Clima nos EUA traz alertas ao produtor americano, mas ainda não impacta soja e milho em Chicago

Publicado em 23/04/2026 15:26
Atenção, porém, às chuvas fortes esperadas para os próximos dias; CBOT fecha estável nesta 5ª

O Drought Monitor, ou Monitor de Secas, que atualiza as condições nos Estados Unidos atualizou suas informações nesta quinta-feira (23) mostrando que houve certa piora nas áreas de soja e milho sofrendo com alguma escala de seca no país em uma semana. Todavia, as imagens deixam bastante evidente que, até este momento, a maior parte das regiões produtoras que sofrem são com condições de seca moderada.  Os primeiros mapas mostram a diferença de uma semana para outra no cenário nacional, e as alterações são quase imperceptíveis. 

"Na semana encerrada em 21/04, foram identificadas pioras de uma classe de seca no extremo sul de Indiana, norte do Nebraska, centro e oeste do Kansas, Panhandle de Oklahoma e Texas, norte de Luisiana, leste do Arkansas e em grande parte do Kentucky e do Tennessee. Melhoras de uma classe de seca ocorreram no norte de Minnesota, noroeste de Wisconsin, sul de Iowa, sudeste do Nebraska e Kansas, centro e sul de Illinois, centro-norte de Indiana, noroeste de Ohio, sul e regiões do norte do
Missouri, noroeste do Arkansas, centro e leste de Oklahoma e em regiões pontuais em todo o Texas", informou o Grupo Labhoro, na compilação dos dados da ferramenta.

E com isso, o Drought Monitora aponta, portanto, que há cerca de 30% da área de soja sob condições de seca, contra 29% da semana anterior. O mapa abaixo mostra, no espaço colorido em vermelho, as áreas que sofrem com a a seca e as em verde escuro, as maiores áreas de produção da oleaginosa no país. Assim, é possível observar que as regiões-chave de soja norte-americanas, até agora, não sofrem grandes ameaças com a seca. 

O mesmo se registra para o milho, que tem 27% de área de produção sob alguma condição de seca, contra 26% da semana anterior. 

Assim, em um ambiente de clima muito favorável, os EUA têm um início de safra excepcional, como relata o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira. "Tivemos um inverno que se prolongou um pouco mais, o que é favorável para os EUA, já que grande parte da reposição hídrica do início de safra dos EUA vem do derretimento da neve sobre os campos norte-americanos". 

Com isso, os trabalhos de plantio da soja nos EUA já se mostram bem acima do ritmo normal e médio para esta época do ano, milho dentro da normalidade e boas perspectivas até este momento. No entanto, Pereira lembra ainda que permanece no horizonte dos traders e, principalmente dos produtores americanos, a possibilidade crescente de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno, porém, até que se estabeleça a traga efeitos práticos às safras, fica apenas sendo monitorado de perto pelos especialistas. 

CLIMA x PREÇOS 

Assim, ao menos por enquanto, o impacto do clima no Corn Belt ainda exerce impacto limitado sobre os preços na Bolsa de Chicago, em especial soja e milho. O início acelerado do plantio, principalmente da oleaginosa, surpreendeu o mercado e, por isso, o ambiente é monitorado tão de perto agora. 

Além do mais, as previsões mais atualizadas sinalizam a chegada de chuvas fortes no centro-sul dos EUA nos próximos dias. Para o período de 24 de abril a 1º de maio, os mapas mostram volumes intensos sendo esperados para estados como Iowa, Illinois, Indiana, Missouri, Kansas, Nebraska, entre outros, coloridos em roxo, vermelho e laranja, como mostra o mapa abaixo. 

Previsão de chuvas para 7 dias nos EUA - Mapa: NOAA

As precipitações, segundo informam os institutos de meteorologia, podem vir acompanhadas mais intercorrências. 

"O National Weather Service alertou para um sistema intenso que trará condições climáticas significativas nas regiões das Planícies e do Meio Oeste, incluindo tempestades severas, inundações repentinas, incêndios e ocorrência de neve. Tempestades são esperadas do alto Meio Oeste até as Planícies centrais e do sul, com risco de ventos fortes, granizo de grande porte e tornados isolados. O sistema avançará para leste na sexta feira, atingindo a região dos Grandes Lagos e o Vale do Mississippi. Pode ocorrer neve leve nas Planícies do norte. Ventos fortes e condições secas aumentam o risco de incêndios nas Planícies centrais e do sul", traz o Grupo Labhoro.

Confirmadas, as condições poderiam trazer algum efeito sobre as cotações no mercado futuro norte-americano, uma vez que poderiam comprometer o ritmo dos trabalhos de campo tanto da soja, quanto do milho. Até lá, a cautela permanece e, nesta quinta-feira, os futuros de ambas as culturas negociados na CBOT terminaram o dia com variações tímidas. A soja fechou o pregão caindo de 1,75 a 3,75 pontos, enquanto o milho subiu de 1,50 a 2 pontos. O contrato julho na soja fechou com US$ 11,74 e, no milho, em US$ 4,64 por bushel. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Inmet: Chuvas irregulares e altas temperaturas impactam o desenvolvimento do milho segunda safra no Centro-Oeste
Clima nos EUA traz alertas ao produtor americano, mas ainda não impacta soja e milho em Chicago
Tempo seco em área central do Brasil ameaça milho tardio, mas favorece colheita de cana
Chuva no Norte e alerta de tempestades no Sul
Nottus aponta tendência de chuvas irregulares e impactos nos reservatórios do país
Previsão do tempo: chuva forte no Norte e calor intenso no Centro-Sul 23/04/2026