Produtores da Bahia sofrem com estiagem e séria quebra de safra

Publicado em 23/08/2010 09:50 585 exibições
Este ano, a seca está mais severa na Bahia. Em Juazeiro, no norte do Estado, a chuva ficou bem abaixo da média esperada, dificultando a vida dos agricultores.
Quem mora no sertão sabe que essa é uma época de dificuldades por causa do período de estiagem. O produtor rural Gonçalo Vieira Ferreira perdeu a plantação de feijão e milho no distrito de Massaroca, em Juazeiro. Só restou a palma, que serve de alimentação para os animais. O produtor rural ainda complementa com ração. Mesmo assim, já perdeu um animal do rebanho.

“De 100, tem como escapar 20, 30, que é para já reproduzir para o futuro. A situação do campo aqui é difícil, mas já não temos outra alternativa”, explica Gonçalo.

Há três meses, o produtor rural Floro da Silva preparou a terra para plantar feijão, milho e melancia, mas choveu pouco.

“Tinha chovido pouco, eu digo, porque aqui só ara mesmo se der uma chuvinha, para amolecer um pouquinho. Não choveu mais, aí fiquei quieto. Agora vou esperar Deus mandar a chuva para eu plantar”, disse Floro.

A água que a produtora rural Ivone da Silva dá para os animais vem de um poço, distante 5 km de onde ela cria carneiros e ovelhas.

“A gente bota quatro vezes na semana, porque, se não tiver, as coitadas já estão morrendo de fome e morrem de sede também”, conta Ivone.

Das 266 cidades situadas no semi-árido baiano, 160 enfrentam anualmente um forte período de estiagem, segundo a Defesa Civil. São quase três milhões de pessoas vivendo nessa situação. Este ano, 82 municípios já decretaram estado de emergência por conta da seca.

A meteorologia confirma que este ano a seca no semi-árido da Bahia está mais severa. A média histórica é de 353 mm de chuva entre janeiro e julho. Em 2010, o acumulado até agora está em 219 mm, apenas 62% da média esperada para o período.

“O motivo é que em anos de ocorrência de El Niño, como foi 2010, nós temos uma redução dessas chuvas, ou seja, há uma sub-incidência do ar, o ar vem de cima, e vem seco. Ele não vai da superfície, não vai dos oceanos, e, consequemente, causa isso. Em síntese, em 46% dos anos em que ocorre o El Niño, também temos redução de chuvas no semi-árido nordestino”, afirma o meteorologista Mário Miranda.

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Fonte:
Globo Rural

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