UE mantém exigências sanitárias e descarta flexibilização para retomada da carne brasileira
A União Europeia não pretende flexibilizar as exigências sanitárias para permitir o retorno das exportações brasileiras de carnes e outros produtos de origem animal ao mercado europeu. A declaração foi feita pelo embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, em entrevista ao portal g1.
Segundo o diplomata, as regras relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal já eram conhecidas pelas autoridades brasileiras e vinham sendo discutidas entre Brasil e União Europeia há vários anos.
"Essas exigências relacionadas aos padrões para uso de antimicrobianos não são novas. Elas já são conhecidas há bastante tempo, e a União Europeia vinha mantendo diálogo com as autoridades brasileiras sobre esses padrões há algum tempo", afirmou ao g1, no últmo domingo (20).
Gallagher classificou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco como uma decisão de caráter "técnico". Segundo ele, a retomada das exportações dependerá da criação, por parte do governo brasileiro, de um sistema capaz de atender aos requisitos sanitários exigidos pela legislação europeia.
O embaixador também afirmou que outros países da América do Sul permaneceram habilitados porque conseguiram cumprir os critérios estabelecidos pela União Europeia. "A regra é muito simples: quem atende aos padrões permanece na lista; quem não atende, deixa de fazer parte dela", disse.
Apesar da suspensão, Gallagher ressaltou que o diálogo entre Brasil e Comissão Europeia continua aberto. No entanto, reforçou que a responsabilidade pela adequação às normas é do país exportador.
Em junho, a União Europeia retirou oficialmente o Brasil da lista de países considerados aptos a atender às exigências de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A medida passa a valer em 3 de setembro e afetará as exportações brasileiras de carne bovina, de frango, de cavalo e outros produtos de origem animal destinados ao bloco. Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que considera difícil que o setor consiga cumprir as novas exigências dentro do prazo estabelecido.
Com informações do G1