Açúcar sobe em NY com preocupações sobre impacto do El Niño na oferta global
As cotações do açúcar encerraram esta quinta-feira (21) em alta nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos avançaram mais de 1%, enquanto Londres também fechou no campo positivo, com cotação sustentada pelas crescentes preocupações do mercado com os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global da commodity.
No pregão de Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto fechou cotado a 14,90 cents por libra-peso, avanço de 17 pontos, equivalente a alta de 1,15%.
Na bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou negociado a US$ 445,00 por tonelada, com valorização de 400 pontos, ou alta de 0,91%.
El Niño segue no radar do mercado
O mercado do açúcar continua repercutindo as novas projeções globais divulgadas pela Organização Internacional do Açúcar (OIA) e pela corretora Czarnikow.
A OIA elevou sua estimativa de superávit global para a safra 2025/26, projetando produção recorde de 182 milhões de toneladas, volume 3,5% superior ao registrado na temporada anterior. O excedente global foi revisado para 2,2 milhões de toneladas, revertendo o déficit observado em 2024/25.
Para a safra 2026/27, porém, a entidade prevê um cenário mais apertado. Segundo a organização, a produção global deverá recuar 1,15%, para 180 milhões de toneladas, enquanto o mercado poderá registrar déficit de aproximadamente 262 mil toneladas.
De acordo com a OIA, o possível fortalecimento do fenômeno El Niño representa risco relevante para a produção de açúcar em importantes exportadores asiáticos, como Índia e Tailândia.
Czarnikow projeta superávit moderado
A corretora Czarnikow, por sua vez, estima um superávit global moderado de 1,4 milhão de toneladas na safra 2026/27, sustentado principalmente pelo aumento da produção chinesa.
Ainda assim, a companhia alertou que esse excedente pode desaparecer diante de eventuais perdas climáticas ou de um maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.
A empresa também elevou sua projeção de superávit para 2025/26 para 6,8 milhões de toneladas, apoiada pela maior produção na China e na União Europeia.
Segundo analistas, o crescimento mais lento da demanda global, pressionado por preocupações com saúde e pelos impactos da inflação sobre o consumo de alimentos, segue limitando uma recuperação mais consistente dos preços internacionais do açúcar.