Mudanças climáticas exigirão adaptações da agricultura brasileira

Publicado em 26/07/2012 12:55 e atualizado em 26/07/2012 14:13 1728 exibições
Na semana em que os olhos do mundo se voltavam para o Rio de Janeiro, onde teve início a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, o tema sustentabilidade também era discutido em Cuiabá (MT), durante o VI Congresso Brasileiro de Soja. A discussão sobre mudanças climáticas e sustentabilidade foi destaque no VI Congresso Brasileiro de Soja, que teve como tema “Soja: integração nacional e desenvolvimento sustentável”. O evento foi promovido e realizado pela Embrapa Soja, com correalização da Aprosoja

Observando os impactos da mudança climática na agricultura brasileira, o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Assad, mostrou, durante o Congresso, como o aquecimento do planeta afetará a produção agrícola em diferentes regiões do Brasil, caso não sejam tomadas medidas para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Segundo Assad, nos últimos 100 anos a temperatura da terra se elevou em cerca de 0,8°C e a projeção é de que até 2100 este número possa chegar a 2° C. Com isto, o nível dos oceanos se elevará, aumentará a quantidade de chuvas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e reduzirá na região Nordeste, além de parte da Floresta Amazônica ser substituída por uma vegetação de Savana.

Com estas mudanças, Assad alerta para os efeitos sobre o panorama agrícola no país.
“A agricultura brasileira vai ser atingida positivamente e negativamente. Algumas culturas serão mais atingidas do ponto de vista positivo, como cana-de-açúcar e trigo no Sul. A soja será negativamente atingida no Sul e no Centro-Oeste será mais positivo. No balanço geral tem perdas se continuar do jeito que está. O que nós temos de fazer é nos adaptar a isto”, alerta o pesquisador.

Diante deste cenário, as pesquisas para o desenvolvimento de cultivares adaptadas se faz essencial, como já ocorre com o feijão, em que o Instituto Agronômico do Paraná desenvolveu cultivares que não abortam flor com o aumento da temperatura.

“Estamos trabalhando muito para reverter este processo. Como vamos ter plantas que sejam mais tolerantes a este tipo de situação, com ondas de calor, ondas de frio, abortamento de flores. A Embrapa Soja, por exemplo, está trabalhando com uma soja mais tolerante à deficiência hídrica. Temos que trabalhar para nos adaptar”, disse o pesquisador que acredita que boa parte das respostas para a adaptação das espécies agricultáveis está na biodiversidade do Cerrado.

Assad ainda destacou a importância de se adotar boas práticas agropecuárias, não só para contribuir com a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, mas também para minimizar os impactos da mudança climática nas lavouras. “Exemplos extremos como a seca deste ano no Sul do Brasil mostram que a adoção de boas práticas agrícolas minimizam as perdas. Seguindo estas boas práticas podemos resolver muitos de nossos problemas”, afirma.

Eduardo Assad também destacou a posição de vanguarda que o Brasil assume neste processo, não só com o desenvolvimento de pesquisas agropecuárias que serão adaptáveis a uma extensa faixa produtiva no globo terrestre, mas também com atitudes para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Como exemplo, citou as mais de 900 milhões de toneladas de carbono que o país deixou de emitir nos dois últimos anos somente com dois dos dez planos setoriais criados para atingir a meta de redução de emissões assumida pelo governo brasileiro.
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Embrapa Soja

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