Açúcar recua em NY e Londres, mas mercado segue atento aos riscos do El Niño
As cotações do açúcar voltaram a registrar queda nesta sexta-feira (22) nas principais bolsas internacionais, após os ganhos observados na sessão anterior. O mercado segue atento às preocupações climáticas relacionadas ao possível fortalecimento do fenômeno El Niño.
Em Nova Iorque, o contrato julho do açúcar bruto recuava 25 pontos por volta das 11h30 (horário de Brasília), negociado a 14,65 cents por libra-peso. O contrato outubro também operava em baixa.
As cotações de Londres seguiram a mesma direção. O contrato agosto do açúcar branco registrava queda de 480 pontos, cotado a US$ 440,20 por tonelada. O vencimento outubro recuava 490 pontos, também negociado a US$ 440,20 por tonelada.
Na véspera, os preços haviam avançado diante das crescentes preocupações de que a seca associada ao El Niño possa comprometer a produção global de açúcar nos próximos meses.
El Niño segue no radar do mercado
O mercado continua monitorando os impactos climáticos sobre importantes regiões produtoras. Segundo a Administração Nacional Oceânica e
Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade de formação das condições de El Niño entre maio e julho, com persistência até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um “Super El Niño”.
O fenômeno climático costuma reduzir o regime de chuvas em importantes produtores globais, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a produtividade agrícola e para a oferta global da commodity.
Além disso, operadores acompanham preocupações relacionadas à produção da União Europeia, terceiro maior produtor mundial de açúcar. Negociantes avaliam que a produção europeia pode cair entre 8% e 10% na próxima temporada em função da redução das áreas plantadas. Também há apreensão em relação às condições climáticas adversas nos Estados Unidos.
Energia e etanol seguem sustentando os preços
Apesar da queda desta sexta-feira, o mercado segue avaliando um cenário estruturalmente mais apertado para a próxima safra global.
As preocupações envolvendo o El Niño se somam ao risco de manutenção dos preços elevados da energia, fator que pode estimular usinas brasileiras e de outros países produtores a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol em detrimento do açúcar.
Esse movimento tende a reduzir a disponibilidade global da commodity e continua oferecendo sustentação aos preços internacionais, mesmo diante das oscilações recentes nas bolsas.