Exportação de carne bovina começa outubro com ritmo quase 40% menor; aves e suínos avançam

Publicado em 13/10/2026 15:51 e atualizado em 13/10/2026 16:32
Preço da tonelada bovina sobe 11,3% frente a outubro de 2025, mas não compensa o menor volume embarcado

As exportações brasileiras de carnes apresentam resultados distintos nos primeiros sete dias úteis de outubro. Enquanto a carne bovina registra queda de 39,9% no volume médio diário embarcado e de 33,1% na receita por dia útil, as vendas externas de aves e suínos avançam nos dois indicadores. O preço mais elevado da tonelada bovina ameniza a perda de faturamento, mas não compensa a redução dos embarques.

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e abrangem o acumulado até a segunda semana de outubro. As variações comparam as médias diárias desta parcial com as de outubro completo de 2025, que teve 22 dias úteis.

Carne bovina: tonelada mais valorizada, mas menor escoamento

O Brasil exportou 61,32 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada na parcial de outubro, com faturamento de US$ 377,94 milhões. A média diária foi de 8,76 mil toneladas, abaixo das 14,57 mil toneladas de outubro do ano passado.

Já o preço médio passou de US$ 5.538,60 para US$ 6.163,30 por tonelada, valorização de 11,3%. Com isso, a receita diária caiu menos que o volume: passou de US$ 80,70 milhões para US$ 53,99 milhões, retração de 33,1%.

Na prática, o setor recebe mais por tonelada do que há um ano, mas vende uma quantidade significativamente menor por dia. Para o pecuarista, o quadro merece atenção porque reduz a capacidade de escoamento pelo mercado externo. O preço internacional mais alto ajuda a receita das indústrias, embora seu efeito sobre a compra de boiadas também dependa do câmbio, das vendas domésticas, da retomada das compras chinesas e da oferta de animais terminados.

Aves crescem em volume e preço

Nas carnes de aves e suas miudezas , categoria do relatório que inclui o frango, o desempenho foi positivo tanto em quantidade quanto em valor.

Os embarques somaram 193,21 mil toneladas, com receita de US$ 370,98 milhões. A média diária alcançou 27,60 mil toneladas, crescimento de 28,1% frente às 21,54 mil toneladas de outubro de 2025.

O preço médio também avançou: passou de US$ 1.675,20 para US$ 1.920 por tonelada, alta de 14,6%. A combinação de maior volume e valorização elevou a receita diária em 46,8%, de US$ 36,09 milhões para US$ 53 milhões.

O resultado mostra um reforço das exportações no escoamento da produção avícola. A receita diária do segmento ficou próxima à da carne bovina, embora as aves tenham embarcado um volume mais de três vezes maior, refletindo a diferença de valor entre as proteínas.

Indicador Carne bovina Aves e miudezas Carne suína
Volume na parcial de outubro/2026 61,32 mil t 193,21 mil t 48,14 mil t
Faturamento na parcial US$ 377,94 milhões US$ 370,98 milhões US$ 109,80 milhões
Volume diário — 2026 8,76 mil t 27,60 mil t 6,88 mil t
Volume diário — outubro/2025 14,57 mil t 21,54 mil t 5,71 mil t
Variação do volume diário −39,9% +28,1% +20,5%
Receita diária — 2026 US$ 53,99 milhões US$ 53,00 milhões US$ 15,69 milhões
Receita diária — outubro/2025 US$ 80,70 milhões US$ 36,09 milhões US$ 14,56 milhões
Variação da receita diária −33,1% +46,8% +7,8%
Preço por tonelada — 2026 US$ 6.163,30 US$ 1.920,00 US$ 2.280,60
Preço por tonelada — outubro/2025 US$ 5.538,60 US$ 1.675,20 US$ 2.550,10
Variação do preço +11,3% +14,6% −10,6%

Fonte: Secex/MDIC. 

 

Suínos exportam mais, mas preço menor limita avanço da receita

As exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada somaram 48,14 mil toneladas nos primeiros sete dias úteis de outubro, com faturamento de US$ 109,80 milhões, segundo a Secex.

A média diária embarcada alcançou 6,88 mil toneladas, crescimento de 20,5% frente às 5,71 mil toneladas de outubro de 2025. Entretanto, o preço médio caiu de US$ 2.550,10 para US$ 2.280,60 por tonelada, recuo de 10,6%.

Com a carne vendida por um valor menor, o aumento dos embarques não se traduziu em crescimento proporcional do faturamento. A receita média diária passou de US$ 14,56 milhões para US$ 15,69 milhões, avanço de 7,8%.

Para o suinocultor, o resultado tem duas faces: o mercado externo absorve mais produto e ajuda a escoar a produção, mas a queda do preço internacional limita a receita obtida por tonelada. O reflexo sobre a rentabilidade da cadeia depende também do câmbio e dos custos, especialmente de alimentação.

O contraste entre as três proteínas fica claro nesta parcial: a carne bovina recebe mais por tonelada, mas perde volume e receita diária; as aves avançam nos três indicadores; e os suínos ampliam os embarques, com parte do ganho de faturamento consumida pelo preço menor.

Fonte: Secex/MDIC

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