El Niño reforça estiagem e calor no Norte, elevando alerta para produtores rurais

Publicado em 12/06/2026 10:36
Com o início do período seco, chuva perde força em áreas produtoras do Pará, Tocantins, Rondônia e Acre. Temperaturas podem alcançar 38°C e escassez hídrica preocupa agropecuária nos próximos meses

O avanço do período seco sobre a Região Norte acende um sinal de alerta para produtores rurais. A previsão indica redução significativa das chuvas nos próximos dias, especialmente em Tocantins, sul do Pará, Rondônia e Acre, enquanto o calor ganha intensidade e pode agravar os impactos da estiagem sobre lavouras e pastagens.

Segundo a meteorologista Estael Sias, a tendência é de que a chuva fique cada vez mais irregular e mal distribuída, cenário típico do inverno climático na região, mas que deve ser intensificado pela atuação do El Niño.

"A mensagem é de pouca chuva. Me arrisco a dizer que esse é o cenário que vai predominar nas próximas semanas e talvez meses na região", afirmou.

Os volumes previstos são baixos, em muitos casos entre apenas 2 e 8 milímetros, insuficientes para reverter o déficit hídrico. A especialista destaca que o momento exige planejamento por parte do setor agropecuário, principalmente nas áreas onde a atividade agrícola e pecuária é mais intensa.

"É hora de armazenar, na medida do possível, a água disponível, porque a partir de agora realmente começa um período mais seco. Sob influência do El Niño, essa característica será ainda mais forte", alertou.

Redução  das chuvas especialmente em Tocantins, sul do Pará, Rondônia e Acre

Além da escassez de chuva, o calor deve aumentar nos próximos dias. Tocantins aparece como a área mais crítica, com temperaturas entre 34°C e 38°C. O calor também se intensifica na metade sul do Pará e em Rondônia, onde diversas localidades devem registrar máximas acima dos 35°C.

De acordo com Estael, a combinação de temperaturas elevadas e falta de precipitação deve marcar presença por um longo período. "O calor está escalado, não tem reserva. Vai jogar até a exaustão nas próximas semanas nessa região do Norte do Brasil", destacou.

O cenário preocupa especialmente produtores de grãos, pecuaristas e gestores de recursos hídricos, já que a redução das chuvas pode afetar a disponibilidade de água para abastecimento animal, irrigação e manutenção dos reservatórios ao longo da estação seca.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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