Maior parte do interior do Brasil está com o solo muito seco

Publicado em 16/09/2011 16:07 e atualizado em 21/09/2011 07:43 983 exibições
Por Aline Tochio
Hoje é sexta-feira e eu começo o boletim de hoje já falando da imagem de satélite, para mostrar a diminuição das nuvens e da umidade na região Centro-Oeste. Ontem ainda tínhamos muitas nuvens em parte de Goiás e de Mato Grosso, mas hoje a massa de ar seco já voltou a ganhar força sobre a maior parte da Região, e por isso é possível ver que as nuvens já diminuíram bastante. Ainda temos muitas nuvens se formando por toda a costa leste do Brasil. Isto porque a frente fria, que está na altura do litoral da Bahia, veio acompanhada de um forte sistema de alta pressão, como foi explicado ontem, indicado na imagem de satélite pela letra "A". As setas indicam o vento provocado por este sistema, que continua trazendo muita umidade para as áreas desde o leste de Santa Catarina até o leste de Minas Gerais.

É possível ver também nuvens bastante carregadas se formando no norte da Argentina, que estão avançando para o Uruguai e Rio Grande do Sul. Estas nuvens já estão associadas àquela nova frente fria que vai avançar a partir de amanhã pelo Estado gaúcho. Ela se adiantou um pouco mais do que estávamos esperando e hoje já provoca chuva no sul e oeste gaúchos.

Na imagem da chuva acumulada para os próximos cinco dias, dá para perceber que esta frente fria vai trazer muita chuva para o Rio Grande do Sul. Até a próxima quarta-feira, os acumulados de chuva podem passar de 100 milímetros no centro-norte do Estado, atingindo principalmente as áreas do noroeste. Esta chuva cai com forte intensidade em alguns momentos, e há risco de rajadas de vento. Conforme o sistema avança, também leva chuva para Santa Catarina e sul do Paraná, com acumulado entre 20 e 40 mm. Também tem chuva significativa nestes próximos 5 dias entre o oeste do Acre e o norte de Roraima, com até 50 milímetros acumulados. A as regiões de agreste e zona da mata do Nordeste ainda não recebem mais que 10 milímetros. O restante do País segue sem chuva.

No final do mês, outra frente fria vai avançar pela região Sul, trazendo mais chuva para as áreas gaúchas e para o oeste de Santa Catarina e do Paraná. Esta frente fria deve se formar entre os dias 26 e 27 de setembro, e mais uma vez traz chuva forte para o Rio Grande do Sul. O mapa de chuva acumulada na segunda pêntada (esquerda), que vai do dia 22 ao dia 26 de setembro, já mostra os grandes volumes que caem sobre as áreas gaúchas, mas só a partir do dia 26. E a partir do dia 27, esta frente fria avança pelo centro-sul do País. No último período desta quinzena (mapa da direita), os maiores volumes de chuva ainda são esperados para as áreas entre o norte gaúcho, o centro-sul do Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul, acumulando entre 20 e 40 mm nesses 5 dias. O nosso modelo meteorológico continua indicando um aumento da umidade no final de setembro e começo de outubro entre Minas e Mato Grosso. Nesse último período do mês, algumas pancadas de chuva já devem acontecer entre o Triângulo Mineiro e o centro-oeste mato-grossense, mas ainda sem volumes expressivos. Já o interior do Nordeste, o norte de Minas e de Goiás e as áreas entre Tocantins, sudeste do Pará e nordeste de Mato Grosso continuam sem chuva por enquanto.


Mesmo com essa chuva que está sendo esperada na região central do Brasil, ainda vai levar um tempo até que o solo fique molhado o suficiente para os próximos plantios. Hoje eu mostro a figura da água acumulada no solo, onde é possível observar uma grande disparidade pelo território brasileiro. O Sul do Brasil está com o solo já bastante úmido, e isso vai acabar sendo um problema com esses duas frentes frias entrando ainda neste mês. Com este solo encharcado, ele não consegue absorver toda a água da chuva, que vai acabar se acumulando nas ruas e formando alagamentos. Além disso, os rios também podem não comportar a chuva, por já estarem com nível elevado.

Por outro lado, a maior parte do interior do Brasil está com o solo muito seco. A situação mais crítica é das áreas entre Tocantins, oeste da Bahia e centro-sul do Maranhão e do Piauí. Além da umidade do solo estar abaixo de 30%, a chuva ainda vai demorar um pouco pra cair. E não pode ser qualquer chuva, tem que ser chuva volumosa e freqüente, que só deve vir a partir do dia 10 de outubro.

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ClimaTempo

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