Açúcar cai para novas mínimas em Nova York, mas avança em Londres nesta quinta-feira
Os preços do açúcar operam em direções opostas nas principais bolsas internacionais nesta quinta-feira (11). Enquanto os contratos em Nova York ampliam as perdas e renovam mínimas recentes, as cotações do açúcar branco em Londres registram recuperação.
Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto em Nova York era negociado a 13,80 cents por libra-peso, com queda de 12 pontos. O vencimento outubro recuava 7 pontos, para 14,32 cents por libra-peso.
Na Bolsa de Londres, o movimento era inverso. O contrato agosto do açúcar branco avançava 300 pontos, cotado a US$ 446,90 por tonelada, enquanto o contrato outubro subia 300 pontos, para US$ 440,70 por tonelada.
Oferta global continua pressionando o mercado
Apesar da recuperação observada em Londres, os fundamentos de oferta seguem limitando avanços mais consistentes das cotações.
Na véspera, os preços do açúcar encerraram o pregão em baixa nas principais bolsas internacionais. Em Nova York, os contratos atingiram os menores níveis em seis semanas, refletindo a percepção de ampla disponibilidade da commodity no mercado global.
Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O resultado foi favorecido pelo aumento da qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Outro fator de pressão continua vindo da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado.
Petróleo oferece suporte às cotações
Parte das perdas do mercado tem sido limitada pela valorização do petróleo. Na sessão anterior, o contrato WTI avançou mais de 3%, fortalecendo a competitividade do etanol.
Com preços mais elevados para os combustíveis, cresce a possibilidade de as usinas destinarem uma parcela maior da cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta potencial de açúcar e oferecendo sustentação às cotações.
Mercado físico segue lento
No mercado brasileiro, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) continua observando negociações moderadas para o açúcar cristal.
Segundo os pesquisadores, a oferta abundante no início da safra mantém os preços enfraquecidos e dificulta movimentos de recuperação mais expressivos.
Na última sexta-feira (5), o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal fechou em R$ 93,24 por saca, praticamente estável em relação à semana anterior.