JBS faz mais um recall de carnes nos EUA

Publicado em 16/09/2010 10:34 e atualizado em 16/09/2010 11:07
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Grupo está recolhendo mais 117 toneladas de carne importada da unidade de Lins (SP).
A Sampco Inc., subsidiária do frigorífico JBS em Chicago, está retirando 258 mil libras-peso (117 toneladas) de carne bovina cozida do mercado americano. O produto foi importado da unidade de Lins (SP) da companhia brasileira, que está proibida de vender para os Estados Unidos desde maio, após a identificação de resíduos do vermífugo ivermectina nos itens produzidos ali.

A informação é do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) do Departamento de Agricultura do país (USDA). Em nota divulgada em seu site, o FSIS reconheceu ter autorizado, de forma errônea, a comercialização dos produtos da Sampco. Um representante da agência governamental disse à agência Dow Jones que o USDA está apurando o equívoco.

Em comunicado, o JBS disse que "esse recall é referente à continuação do recall comunicado anteriormente em relação ao lote de produtos fabricados na unidade de Lins. Portanto, não se trata de um novo recall e o impacto financeiro não é relevante para a companhia". Em maio, a empresa havia retirado 39 toneladas de carne processada do mercado americano. Em junho, tirou mais 27 toneladas.

O recall atual inclui latas de carne da marca Libby Corned Beef, distribuídas para varejistas nos Estados da Flórida e da Pensilvânia. Outros lotes, sob as marcas Kroger Corned Beef e Brushy Creek Roast Beef, foram vendidos em Indiana, na Califórnia, New Jersey, Missouri e Texas. Lotes de Brushy Creek Shredded Beef foram comercializados no Missouri, Nova Jersey e Ohio.

O Brasil suspendeu as exportações de carne processada para os Estados Unidos depois que, em maio, foram identificados produtos com resíduos de ivermectina maiores que o permitido pela legislação americana. Após realizar testes mais abrangentes, o mesmo problema foi identificado em outros lotes. Todos foram produzidos na mesma unidade do JBS no Brasil, em Lins.

"Problema sistêmico". Em uma entrevista recente, o chefe do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do USDA, Al Almanza, disse que, se o Brasil não tivesse suspendido as exportações, os EUA teriam interrompido o comércio bilateral de carne. "É um problema sistêmico (no Brasil)", disse na época. Mas ele observou também que não há evidências de que os resíduos de ivermectina sejam prejudiciais à saúde dos consumidores.

Na semana passada, o JBS também enfrentou um embargo de exportações para a Rússia. Segundo informações da agência sanitária russa, três fábricas do grupo tinham sido proibidas de exportar para o país, depois que produtos dessas unidades apresentaram registros do antibiótico oxitetraciclina e de bactérias.

O JBS é o maior exportador de carne processada do mundo, com 58 fábricas no Brasil e 50 nos EUA. O país importou cerca de 13 mil toneladas de carne processada do Brasil nos quatro primeiros meses de 2010, de acordo com o USDA. / DOW JONES NEWSWIRES

Para lembrar

Grupo enfrenta dificuldades no exterior

O frigorífico JBS tem enfrentado algumas dificuldades em suas operações no exterior. O grupo já colocou à venda algumas unidades na Argentina, onde o mercado interno em queda e as restrições às exportações dificultam a operação. A empresa também já anunciou que não há condições de abrir o capital de sua filial nos EUA este ano, como estava previsto desde a compra da americana Pilgrim"s Pride - o que deve lhe custar um desembolso extra de cerca de R$ 500 milhões em multa para o BNDES. Na Itália, o JBS está em guerra aberta com os sócios da Inalca, comprada em 2007.
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Fonte: Folha de São Paulo

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