Sou Agro: Os pequenos também querem o novo Código Florestal

Publicado em 12/10/2011 08:15 573 exibições
Contag e Fetaesp, entre outras lideranças, manifestam apoio à aprovação da nova lei.
Em meio a muitas idas e vindas e discussões acaloradas, o projeto do novo Código Florestal parece que, aos poucos, vai chegando perto de um consenso ou ao menos próximo do que se pode chamar de um entendimento. Depois de passar pela Câmara dos Deputados, o projeto está atualmente no Senado e vem sendo debatido por várias comissões.

Ao mesmo tempo em que esse debate ocorre, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), juntamente com outras entidades e federações ligadas à agricultura familiar, discutem com os senadores algumas diferenciações em pontos específicos do texto.

Um dos pontos principais é a questão da distinção das Áreas de Preservação Permanente (APPs). “Queremos que haja uma redução na área de APPs nas pequenas propriedades. Não dá pra manter o mesmo tamanho para uma propriedade que tenha cinco hectares e outra que tenha cinco mil, é inviável”, diz Braz Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Estado de São Paulo (Fetaesp).

A Contag apresentou à Câmara, uma proposta de reforma do Código Florestal. Pouco tempo depois, um abaixo assinado com 116 mil assinaturas foi entregue aos deputados por representantes da Federaçao dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag – RS), manifestando apoio às propostas de reforma feitas pela Contag.

Em meados de setembro, as duas entidades, juntamente com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a Organização das Cooperativas no Rio Grande do Sul (Ocergs) e a Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Fecoagro) enviaram uma carta à presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, solicitando o seu empenho na aprovação da reforma na lei ambiental. “Somos favoráveis ao Código, mas queremos algumas mudanças para que a lei não prejudique a agricultura familiar”, diz Alberto Ercílio Broch, presidente da Contag.

Para Marcelino Sotocorno, produtor e presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Regente Feijó (SP), é preciso bom senso por parte dos parlamentares. “Se não houver distinção entre pequenas e grandes propriedades, a agricultura familiar sofrerá um golpe irreparável. Muitas propriedades desaparecerão”, diz.

Na opinião do produtor é perfeitamente possível conciliar preservação ambiental, sustentabilidade e produção. “Basta haver bom senso e disposição dos setores em chegar a um ponto de equilíbrio”, diz.

Outro ponto defendido pelos produtores é o pagamento por serviços ambientais. “O produtor presta um serviço à sociedade ao preservar o meio ambiente. Não é justo ele ficar com os custos disso e a sociedade usufruir”, diz Broch.

“Muitas pessoas que desconhecem a realidade do produtor rural são contra essas mudanças. Eles não fazem ideia dos desafios de gerir uma propriedade, fazê-la produzir com sustentabilidade e preservando o meio ambiente”, desabafa Albertini.

Mesmo com alguns ajustes a serem feitos, os representantes dos pequenos produtores estão otimistas sobre a aprovação do projeto do novo Código Florestal nos próximos meses. “Não haverá unanimidade, mas certamente teremos um texto próximo de um consenso. Acredito que seja aprovado ainda este ano”, diz Albertini. “Esperamos que ele seja aprovado o quanto antes, para que a situação do produtor possa ser definida”, afirma Sotocorno.
Fonte:
Sou Agro

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