Prejuízo com a seca: Escassez de chuvas leva à quebra de safra e ameaça inflação em vários estados

Publicado em 13/09/2010 09:49
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O Pantanal Mato Grossense, conhecido pela bela paisagem, com abundância de água e vegetação, mudou. No interior paulista, por onde se espalham lavouras de cana-de-açúcar, laranja e café, o quadro não é diferente. Nos últimos meses a chuva escasseou efeito do fenômeno climático La Niña. Já se fala em quebra de safra e na possível pressão inflacionária para os próximos meses em algumas culturas.

É o caso da pecuária. Segundo a economista Amarilis Romano, da Tendências Consultoria, o prolongado período de entressafra no Centro-Oeste pode fazer com que os pecuaristas mantenham os animais confinados por mais tempo para que ganhem peso e sejam vendidos por um preço melhor. A oferta menor de animais pressiona o preço da arroba do boi gordo. "Ainda não é possível dizer se haverá uma catástrofe, mas vivemos um sinal de alerta. A luz amarela acendeu e o problema pode influenciar na alta da inflação", avalia.

Para José Vicente Ferraz, da consultoria Agra FNP, é possível que a estiagem prorrogue a entressafra do Centro-Oeste: "Se isso acontecer, não tem como não haver pressão inflacionária." Caio Silva Campos, presidente do Sindicato Rural de Poconé (a 110 km de Cuiabá), na região pantaneira, conta que mesmo os pecuaristas mais experientes foram surpreendidos com a estiagem deste ano. "Em alguns lugares as lagoas e açudes viraram um lamaçal. O gado vai procurar água, fica atolado no barro e pode até morrer", relata.

"Por enquanto, a maioria vai segurar o gado por mais tempo para que ele engorde. Sem pasto, há duas alternativas. Ou vendemos agora o gado e perdemos no peso menor do animal, ou gastamos mais para vender mais adiante", lamenta Campos. Superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari diz que a atual estiagem é uma das piores vistas na região. "Em alguns lugares do Estado não chove desde abril. A seca começou mais cedo e está mais intensa. Se continuar assim deve levar pelo menos mais um a dois meses até que os animais recuperem o peso.

Citricultura sofre perdas

Se a pecuária vive sob ameaça, na citricultura o problema já chegou. Os citricultores estão em época de colheita e apontam para uma perda na produtividade que vai de 20% a 30%. É o resultado da falta de chuva no interior paulista, que concentra boa parte da produção nacional.

"Pelos meus cálculos a quebra de safra vai chegar a 30%, levando em consideração os prejuízos com a estiagem e os problemas com doenças nos pomares", conta Marco Antonio dos Santos, produtor de Taquaritinga, região de Ribeirão Preto (SP). A falta d'água diminui a quantidade de suco da laranja. Ela fica murcha e, em muitos casos, não tem força para se aguentar no pé. Como a laranja está mirrada, o produtor tem de colocar 20% a mais de frutas para completar a caixa de 40 quilos, vendida à indústria processadora.

Além de comprometer parte da safra deste ano, a estiagem pode causar prejuízo para a colheita do ano que vem. Isso porque nesta época os pomares paulistas começam a ter as primeiras floradas. Sem chuva, a flor não tem força para se desenvolver e virar fruto. A esperança está na melhora do tempo nas próximas semanas, que beneficiaria as duas próximas floradas.

Para Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), é inevitável que a safra do próximo ano carregue algum efeito negativo de 2010. "Se as flores dos pomares brotarem em um período mais seco, vão se desenvolver menos", explica. Segundo ele, um dos prováveis efeitos tanto para esta safra quanto para a próxima, como resultado da colheita menor, será o aumento de preço da fruta.

A Cutrale, maior indústria de laranja do País, já processou pouco mais de 30% das frutas desta safra, diz o diretor corporativo Carlos Viacava.

Saiba Mais

O resultado da estiagem, segundo a direção da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), é uma quebra de safra.

A estimativa da entidade era de uma safra de 620 mil toneladas de cana colhida na safra 20102011. O número foi revisado para 570 mil toneladas queda de 8%.

Para completar o quadro, produtores de São Paulo tiveram de interromper a queimada nos canaviais. A Cetesb restringiu a queima da palha em alguns regiões como resultado da baixa umidade relativa do ar. Houve caso de usina que ficou sem cana para moer.
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Fonte: Jornal de Brasília

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