Falta de chuva no Paraná deixa a safra no limite do risco

Publicado em 21/09/2010 07:54
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Seca reduz janela de plantio do milho, que deve perder mais área para a soja. Oleaginosa exige maior cuidado com as variedades precoces.
Com regiões há quase 50 dias sem chuva, o Paraná começa a entrar no limite do risco para implantação das lavouras de verão. A soja ainda pode esperar um pouco mais, uma vez que a melhor época de plantio, conforme zoneamento agroclimático da cultura, tem início em 1.º de outubro. O mesmo não ocorre com o milho, que na maior parte do estado é semeado entre a segunda quinzena de setembro e a primeira de outubro. No ciclo atual, perto de 5% da área destinada ao milho foram plantados, contra 28% em igual período do no passado. A diferença está no regime de chuvas, com a incidência do El Niño em 2009 e do La Niña em 2010, fenômenos que resultam em maior e menor precipitação, respectivamente.

Sem condições de aproveitar a melhor época de plantio, restam ao produtor de milho duas alternativas: plantar na poeira ou então rever a decisão inicial e fazer uma opção maior pela soja. A primeira opção vem carregada de risco. Há previsão do retorno das chuvas no final de setembro e início de outubro. Mas não existe garantia de que a precipitação chegue na intensidade necessária para garantir a germinação. A segunda escolha não deixa de ser arriscada, mas com a vantagem de que é possível esperar um pouco mais pelas chuvas. Nesse caso, o impacto imediato é de um corte ainda maior na área de milho. A previsão inicial era que a extensão destinada ao cereal na temorada 2010/11 no estado fosse 15% menor, de 900 mil para 762 mil hectares.

A redução no milho deve incrementar a área de soja. A previsão inicial era de um aumento de 3% na extensão da oleaginosa, que agora pode crescer até 5% em relação ao período anterior. Em 2009/10, a soja ocupou 4,47 milhões de hectares no Paraná e produziu próximo de 14 milhões de toneladas, conforme levantameto da Expedição Safra Gazeta do Povo RPC.

Otmar Hübner, do Depar­tamento de Economia Rural (Dereal) da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), explica que o atraso provoca um efeito cascata no ciclo de outras culturas, como é o caso do feijão, que em algums regiões do estado vem depois do milho. Além disso, o plantio fora da recomendação também pode comprometer o potencial de rendimento do cereal. No caso da soja, a preocupação é com as varidades precoces, mais suscetíves à falta de umidade.

Para tentar amenizar o impacto das adversidades, segundo Hübner, o segredo é escalonar o plantio, usar diferentes variedades e, consequentemente, diversificar os ciclos. Por conta das peculiaridades de cada região, ele também recomenda aos produtores seguirem as orientações da assistência técnica regional.

Chuvas

Em setembro, em nenhuma região do estado choveu mais de 10 milímetros, conforme os dados meteorológicos. Tem lugar do Paraná onde não chove há quase dois meses. No Su­­doeste, por exemplo, quem ar­­riscou a jogar a semente de milho na poeira será obrigado a replantar. Agora, avaliam os técnicos, com esse longo período de estiagem, para as plantadeiras entrarem no campo com segurança, será preciso no mínimo 40 mm de precipitação.

De acordo com o Simepar, o volume de chuvas tende a ficar abaixo do normal até dezembro. O setor terá de aproveitar momentos de solo úmido para semear a safra de verão.

O tempo seco, porém, favorece os produtores de trigo, que estão adiantando a colheita metade das lavouras já foi colhida. Por outro lado, há relatos de perdas nas plantações tardias, concentradas nas regiões Centro, Campos Gerais e Sul do estado.
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Fonte: Gazeta do Povo

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