Chuvas no Centro-Oeste favorecem sementeiros do PR

Publicado em 26/07/2011 09:20 374 exibições
Após quebra em pólos de produção do Cerrado, indústria prevê realinhamento do fluxo de comercialização, mas garante oferta para a próxima safra de verão.
O excesso de chuva durante colheita da última safra, que prejudicou o resultado da produção brasileira de soja, deve deixar marcas na temporada 2011/12. A Asso­­ciação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) garante haverá oferta suficiente para atender à demanda, mas admite que agricultores de regiões que tiveram problemas com o clima no início do ano podem ter dificuldade para encontrar variedades específicas.

O presidente da associação, Narciso Barison Neto, informa que o levantamento ainda não foi concluído, mas que por enquanto não há indicação de que possa faltar de semente para o plantio da soja, a partir de setembro. O que deve ocorrer, explica, é um realinhamento no fluxo de comercialização. Como os principais polos sementeiros da região Centro-Oeste do país tiveram sua produção reduzida pelas chuvas, estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul terão de buscar fornecedores alternativos para semear toda a área pretendida neste verão.

A notícia é ruim para o produtor do Cerrado, mas positiva para os sementeiros sulistas. Com oferta restrita no Centro-Oeste, Rio Grande do Sul e Paraná, tradicionais exportadores, podem conquistar novos clientes e ampliar suas vendas neste ano. O Paraná, sozinho, terá aproximadamente 40 mil toneladas de semente de soja disponíveis à exportação neste ano, estima Eugênio Bohatch diretor-executivo da Apasem, associação que reúne 78 sementeiros do estado.

Segundo a entidade, o Paraná produziu na última safra perto de 200 mil toneladas de sementes de soja, volume mais do que suficiente para abastecer a demanda interna do estado, estimada em 160 mil toneladas. O excedente seria suficiente para cobrir cerca de 1,1 milhão de hectares.

“Não existe risco de desabastecimento. Costumo dizer que mesmo se o Mato Grosso do Sul não produzisse nenhuma saca de semente ninguém deixaria de plantar”, reitera Carmélio Romano Roos, presidente da Aprossul, associação que representa os sementeiros sul-matogrossenses. Ele destaca que, em anos normais, o a produção estadual é suficiente para suprir cerca de um terço da demanda interna, proporção que deve recuar a 25% na temporada 2011/12.

“Pode até faltar alguns materiais, mas dá para substituir por outros tranquilamente”, ameniza o dirigente, lembrando que a maior parte safra de Mato Grosso do Sul é cultivada na metade de baixo do estado, que tem condições de solo e clima similares às dos estados sulistas, onde há excesso de oferta. A região Centro-Norte do estado, que geralmente é abastecida por empresas do Centro-Oeste, planta cerca de 450 mil hectares, o equivalente a um quarto da área de soja de Mato Grosso do Sul.

Situação mais complicada deve viver o vizinho do norte. Em Mato Grosso, a região de Alto Garças, onde está localizado o maior polo sementeiro do estado, cerca de 30% da produção foi perdida para as chuvas no último ciclo e os produtores podem ter que recorrer a variedades menos adaptados à região, o que pode comprometer o rendimento da próxima safra.

“Embora que as chuvas tenham atrapalhado bastante, o mercado de sementes sempre se ajusta. Muitos produtores não vão conseguir todas cultivares desejadas, nem por isso deixarão de semear suas lavouras. Cultivares menos adaptadas a sua micro região, ou então não resistentes a determinadas pragas, acabam sendo utilizadas”, conta Elton Hamer, presidente da Aprosmat, a associação que representa os produtores de sementes do estado.

Essa substituição, explica Hamer, é geralmente realizada com cultivares produzidas dentro próprio estado ou então na Bahia, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, de onde costumam vir entre 20% e 25% das sementes de soja cultivadas em Mato Grosso. A demanda total, calcula o dirigente, deve crescer neste ano, acompanhando a ampliação da área plantada, que tende a aumentar entre 3% e 4 % no ciclo 2011/12 devido à incorporação de áreas de pastagem.

“Antecipando a possibilidade de escassez de um ou outro material, os produtores, não só os matogrossenses, mas de todo o país, estão adiantando as compras”, revela Barison, da Abrasem, que também preside a Apassul, a associação que reúne os sementeiros do Rio Grande do Sul. Para isso, entretanto, precisaram desembolsar mais. Levantamento da Agrosecurity mostra que o preço da saca de semente de soja subiu 26,6% no primeiro semestre de 2011 ante o mesmo período do ano anterior. Segundo a consultoria, a alta reflete a menor disponibilidade de produto, e acompanha a elevação do preço do grão comercial, que avançou quase 30% na mesma base de comparação.

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Fonte:
Gazeta do Povo

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