Brasil e EUA discutem resíduo em carne

Publicado em 01/06/2010 08:45 389 exibições

O governo brasileiro vai tentar restabelecer as exportações de carne bovina industrializada para os Estados Unidos na próxima semana, segundo o diretor de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Nelmon Oliveira. Na semana passada, o ministério decidiu pela suspensão temporária das vendas depois que os EUA fizeram um recall de carne processada da JBS, proveniente da planta de Lins (SP). A razão para o recall foi que autoridades americanas detectaram a presença do vermífugo Ivermectina acima do permitido pela legislação nos EUA.

Para tentar solucionar a questão, uma missão brasileira com representantes do ministério irá aos EUA, nos dias 7 e 8 de junho, para avaliar com técnicos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) os procedimentos do controle de resíduos na carne bovina termoprocessada exportada.

Segundo Oliveira, os EUA podem pedir a alteração no método de análise de resíduos. Nesse caso, demorará até duas semanas para que as vendas ao país sejam retomadas. A metodologia de análise utilizada pelo Brasil segue recomendação do Codex Alimentarius (organismo internacional de referência para a segurança dos alimentos), segundo o ministério. O Brasil quer saber qual a metodologia utilizada nos EUA e se os critérios para as empresas brasileiras que exportam são os mesmos aplicados para as americanas.

De acordo com Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), os EUA mudaram a análise sem avisar o Brasil. Na metodologia usada aqui, o fígado do animal é analisado; os EUA analisam o músculo.

"Se precisar modificar algum procedimento, as empresas já nos disseram que estão prontas para fazer", disse Nelmon Oliveira.

Para driblar a suspensão temporária das exportações de carne bovina processada do Brasil aos EUA, a Marfrig informou ontem que vai atender à demanda americana a partir de suas unidades no Uruguai (Colonia, Fray Bentos e Tacuarembó) e na Argentina (Martinez e Mirab). A empresa vende aos EUA carne cozida, enlatada e "beef jerky".

Na sexta-feira, em comunicado, a JBS afirmou que o "impacto financeiro [da interrupção] tende a ser imaterial", pois menos de 0,5% da receita consolidada da companhia advém de exportações do Brasil para os EUA.

No total, no primeiro quadrimestre deste ano, as empresas brasileiras exportaram US$ 65 milhões em carne bovina processada ao mercado americano, uma queda de 22,3% em relação aos US$ 83,7 milhões de igual período de 2009, de acordo com a Abiec.

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Fonte:
Valor Econômico

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