Chuvas devem ser abundantes na primeira quinzena de fevereiro

Publicado em 04/02/2026 13:41
Mas, com exceção do Rio Grande do Sul, condições de umidade não se sustentam no restante do mês

Um fluxo de monção ativo fez fevereiro começar com tempestades ao longo da faixa central do Brasil. A circulação associada a esse escoamento quente e úmido em baixos níveis, em interação com a dinâmica de altos níveis, está organizando um canal de umidade que atuará em parte desta semana entre o Centro-Oeste e o Sudeste. O sistema perde força na quinta-feira (05), mas no início da próxima semana um novo canal de umidade volta a se configurar sobre a região.

Figura 1 – Acumulado (painel esquerdo) e anomalia (painel direito) de precipitação para o período de 04 a 15/02. Fonte: Ampere

 

Essa previsão está entre as principais responsáveis pelo fato de que, até o fim da 1ª quinzena, a previsão da Ampere indica acumulados acima de 100 mm em uma faixa que vai do Sudeste ao Norte, atingindo bacias estratégicas do setor elétrico como Tietê, Grande, Paranaíba, Tocantins e Xingu, além de áreas fundamentais da produção agrícola. Vale destacar que a maior parte desse volume deve se concentrar até 12/02.

Mas, enquanto a primeira metade do mês tende a ser mais chuvosa, a segunda já mostra sinais de quebra desse padrão.

Quais padrões atmosféricos explicam as mudanças entre as quinzenas?

Uma forte fase negativa da Oscilação do Ártico (AO) está em andamento, associada a um padrão mais  meridional da corrente de jato no Hemisfério Norte. Por isso, perturbações sinóticas mais fortes têm se propagado pelo Atlântico Norte. Esse arranjo também tem favorecido um posicionamento mais ao sul da Alta Subtropical do Atlântico Norte, o que contribui para um ambiente de grande escala mais propício à organização do transporte de umidade e à manutenção de um fluxo monçônico mais ativo sobre o Brasil (painel esquerdo da Figura 2).

Esse transporte de umidade para o interior do continente, em conjunto com a circulação típica de verão em altos níveis na América do Sul — Alta da Bolívia e cavado a jusante — sustenta um padrão de convergência e canalização de umidade do Norte ao Sudeste.

Figura 2 – Configuração atmosférica média na 1ª quinzena (painel esquerdo) e 2ª quinzena (painel direito). Fonte: Ampere

 

Ainda assim, esse padrão mais chuvoso pode enfraquecer a partir de meados de fevereiro. Isso porque as projeções sugerem, para os próximos dias, uma configuração de grande escala no Hemisfério Sul capaz de manter a Alta Subtropical mais próxima do Brasil, o que tende a inibir o estabelecimento de corredores persistentes de umidade e a organização da própria ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), como ilustrado no painel direito da Figura 2.

Se esse cenário se confirmar, a expectativa é de supressão substancial das chuvas em uma faixa que vai do norte da Região Sul até o interior do Nordeste, com tendência de elevação das temperaturas nessas áreas. Apesar das incertezas, o Rio Grande do Sul pode destoar desse padrão, com um possível efeito compensatório: aumento da frequência dos eventos de chuva no estado.

Fevereiro traz contrastes meteorológicos e desafios ao agro

As condições meteorológicas previstas para fevereiro trazem impactos importantes para o agronegócio em diferentes regiões do país. Na primeira quinzena do mês, a atuação de canais de umidade sobre a região central favorece volumes elevados e recorrentes de chuva, especialmente no Mato Grosso. Esse cenário ocorre em um momento sensível, de início da colheita da soja, que já alcança cerca de 25% da área no estado. Os dias consecutivos de chuva e alta umidade podem atrapalhar o ritmo dos trabalhos no campo para quem já está com a lavoura pronta.

Figura 3 – Excedente hídrico previsto para o período de 4 a 18 de fevereiro 

No MATOPIBA, por sua vez, as chuvas previstas no início de fevereiro devem garantir boa manutenção da umidade do solo, beneficiando o desenvolvimento das lavouras, com destaque para o oeste da Bahia, Tocantins e Piauí, onde os acumulados tendem a ficar acima da média.

 

Por outro lado, a partir de meados do mês, a tendência é de diminuição das chuvas na região e em outras áreas do país, elevando o nível de atenção também para o Centro-Sul, como o sul do Mato Grosso do Sul e parte da Região Sul. Esse cenário de menor precipitação pode intensificar a restrição hídrica já observada nessas áreas.

No Rio Grande do Sul, cerca de 15% das lavouras estão em fase de enchimento de grãos, e as condições de fevereiro serão decisivas para a produtividade. Nesse sentido, há possibilidade de alívio com a retomada das chuvas na segunda metade do mês no estado gaúcho. Já áreas de cultivos mais tardios do Paraná e de Santa Catarina ainda podem registrar perdas com o déficit de chuva esperado ao longo do mês

Figura 4 – Índice de desenvolvimento da soja para os próximos 15 dias em Cruz Alta (RS ) 

Figura 5 – Índice de desenvolvimento da soja para os próximos 15 dias em Marechal Cândido Rondon 

Fonte: Ampere Consultoria

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