Possível mudança na classificação da tilápia pode derrubar em até 90% as exportações brasileiras

Publicado em 19/05/2026 11:39
Análise técnica da PEIXE BR estima perdas superiores a US$ 38 milhões e alerta para impactos em toda a cadeia aquícola.

A possibilidade de inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras voltou a acender um alerta no setor aquícola nacional. No próximo dia 26 de maio, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) deve votar a proposta que pode enquadrar a espécie nessa classificação. Segundo análise técnica elaborada pela PEIXE BR, a medida pode gerar impactos significativos sobre as exportações brasileiras e provocar reflexos em toda a cadeia produtiva da aquicultura.

De acordo com o levantamento da associação, a decisão pode ser interpretada internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, criando precedentes para restrições sanitárias, ambientais e comerciais em mercados considerados estratégicos para o setor.

A principal preocupação está relacionada ao desempenho das exportações de tilápia, especialmente para os Estados Unidos, principal comprador do produto brasileiro. Atualmente, aproximadamente 85% das exportações nacionais da espécie têm como destino o mercado norte-americano, movimentando cerca de US$ 35 milhões por ano.

O estudo aponta ainda um precedente considerado crítico para o setor. “Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado”, compartilha o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

Com base nesse cenário, a análise da PEIXE BR projeta que uma eventual classificação da tilápia como espécie invasora no Brasil poderia resultar em uma redução de até 90% nas exportações da espécie em um período de seis meses. O impacto financeiro estimado ultrapassaria US$ 38 milhões somente para a cadeia da tilápia.

Além dos efeitos diretos, o documento alerta para possíveis impactos indiretos sobre outras espécies e segmentos da aquicultura brasileira. A projeção é de um efeito cascata capaz de gerar perdas anuais de aproximadamente US$ 64 milhões ao setor pesqueiro exportador.

Espécies nativas, como tambaqui e pintado, também poderiam sofrer consequências comerciais em razão do aumento de auditorias internacionais, endurecimento de exigências sanitárias e possíveis desgastes à imagem da aquicultura brasileira no mercado internacional.

Outro ponto destacado pela análise é o risco de comprometimento de certificações internacionais, entre elas BAP, ASC e Global G.A.P., que adotam critérios rigorosos relacionados ao controle ambiental e ao manejo de espécies.

Sobre a PEIXE BR

A PEIXE BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade da atividade e do ambiente regulatório do segmento no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente.

Por: Peixe BR
Fonte: Peixe BR

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Possível mudança na classificação da tilápia pode derrubar em até 90% as exportações brasileiras
China amplia habilitações dos EUA, mas baixa oferta bovina sustenta espaço da carne brasileira
Exportações de carne bovina aceleram em abril, mas proximidade do fim da quota chinesa preocupa
Exportações de proteínas animais avançam em maio com liderança da carne de frango
Exportações de carne bovina mantêm ritmo forte na segunda semana de maio
Brazilian Beef Connect chega ao México para ampliar negócios da carne bovina brasileira