Termina hoje missão técnica do Japão no Sul
Hoje é o último dia da missão técnica japonesa no sul do Brasil. O grupo percorre, desde a semana passada, a região com uma lupa sobre o sistema sanitário da carne bovina. A expectativa da pecuária nacional é de que, encerrada a etapa de campo, o processo siga para análise documental no Japão em direção a uma possível abertura de mercado à proteína brasileira. No entanto, depois de dias de visitas discretas e agenda fechada, o roteiro se encerra com a mesma característica que marcou toda a passagem da comitiva: silêncio total.
A auditoria, etapa decisiva no longo caminho para uma eventual abertura, concentrou-se exclusivamente nos três Estados do Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – justamente os primeiros do país a obter o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação. Apesar de pedidos do Brasil para ampliar o escopo da avaliação, o Japão manteve o recorte geográfico original. Nesta etapa, o grupo visita propriedades rurais, frigoríficos, laboratórios oficiais e estruturas de vigilância sanitária.
A missão, vale lembrar, ocorre em um momento estratégico para o Brasil. O país busca há décadas acessar o mercado japonês, um dos mais valorizados do mundo, que importa cerca de 700 mil toneladas de carne bovina por ano e movimenta aproximadamente US$ 4 bilhões. É um consumidor exigente, que paga mais pela proteína — e por isso mesmo estabelece barreiras sanitárias rigorosas.
Do lado brasileiro, a aposta é que o reconhecimento recente do país como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) ajude a destravar o processo. Do lado japonês, a missão atual é justamente validar, na prática, a consistência desse status: não apenas no papel, mas na rotina dos sistemas estaduais de defesa agropecuária.