Perder 24% da área produtiva para recuperar APP e Reserva Legal sairá caro para o Brasil, diz RedeAgro

Publicado em 21/11/2011 16:17 1055 exibições
Recuperar os déficits de Reserva Legal (RL) e Áreas de Proteção Permanente (APPs) ocupadas com agricultura em áreas produtivas pode custar caro para o Brasil e ser especialmente devastador para a economia de estados e municípios majoritariamente dependentes da atividade agrícola e florestal. A conclusão é do novo estudo produzido pelo coordenador da RedeAgro e diretor geral do ICONE, André Meloni Nassar e do procurador da Fazenda Nacional e autor dos livros Código Florestal Comentado, Curso de Direito Ambiental e Multa Ambiental, Luís Carlos da Silva Moraes,  no momento em que se discute o Código Florestal Brasileiro, cuja revisão tramita agora no Senado.

De acordo com a pesquisa, os 64,8 milhões de hectares a recompor com florestas equivalem a 24% da área total em produção no país. Além dos custos estimados para a execução do reflorestamento, que inclui o cultivo, plantio de mudas e cercamento das áreas, há a perda de arrecadação tributária e o encolhimento da renda agrícola em torno de 20,5%.

Segundo o texto, uma redução de 24% na área produtiva acarretará em um encolhimento de 20,5% - cerca de R$ 36,1 bilhões - na renda total gerada pelo setor agropecuário. Por indução, esta diminuição na renda seria responsável por um impacto adicional de R$ 91.9 bilhões nos demais setores da economia, totalizando uma redução de 3,4% no total produzido pelo Brasil em 2005. “Lembrando que o PIB brasileiro cresceu, em termos nominais, 70% de 2005 a 2010, se trazida para valores de 2010, a perda seria de R$ 218 bilhões”, afirma André Nassar.

Efeito dominó

Nassar e Moraes estimam ainda uma provável redução de consumo de mais de R$67,5 bilhões, resultado direto do impacto da perda da renda em setores diversos da economia. Em arrecadação de tributo, seriam 8,5% a menos, reduzindo a carga tributária de 33,83% do PIB para 30,93%. “Os efeitos da retirada desse nível de grandeza da economia têm reflexos inexoráveis, com redução de emprego e renda em toda a cadeia produtiva do agro e que tem a maior parte instalada nos centros urbanos”, diz o estudo. Para estados do chamado Brasil Central, fronteiras agrícolas responsáveis por boa parte da produção de alimentos e fibras do país, como Mato Grosso, Piauí, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, os efeitos da perda de área produtiva seriam devastadores, com redução significativa do PIB.

“Uma perda de produção agropecuária nas magnitudes estimadas levaria a um atraso econômico dessas regiões, aprofundando, ainda mais, as desigualdades já existentes no Brasil”, diz Nassar, para quem a recuperação de vegetação natural sobre área produtiva puniria com maior vigor aquelas regiões com maior dependência do setor primário, emperrando de vez o processo de diversificação da economia. “Esta conta não será paga apenas no campo. Mesmo nas cidades seus efeitos serão sentidos, na indústria, no comércio e na mesa do consumidor”, conclui.

Fonte:
RedeAgro

5 comentários

  • Emanuel Geraldo C. de Oliveira Imperatriz - MA

    > Quando o Lei ignora a Realidade, a Realidade se vinga ignorando a Lei. Esse codigo confiscando 80% do patrimonio do amazonida e obrigando o arranquio de lavouras para recompor APP não se transformará em realidade. Ainda mais lembrando que IMEDIATAMENTE apos a sansão da Dilma, os fiscais cairão em campo feito urubus na carniça cobrando e humilhando produtores a derrubar bananeiras para plantar floresta e isso sem dinheiro - perde renda e contrai debito. Acontecerá conflitos! Vão conseguir indiganar os brasilieros, finalmente!

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  • Giovanni Rezende Colinas do Tocantins - TO

    Sempre foiisso que nos pressionaram fazer. "Floresta e miséria lá, fazendas aqui". Só os ignorantes e políticos mal intencionados não vêem. Esse Código poderá destruir o que resta do Brasil. O PT do Lula e do Zé Dirceu, e o PSDB do Fernando Henrique já fizeram o trabalho inicial, agora estão querendo terminá-lo.

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  • julio cesar de mello migotto Posse - GO

    Este discurso de Codigo ambiental é para quem ganha dinheiro das ONGs , pois quem é brasileiro mesmo e defende o brasil é o trabalhador que não tem tempo disponivel para discutir sobre o tema, deverião estar discutindo aonde e quanto temos que abrir as areas; vivemos numa floresta, temos que fornecer comida para o mundo e temos condições e esta condição só nossa assusta norte americanos e comunidade Europeia dois imperios ruindo como tem que ser , isto faz parte da vida humana, ou então porque não se discuti um codigo nestes termos PLANETARIO. Dai em pergunto cade os politicos entendidos em meio ambiente isto tudo que esta sendo discutido e´hipocrezia pura

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  • jorge casarin Santo Ângelo - RS

    Não acredito em caus, tudo vai se resolver, seja no bom senso ou na marra ou se ajeita na boa ou os agricultores mostram a sua força, a união de todos derruba qualquer barreira. Esperem e verão. Nada de panico antes da hora.

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Eu não aprovo este exagero nos números, mesmo que os argumentos forem a nosso favor. Grãos ocupam 38 milhões de hectares no Brasil. Cana de Açúcar, mandioca, hortaliças, eucaliptos, pinus e outros reflorestamentos, além do café e toda fruticultura ocupam 19,5 milhões de hectares e a Pecuária ocupa 172 milhões de hectares, totalizando a Agropecuária 27% dos 851 milhões de hectares do Brasil, não obstante enormes áreas de APP estejam incluidas nestes cálculos, especialmente nas pastagens - muitas delas bastante degradadas. Portanto, isolar as APP e a Reserva Legal dentro destas áreas não representa aplicação de porcentagem sobre eles, há que descontar o que já existe!!! Completando a conta acima, 61% do Brasil estão em Matas Nativas e 12% são representados pelas zonas urbanas, estradas, ferrovias, canais, rios, lagos, lagoas, barragens e represas. Porque tanta pressão em cima dos agricultores?

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