EUA: Após mais de 900 mm em 12 meses, chuvas continuam no Corn Belt nas próximas semanas

Publicado em 14/06/2019 18:06
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"Olhos todos voltados para as chuvas em Illinois, Indiana, Missouri e Ohio neste final de semana. Como produtor, ainda estou em um momento de pausa antes de fazer mais vendas de soja e milho agora", disse o analista de mercado norte-americano Kevin Van Trump, em sua conta no Twitter nesta sexta-feira (14) diante das previsões atualizadas para o Corn Belt. 

De acordo com os últimos mapas, os próximos dias serão de muita chuva e baixas temperaturas, um cenário nada bom para os campos nos Estados Unidos, que há meses vêm contabilizando adversidades e obstáculos não só para os trabalhos de plantio, mas também para a germinação e desenvolvimento das lavouras. 

Na imagem abaixo, o mapa do NOAA para os próximos 7 dias - de 14 a 21 de junho - com elevados acumulados sendo esperados para Kansas, Oklahoma, Missouri, Indiana, Illinois e Ohio. Os volumes podem passar, nestes estados, de 100 mm. 

NOAA 7 dias EUA

A figura seguinte, do modelo GFS, traz uma previsão até o dia 30 de junho, com acumulados ainda mais intensos, que podem passar de 130 mm no coração do Corn Belt e que podem comprometer muito a conclusão da semeadura da soja. 

GFS

O plantio da safra 2019/20 dos Estados Unidos não está atrasado somente por conta das chuvas intensas do último mês. A temporada já foi iniciada em um período de acúmulo de adversidades, onde se registra o período de 12 meses mais úmido da história do país, segundo um estudo do NOAA, a agência oficial de clima do governo norte-americano. 

USDA chuva 12 meses

No mapa acima, a instituição indica em verde claro as áreas onde a umidade ficou acima da média, em verde médio muito acima e nas áras em verde escuro, regiões onde a umidade é recorde. De maio de 2018 a abril de 2019 caíram 919,48 mm de chuvas distribuídos pelos 48 estados americanos. 

"Os solos nas principais regiões agrícolas das planícies e do centro-oeste, que inicialmente ficaram saturados no outono passado (nos EUA) e foram periodicamente cobertos de neve pesada durante o inverno de 2018-19, permaneceram úmidos durante o plantio de 2019, em meio às chuvas implacáveis ​​da primavera", informou o departamento americano. 

E tais condições acarretaram não problemas dos trabalhos iniciais de plantio de preparo de solo, passando pelas condições de armazenagem às estruturas logísticas, que também ainda sofrem com os transtornos causados pelas chuvas excessivas. 

"Condições excepcionalmente úmidas da primavera são especialmente prejudiciais para as operações de plantio por várias razões, incluindo preocupações sobre a compactação do solo durante as operações de semeadura e a incapacidade de solos saturados de suportar equipamentos agrícolas pesados", explicam os especialistas do USDA em um boletim divulgado nesta sexta-feira, 14 de junho.

O atraso do plantio da soja e do milho só não está mais atrasado do que em 1995, quando se registrou um recorde na lentidão da semeadura também em decorrência de adversidades climáticas. 

E tais condições não deverão se limitar só à primavera norte-americana, mas podem se estender para o verão e continuar trazendo preocupações aos produtores norte-americanos, ainda como explica o Centro Nacional de Previsão Climática dos EUA. A umidade deverá ser intensa, com chuvas ainda acima da média. 

"A previsão para o verão americano - de junho a agosto - é da provável ontinuação do clima mais úmido do que o normal em grande parte do país, incluindo grandes áreas das Planícies e do Meio-Oeste. Enquanto isso, condições de verão mais frias do que o normal podem ser esperadas nas planícies e no meio-oeste", informa o centro.

Confirmadas essa condições, e com as lavouras já agredidas pelas adversidades, seu potencial produtivo também fica comprometido. 

"Um verão frio e úmido mais o plantio atrasado poderiam reduzir o potencial de rendimento devido a uma estação de crescimento mais curta, aumentando o  risco de milho e soja não atingirem a maturidade completa antes das primeiras geadas do próximo outono", dizem os especialistas americanos. 

Na última quarta-feira, 12, o Notícias Agrícolas trouxe fotos comparativas de campos de soja e milho dos EUA mostrando que as dificuldades das lavouras são maiores este ano. A matéria dizia:

Mais uma vez, a especialista internacional Karen Braun, pelo seu Twitter, trouxe fotos comparativas e comentários sobre alguns dos mais importantes estados produtores. Apesar de as imagens impressionarem pela má qualidade atual dos campos americanos, Karen explica que há espaço para alguma recuperação em determinados casos. 

"As atuais condições não refletem agora, necessariamente, o potencial produtivo. Índices diferentes do que o esperado agora não garantem menores rendimentos. Logo os produtores começarão a trazer suas projeções de produtividade", diz a analista. 

As fotos a seguir mostram comparativos de campos de milho em Ohio, Minnesota, Iowa e a Dakota do Norte. Em seu último boletim, o USDA reduziu sua projeção para a safra de milho norte-americana de pouco mais de 381 milhões de toneladas para 347,49 milhões. 

Ohio

Minnesota

Iowa

Dakota do Norte

As próximas imagens mostram Indiana, Illinois, Nebraska e o Kansas. "O milho, onde emergiu, se mostra bom, mas bem atrasado em relação ao ano passado", relata Karen. "A produtividade poderia, inclusive, ficar dentro das médias caso as condições de clima melhorem, trazendo um pouco mais de calor e regularidade da umidade. Os recordes dos últimos anos, porém, certamente estão descartados", completa. 

Indiana

Illinois

Nebraska

Kansas

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Lembremos da célebre lei de Murphy , "se algo pode dar errado, vai dar errado".... Então se já faz tempo que está úmido, nada vai mudar..., algo muito maior está presente.... E o algo é o oceano Atlântico quente. Nós, aqui no norte, estamos presenciando um ano atípico,... eu estou há 33 anos por aqui e nunca vi uma temporada de chuvas se estender tanto... O clima vai colocar os preços dos grãos na linha. Sempre foi assim , desde os tempos dos Faraós. Atentai

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