Aumenta volume de água nos rios do Pantanal no fim de semana

Publicado em 28/03/2011 08:21 344 exibições
O prejuízo dos criadores pode passar dos R$ 190 milhões. Em algumas propriedades pantaneiras, nem de avião é possível chegar.
A cheia no Pantanal piorou no fim de semana. O volume de água nos rios aumentou devido às chuvas constantes. O prejuízo dos criadores pode passar dos R$ 190 milhões.

O acesso à maioria das propriedades pantaneiras está difícil, em algumas nem de avião é possível chegar. As pistas foram encobertas pela água. Pedro Lacerda ainda consegue ter acesso à fazenda, mas não teve tempo de retirar todo o gado. Hoje, a maior preocupação é salvar os animais. “São perdas substanciais, mas com a aproximação do inverno, acreditamos que nossa perda será muito maior”, disse o criador.

A água do Rio Paraguai, o principal do Pantanal de Mato Grosso do Sul, continua subindo. A Embrapa estima que o pico da cheia na região deva acontecer na segunda quinzena de maio e inundar ainda mais as propriedades. Mais de 100 dos 130 quilômetros da Estrada Parque, uma importante rota turística que corta o Pantanal e dá acesso aos produtores da região, foi interditada porque não oferece condições de tráfego.

Ao longo da via é possível ver animais mortos e outros tentando fugir das cheias. A água passa com força. Até a balsa, única forma dos produtores atravessarem o rio para chegar às fazendas, parou de operar.

A Embrapa elaborou um relatório e estimou em mais de R$ 190 milhões os prejuízos só da pecuária de seis municípios da região pantaneira. Isso sem contar os custos com transporte dos animais e com estrutura das propriedades, que foram bastante afetadas. A cheia também trouxe consequências ambientais.

A decoada, fenômeno natural que mata milhares de peixes todos os anos, chegou mais cedo e em maior intensidade. Ela deixa a água do rio mais escura em consequência da decomposição de material orgânico trazido dos campos para o rio. Isso aumenta o nível de gás carbônico na água e os peixes têm de buscar a superfície para encontrar oxigênio. “A gente observou que é uma decoada forte porque tem muita raia na superfície e tem bastante peixe morto”, explicou Márcia Oliveira, bióloga da Embrapa Pantanal.

O fenômeno interfere muito na vida dos pescadores, que já começaram a ter dificuldade para tirar o sustento da água.

Emiko Resende, bióloga e chefe geral da Embrapa Pantanal, explicou que a água ainda deve chegar à parte norte, onde a cheia demora a alcançar. Isso deve acontecer no início de maio.

"A cheia de agora foi provocada pelas chuvas intensas e contínuas que estão ocorrendo na região desde meados de janeiro. Como não deu tempo do escoamento desta água, a previsão é que a cheia do Pantanal aumente ainda mais".

O nível do Pantanal é monitorado por réguas, que servem como um alerta, e funcionaram perfeitamente, segundo explicou Emiko. O que ninguém conseguiu prever foi que choveria tudo de uma vez só. A régua de Corumbá ainda deve registrar valores mais altos por causa dessa água que vem chegando à parte norte. Sobre os impactos, a partir de agora, a situação é preocupante, todos os pecuaristas que tiverem gado na região do Rio Paraguai devem retirar, pois eles devem ser afetados, alertou a bióloga.

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Globo Rural

1 comentário

  • Waldir Sversutti Maringá - PR

    Sei que os pecuaristas do Pantanal irão rir da minha sugestão, mas o gado que está em apuros, não iriam me gozar.

    Deveria fazer parte do valor patrimonial das fazenda, a construção de uma elevação em forma de plataforma, de m/m 2 a 3 metros, suficiente para confinar o gado de cada fazenda néssas ocasiões, tantos quantos m2 fossem recomendáveis para seu rebanho, até com instalações para fornecimento de rações e volumosos de outros locais.

    Outra forma seria se precaverem em anos do LA NIÑA, transferindo todo o gado para uma propriedade próxima, por menor que fosse, antes do seu início.

    Os custos disso, não seriam nem 10% do que os prejuízos com as enchentes.

    Lembro que não sou pecuarista, mas acho que a aflição do proprietário diante dessa situação valeria a pena um pouco de investrimento nessa prevenção q recomendo agora, sem medo de ser gozado por nenhum pecuarista.

    Waldir Sversutti

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