Seca no Brasil e frio extremo nos Estados Unidos podem ser causados pela mesma anomalia

Publicado em 25/11/2014 15:45 624 exibições

O inverno no Hemisfério Norte nem chegou e na semana passada os Estados Unidos enfrentaram uma forte nevasca, que acumulou mais de um metro de gelo e deixou 10 pessoas mortas no país. Enquanto isso, o Estado de São Paulo passa pela pior estiagem dos últimos 80 anos. De acordo com estudos recentes dos climatologistas, esses eventos extremos podem sim estar interligados.
 
É consenso entre a comunidade científica que a seca no Sudeste faz parte de um fenômeno de escala global. E chegou-se a conclusão também que essas anomalias podem ser causadas por um aquecimento nos Oceanos extratropicais, ou seja, que ficam abaixo da linha dos trópicos. “O aquecimento persistente no Oceano Índico gera uma oscilação no fenômeno meteorológico conhecido como madden julian”, explica o meteorologista da Somar Meteorologia, Celso Oliveira.
 
O madden julian é uma onda, uma perturbação na atmosfera, que circunda todo o globo. “A cada 30 dias mais ou menos, o madden julian gera um pulso de energia, que migra do Oceano Índico, para o Pacífico e depois para o Atlântico. Quando esse pulso chega, ele intensifica as frentes frias, que provocam chuvas mais fortes no Sudeste do país. Porém, com o Índico mais quente, essa perturbação não chega, ou vem muito fraca”, afirma o climatologista da Somar Meteorologia, Paulo Etchichury.
 
Por ser um pulso de energia global, o frio extremo nos Estados Unidos e as chuvas abundantes, que causaram inundações na Europa, podem ter sido influenciados pelo mesmo fenômeno que diminui a quantidade de chuvas no Brasil.
 
Além disso, um outro fator contribui para eventos climáticos extremos, a ODP (Oscilação Decadal do Pacífico). “Nós estramos numa fase mais fria, que traz uma maior variabilidade. Não quer dizer que o verão em São Paulo será seco, mas também não terá chuvas dentro, ou acima da média”, conclui Etchichury. 

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Fonte:
Somar Meteorologia

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