Nordeste enfrenta estiagem no interior enquanto chuva segue concentrada no litoral e extremo norte

Publicado em 01/06/2026 11:19
Matopiba e áreas do sertão continuam com escassez de precipitações; avanço do El Niño pode ampliar os desafios para os produtores nos próximos meses.

O início de junho mantém o contraste climático sobre o Nordeste brasileiro. Enquanto o litoral e parte do extremo norte da região seguem registrando episódios de chuva, o interior nordestino enfrenta um cenário de estiagem que já preocupa produtores rurais, especialmente nas áreas do Matopiba.

Segundo a meteorologista Estael Sias, maio foi marcado por precipitações muito abaixo da média em grande parte do interior da região.
"Praticamente não choveu na região do Matopiba durante o mês de maio. As estações meteorológicas mostram um cenário de pouca chuva ao longo de praticamente todo o mês."

Chuva continua irregular e mal distribuída

A previsão para esta semana não indica mudanças significativas. Os acumulados previstos são baixos, variando entre 2 e 5 milímetros em muitas áreas produtoras, volumes considerados insuficientes para reverter o déficit hídrico acumulado.

As chuvas mais expressivas permanecem concentradas no norte do Maranhão, Piauí e Ceará, influenciadas pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Em alguns pontos dessas áreas, os acumulados chegaram a variar entre 80 e 100 milímetros entre o fim de semana e o início desta semana. No entanto, a meteorologista destaca que essas precipitações são muito localizadas e pouco beneficiam as regiões agrícolas do interior.

Matopiba segue em alerta

As áreas produtoras do Matopiba, que engloba partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, continuam enfrentando falta de chuva.
Grande parte do interior da Bahia, além de áreas do sertão de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, permanece sob influência de uma massa de ar mais seca, limitando a formação de precipitações.

"Nas áreas produtoras, especialmente no Matopiba, a chuva não tem chegado de forma satisfatória. O cenário já é de estiagem em diversas localidades."

Paraíba exemplifica contraste climático

A Paraíba é um dos estados que melhor representam a diferença entre as condições do litoral e do interior.
Enquanto cidades próximas ao litoral e à Zona da Mata registraram acumulados entre 500 e 600 milímetros durante maio, municípios do agreste e do sertão enfrentaram uma realidade completamente diferente, marcada pela falta de chuva e agravamento da estiagem.

Essa situação levou o governo federal a reconhecer situação de emergência em municípios paraibanos afetados pela seca.
Frente fria leva nuvens, mas não chuva ao interior da Bahia

Nos últimos dias, produtores do oeste baiano relataram aumento da nebulosidade sem ocorrência de chuva. Segundo Estael, a situação é resultado da atuação de uma frente fria posicionada na altura da Bahia.

Embora o sistema tenha provocado chuvas significativas no litoral — incluindo acumulados entre 50 e 70 milímetros na região de Salvador durante o fim de semana — a umidade não conseguiu avançar para o interior.

"As nuvens chegaram ao interior da Bahia, mas a chuva não. A frente fria atuou principalmente no litoral e não conseguiu levar precipitações importantes para as áreas produtoras."

El Niño aumenta preocupação para o segundo semestre

O avanço do El Niño é outro fator que preocupa os produtores do Nordeste. Após um período influenciado pela La Niña, que favoreceu chuvas mais frequentes em diversas áreas do interior, a tendência agora é oposta.

Segundo a meteorologista, o aquecimento do Pacífico deve dificultar ainda mais a chegada das chuvas ao interior nordestino ao longo do segundo semestre.

"O produtor que comemorou um ano de La Niña com mais chuva agora encontrará um cenário oposto. O El Niño reduz as precipitações no interior do Nordeste e também no Matopiba."

A expectativa para os próximos dias permanece desfavorável para grande parte das áreas agrícolas do interior nordestino. Sem previsão de volumes expressivos de chuva, a atenção dos produtores segue voltada para o monitoramento das condições climáticas e para os impactos que o fortalecimento do El Niño poderá trazer ao longo do segundo semestre.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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