“Chuvinhas” ainda não permitem plantio em MT

Publicado em 07/10/2010 07:53
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Poucos produtores arriscaram plantio e correm risco de perder as sementes.
As chuvas irregulares e de pequena intensidade que caíram sobre Mato Grosso nos últimos dias ainda não permitem o plantio em larga escala de soja em Mato Grosso. Poucos produtores se arriscaram até agora a plantar soja no Estado e correm o risco de perder as sementes.

As condições climáticas ainda não permitem o plantio. Tivemos chuvinhas intercaladas que, somadas, não chegam a 60 mm. É muito pouco e quem iniciar o plantio pode ter prejuízos, diz o presidente do Sindicato Rural de Tapurah (433 Km ao Médio Norte de Cuiabá), Marusan Ferreira. Lembrou que em 2009, nesta mesma época do ano, os produtores já tinham semeado 15% da área do município. Ele diz ter informações de que apenas um produtor da região começou a plantar soja. O município deverá repetir a área plantada do ano passado, 125 mil hectares.

O engenheiro agrônomo da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, explica que a hora certa de semear é aquela indicada pelo zoneamento agroclimático da região. "Cada espécie tem sua melhor época de plantio já definida pela pesquisa agropecuária e é indicada pelo serviço de zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa".

Os pesquisadores acreditam que a maioria das regiões continuará com o plantio atrasado em função das chuvas tardias durante a primavera. O produtor deve fazer um bom planejamento da safra de soja, com um eficiente manejo do solo, escolha correta das cultivares, tratamento de sementes e uso correto de insumos. Todo cuidado é pouco neste momento em que se fazem previsões sombrias ante o La Niña, afirmam.

ORIENTAÇÕES - A preocupação com o fenômeno La Niña é tão grande que o Mapa constituiu uma comissão de cientistas para orientar os produtores sobre mudança de época para plantio das safras futuras, principalmente de alimentos como soja, milho, arroz e feijão. A intenção é evitar perdas causadas pelas condições climáticas, em especial a falta de chuvas para as culturas mais dependentes de umidade.

Em texto publicado no Sistema de Alerta, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) orientam produtores a reduzir perdas em soja, em decorrência desse fenômeno climático. O texto reúne algumas orientações técnicas como definição de época de semeadura de soja, escolha de cultivares, manejo de pragas e doenças, além dos benefícios do tratamento de sementes com fungicidas.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Soja, Divânia de Lima, para minimizar os riscos de perda de produtividade os produtores podem adotar práticas como o escalonamento de épocas de semeadura, aliada a utilização de cultivares de diferentes ciclos de maturação.

Não se pode plantar toda a área num determinado período de um, dois ou três dias. É procurar fazer este plantio num intervalo entre oito e dez dias e utilizar, sempre que possível, cultivares de ciclos diferentes. São materiais de ciclo precoce, semiprecoce e até de ciclo médio, explica.

De acordo com o agrônomo Gustavo Schnaider, escalonar a plantação ajuda o produtor a fugir da estiagem. "O produtor que adotou o escalonamento tende a sofrer menos problemas do que aquele que plantou tudo de uma vez". Escalonar é plantar uma determinada cultura em diversas épocas. Caso haja algum problema, o próximo plantio vai reduzir os prejuízos anteriores, diz.

Na opinião da pesquisadora Divânia de Lima, utilizando essas práticas o produtor terá num mesmo período lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento, evitando assim que o déficit hídrico atinja toda a lavoura em fases críticas de desenvolvimento, como por exemplo, no enchimento de grãos.
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Fonte: Diário de Cuiabá

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