La Niña: Seca agrava situação das lavouras no Sul do Brasil

Publicado em 05/01/2012 09:21 e atualizado em 05/01/2012 14:20 1774 exibições
Nesta quarta-feira, o sol continua forte e o tempo bastante seco no Sul do país e a falta de chuvas que assola a região continua preocupando pois agrava os prejuízos na produção agropecuária. Os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul são os mais atingidos e deverão acentuar suas perdas, uma vez que a estiagem já se estende desde dezembro e os próximos dias não devem ser chuvosos.

As condições climáticas, características do período de La Niña, devrão se manter assim ainda na primeira quinzena de janeiro, de acordo com representantes do setor produtivo. As previsões para este mês não indicam chuvas que possam ser suficientes para reverter e aliviar o estresse causado pelo déficit hídrico.

A cultura mais atingida foi a do milho, tanto no Rio Grande do Sul quanto no Paraná. No entanto, o potencial produtivo da soja também está sendo bastante comprometido.

Paraná

De acordo com o presidente da Coopavel, cooperativa agroindustrial com sede em Cascavel/PR, Dilvo Grolli, "a região oeste do Paraná tem uma quebra de safra entre 10 e 30%, de soja, milho e feijão. E a cada dia sem chuva está acumulando mais perdas, e precisa chover urgentemente".

Porém, as previsões indicam chuvas de no máximo 15 mm para a região Sul nos próximos dias. O presidente da Coopavel disse ainda que o indicador médio de chuva acumulada no último mês foi de 68 mm ante os 207 registrados no mesmo período de 2010.

Grolli afirma também que em 15 dias a cooperativa deverá ter novos dados sobre as perdas e o estudo deve mostrar uma piora nas condições e um aumento dos prejuízos.

Confirmando a angústia do presidente da Coopavel, o diretor do Deral (Departamento de Economia Rural), Otmar Hubner, disse que a previsão é de pancadas de chuvas e que essas não seriam suficientes para aliviar a situação. Na última terça-feira, o Deral reportou uma piora nas condições das lavouras de soja e milho no estado.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, 30% da área produtora de milho do estado está comprometida e passa por uma situação crítica, como explica o presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Carlos Sperotto.

"Com mais de 45 dias sem chuvas, onde o milho estava fora área de pivô (irrigação), já está com 100 por cento de prejuízo em algumas áreas, outras com 80 por cento de prejuízo. E o pior é que cortando essas lavouras não temos expectativa de chuva para os próximos 30 dias, não tem como realizar outros cultivos", lamentou Sperotto.

Por conta disso, o presidente da Farsul disse ainda que, sem chuvas, não haverá como plantar a soja sobre áreas perdidas de milho.

A ausência de precipitações nas lavouras gaúchas, que estão em estágios iniciais, prejudicou a germinação e o desenvolvimento vegetativo das plantas.

Mato Grosso

Se por um lado o Rio Grande do Sul e o Paraná lamentam as perdas geradas por conta da seca, as lavouras do Mato Grosso devem produzir uma nova sara recorde, estimada em mais de 22 milhões de toneladas.

A diferença da situação climática é gritante. No Centro-Oeste, as condições do tempo são muito positivas, as chuvas chegaram na medida certa e o intensivo uso de tecnologia contribuiu para os bons resultados.

"O clima tem sido bom, foi mais uma safra com muita tecnologia", afirmou Eduardo Godoi, gestor do departamento técnica da Federação da Agricultura de Mato Grosso (Famato), dizendo ainda que a colheita já iniciada pontualmente no Estado deve ganhar velocidade a partir do dia 20 de janeiro.

Com informações da Reuters.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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