Noticias Agrícolas não queriam o golpe? Pois a PF deu. Sirvam-se da própria carne podre.

    41
    • VILSON AMBROZICHAPADINHA - MA

      Golpe na pecuaria foi dado quando o pt tomou conta do negócio das carnes. Jbs e brf. O primeiro um pequeno frigorífico de goiás insuflado com dinheiro publico e cheio de interogações,o segundo colocou nas mãos dos fundos de pensào controlados pelo partido. Um monopólio com o controle de quem detesta os fazendeiros que produzem a materia prima.

      3
    • JAKSON SCHERERUNAI - MG

      Viva o Brasil , aonde os culpados nunca são culpados , e ainda querem colocar a culpa na polícia federal , que investiga e tenta punir as irregularidades desse país , só falta os frigoríficos agora , saírem com a narrativa de que foi golpe , assim vamos ver que , a metodologia deles é sempre a mesma , culpam a polícia pela investigação , mas não querem saber c p povo vai comer carne podre ou não , o povo Tem que aguentar PT na política e na carne de domingo !!!!!!

      7
    • CELSO AMERICO DUTRASÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO - MG

      E pessoal estao cobrando a Policia Federal , mas foi 2 anos de investigação sera que a P

      2
    • CELSO AMERICO DUTRASÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO - MG

      Sera que a Policia Federal o nosso maior patrimonio e com agentes Eticos de carater excelentes ao contrario desses politicos corruptos querem fazer mal ao nosso pais eles estao defendendo a gente desses hipocritas que nao sabem o que escrevem vai doer na carne mas a carne boa se regenera e a podre tem que jogar fora por fogo.Ta dado o recado

      6