Estiagem já provoca perdas irreversíveis em lavouras no sul do Brasil

Publicado em 23/12/2011 10:17 e atualizado em 24/12/2011 08:34 2214 exibições
O Notícias Agrícolas acompanha os efeitos da estiagem que atinge a região Sul e parte do Mato Grosso do Sul. Mas Santa Catarina e Mato Grosso também sentem os efeitos da estiagem.
A falta de chuvas está castigando as lavouras da região sul do país. Os estados que mais estão  sofrendo com a seca são o Rio Grande do Sul, o Paraná e o Mato Grosso do Sul. Mas Santa Catarina e Mato Grosso também sentem os efeitos da estiagem. E o início do verão (dia 22) deverá agravar ainda mais a situação, pois pode trazer temperaturas mais altas e clima ainda mais seco. 

A estação está sendo influenciada pelo La Niña, que se caracteriza pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico. O fenômeno tem intensidade menor que no último verão, mas a diminuição da chuva será maior em relação a 2010 devido ao posicionamento das águas frias na região equatorial do Pacífico. 

Para complicar, segundo o meteorologista Expedito Rebelo, do Inmet, nesse momento ocorre também um fenômeno de resfriamento das águas do Atlântico, evento que não se repetia havia 15 anos. Junto como resfriamento do Pacífico (la Niña), as chuvas foram cortadas bem antes do verão. Agora, com as temperaturas cada vez mais altas, os efeitos tem sido devastadores para as lavouras de milho do Sul e Sudeste. 

A falta de chuvas atinge grande regiões produtoras do País, deixando um rastrode perdas que começa no norte do Rio Grande do Sul, pulando para o Oeste do MS, seguindo em linha paralela com a bacia do rio Paraná, afetando portanto o produtivo Oeste do Paraná, e entrando pelo norte do Mato Grosso do Sul. 

Acompanhe o relato da repórter Carla Mendes, do Notícias Agrícolas:

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o prejuízo do déficit  hídrico já supera o valor de R$ 1 bilhão apenas  na safra de milho. De acordo com o analista Farias Toigo, as condições climáticas adversas  já estão inlfuenciando nos preços do grão. "Nos últimos dias, a saca subiu de R$ 24,00 para R$  30,00 no interior", disse.

De acordo com dados divulgados pela Emater/RS nesta quinta-feira (22), o milho e o  feijão são  as culturas mais afetadas no estado. Entre 40% e 50% das lavouras terão atravessado as fases de floração e enchimento de grãos em condições críticas quanto à presença de umidade no solo, fator indispensável para se garantir uma boa produtividade.
As lavouras que se encontram em desenvolvimento vegetativo, cerca de 34% do total cultivado, também apresentam problemas na sua evolução, como murchamento das folhas basilares e crescimento deficiente, informou a Emater.

Em alguns municípios, as perdas já estão entre 60 e 80% da produção. Em municípios do noroeste do estado, a produtividade já está seriamente comprometida e deverá provocar um severo declínio na produção final.

A situação se agrava ainda mais em locais em mesmo que a chuva chegue, a situação da perda não poderá ser revertida. Em municípios como Liberato Suzano, as perdas irreversíveis já chegam a 60%.
 
No Rio Grande do Sul, a estiagem é mais forte em pontos do oeste e do sudoeste do estado. O déficit hídrico pode se agravar nessas regiões, e em outras também, por conta da chegada do verão. O regime de chuva no verão é diferente do inverno. As frentes frias passam pelo Estado com menor freqüência e mais pela costa.

Os recordes históricos de calor do Rio Grande do Sul de 1917 e 1943 se deram durante severas estiagens. Pelo menos duas ondas de calor podem ser de forte intensidade em janeiro. Na Metade Oeste do Estado, o verão deve ser mais quente com muitos dias de calor excessivo em que as máximas ficarão entre 35ºC e 40ºC.

Paraná
No Paraná, a situação da seca não é diferente ou menos grave do que no Rio Grande do Sul. Cerca de dois terços das lavouras de grãos do estado sofrem com chuvas irregulares e escassas. As precipitações já se mostram insuficientes nas regiões sudoeste, oeste, noroeste, centro-oeste, norte e norte pioneiro. Há propriedades em que não chove há mais de 30 dias.

Margorete Demarchi, agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Estado da Agricultura, avalia que 62% do milho e 44% da soja – em floração e frutificação – estão suscetíveis a perdas climáticas.

“Se não chover dentro de uma semana, teremos uma forte perda na colheita”, disse o agricultor Ademir Casarotto, de Maringá (Noroeste).

O última safra em que o Paraná enfrentou quebra na produção em função do La Niña foi a de 2005/06, quando o fenômeno foi considerado forte. As perdas foram de 4,13 milhões de toneladas de grãos (58% soja), conforme as estatísticas do Deral.

O fenômeno se repetiu na safra passada, com intensidade moderada, sem provocar perdas no verão, o que foi considerado uma exceção. Desta vez, a intensidade também é moderada e as previsões são de chuvas escassas e irregulares para o Sul do país para dezembro e janeiro.

No Paraná, uma das culturas mais afetadas é a soja, e o estado é o segundo maior produtor nacional da oleaginosa. "Toda a soja está em situação crítica em relação à estiagem. Temos 40% em fase de floração, 50% entrando em floração e apenas 10% na frutificação. Em muitas áreas, não chove há 30 dias. Temos verdadeiros bolsões de estiagem", disse o diretor do Deral, Otmar Hubner.


As chuvas previstas para este final de semana não serão suficientes para reverter a situação de perdas. O Notícias agrícolas acompanha os estragos provocados pelos fenômenos climáticos. 


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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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