Café: Cooperativas começam a relatar perdas com as geadas de sexta-feira

Publicado em 05/08/2011 13:22 e atualizado em 08/08/2011 19:19 1312 exibições
As geadas da última sexta-feira, dia 05, trouxeram prejuízos para cafeicultores do Sudeste. Em Espírito Santo do Pinhal (SP) a estimativa de perda é de 10% a 15% da safra, segundo a Coopinhal. Já na região de Franca, também no Estado de São Paulo,  A Cocapec rela perdas de apenas 1% da produção, que foi atingida pelo frio. No entanto, de acordo com o coordenador do departamento técnico da Cocapec, Roberto Maegawa, ainda não é possível mensurar danos maiores, pois os chumbinhos também podem ter sido queimados pelo frio.

Ainda em São Paulo, a região de Marília também registrou geada de capote na última sexta-feira. De acordo com o engenheiro agrônomo da Coopemar, Aurélio Giroto, não é possível fazer um balanço dos prejuízos para os cafeicultores da região, pois o botão floral ainda está se preparando para a abertura.

Mas em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas Gerais, os danos foram maiores em áreas de risco. Segundo a Cooparaíso, as áreas mais afetadas foram os municípios de Passos (com 5% das lavouras prejudicadas), São Tomás de Aquino (apenas pastagens), Jacuí (3%), Itamogi (7%), Bom Jesus da Penha (3%) e São Sebastião do Paraíso (2% da área cafeeira). 


Na região de Varginha/Três Pontas, lavouras com altitude de 870 a 950 metros também ficaram cobertas pela geada. O Estado mineiro é o maior produtor de café arábica no Brasil.

No Paraná, o prejuízo foi de 15% da safra, segundo a Cofercatu, atingindo principalmente os municípios de Porecatu, Centenário do Sul, Alvorada do Sul e Prado Ferreira.

Nesta segunda-feira, apesar das notícias de geadas em todo o Brasil e de dados que já sinalizam uma séria quebra na produção,  o café opera em forte  baixa tanto na BM&FBovespa quanto na Bolsa de Nova York. Por volta do meio-dia (horário de Brasília), o vencimento setembro/2011 era negociado a US$ 312,40 com baixa de -2,04%. De acordo com a Archer Consulting, o prejuízo com as geadas nessa safra pode tirar 1 milhão de sacas da produção brasileira.

A baixa registrada hoje é reflexo da preocupação com a economia mundial, principalmente nos EUA, onde o rebaixamento da taxa de crédito do país pode comprometer a demanda global por commodities, fator negativo para as cotações.

Ainda assim, apesar do nervosismo no mercado, os fundamentos permanecem positivos para os grãos e a expectativa é que os preços voltem a subir em um movimento inverso.


Cooparaiso estima queda de 44% da safra de café

AI Cooparaiso

A colheita de café na área de atuação da Cooparaiso está com rendimento no beneficiamento menor que o esperado. Além da bienalidade, os grãos ficaram comprometidos por fatores climáticos, o que prejudicou no desenvolvimento dos mesmos, ocasionado uma quebra de safra maior que a prevista.

O baixo índice de chuvas no mês de dezembro e o excesso em março fizeram com que a safra encolhesse (aumento da casca do café e diminuição do tamanho do grão), pois esse era o período de enchimento e maturação dos grãos.  De acordo com o Diretor de Operações, Rogério Araújo, hoje são necessários 600 litros de café em coco para fazer uma saca de 60 kg. A média do ano passado era de 480 a 500 litros para o mesmo peso.

Frustração

Na colheita do sítio São José, o cafeicultor Túlio Tubaldini pode comprovar a quebra de 25%. “Esperava 450 sacas neste ano, mas com a quebra não vai passar de 350”, diz o produtor.
Túlio fez os cálculos e garante: “a média histórica para se fazer uma saca de 60 kg girava em torno de 500 litros, neste ano são necessários 600 litros”, comenta. De acordo com o produtor essa quebra não prejudicará nos custos de produção se os preços continuarem elevados. “É necessário que os preços se mantenham no patamar de R$500, menos do que isso irá prejudicar nos custos”, afirma Tubaldini.

A frustração seria compensada na varreção, porém não foi bem como imaginava o cafeicultor. “Colhendo com máquina, sempre cai um pouco de café a mais no chão, a esperança era que na varreção pudéssemos ter mais café. Mas não foi o ocorrido. Os números continuaram os mesmos”.

Queda na região

Nos núcleos da Cooparaiso a quebra registrada pelos agrônomos gira em torno de 44%. “No município de Jacuí, embora tenhamos uma queda de 20%, a renda não está baixa, girando em torno de 49%. Mesmo assim muitos produtores tiveram perdas que podem ser significativas nesta safra”, explica Wellington Trevisan, gerente do núcleo de Jacuí.

Já na área de atuação da Cooparaiso os percentuais de renda tiveram índices menores. “Fazendo a relação dos cafés armazenados até o momento, a média foi de 44% de renda. Comparando com o ano passado, que foi de 48%, o fruto está mais cascudo e, por consequência disso, a massa do grão está menor, o que o torna mais miúdo”, ressalta o gerente de classificação da Cooparaiso, Daniel Pereira.

Quando se fala de quebra de safra, na mogiana paulista onde a cooperativa tem seu núcleo em Altinópolis, a queda está em índices maiores, conforme explicou o gerente Anderson André Silva. “Teremos 47% de quebra conforme nossa previsão em relação ao ano passado”, diz.

Safra de Qualidade

Apesar dos grãos estarem miúdos, a qualidade do café está relativamente melhor do que o ano passado, conforme afirma o diretor da Cooparaiso, Rogério Araújo.

De acordo com o gerente de classificação da cooperativa o produtor teve a oportunidade de realizar os procedimentos pós-colheita da melhor forma. “Devido a uma florada uniforme, e as boas condições de tempo durante a seca do café no terreiro, o cafeicultor pode manejar bem seus lotes obtendo assim uma melhor qualidade do seu produto”, conclui Daniel Pereira.


Lavouras de café em Varginha (MG) são atingidas por geadas

O município de Varginha (MG) também está sofrendo com as baixas temperaturas. Na madrugada de sexta-feira (5), as lavouras de café com altitude de 870 a 950 metros ficaram cobertas pela geada que também atingiu outras cidades do Estado mineiro.

As temperaturas devem continuar em baixa pelos próximos dias em Minas Gerais.  Em Varginha, a mínima para os próximos dias deve ficar em torno dos 11°C.

Vejas as fotos enviadas pela Minasul:

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Veja abaixo as fotos da região de Machado/MG:
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Por:
Ana Paula Pereira
Fonte:
Notícias Agrícolas

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