Indústria prevê alta de 10% na venda de máquinas agrícolas em 2020

Publicado em 21/10/2020 13:38 e atualizado em 22/10/2020 09:41 289 exibições
O aumento se deve à retomada de investimentos do setor de grãos

Depois de um período de incertezas pela pandemia, a indústria de máquinas agrícolas do Brasil pode fechar o ano no azul, com alta de 5% a 10% nas vendas ao agricultor, puxada pela necessidade de renovação na frota de tratores e colheitadeiras, e pela retomada de investimentos do setor de grãos. É o que estima o vice-presidente da New Holland Agriculture para a América do Sul, Rafael Miotto, citando que há uma “recuperação consolidada” na venda direta aos agricultores.

Para as vendas a concessionárias, no entanto, o executivo vê um processo mais lento e um avanço mais modesto no desempenho anual, em torno de 5%. “Temos uma base de demanda e necessidade de renovar o parque de máquinas (para atualizar a tecnologia) e esse momento de remuneração muito boa, com a safra sendo vendida antecipadamente, e bons preços”, afirmou à Reuters.

Segundo ele, 2020 tinha potencial para ser um ano de recorde nas vendas de máquinas, considerando o cenário atual de preços das commodities, mas os impactos do coronavírus que ocorrem “fora da porteira” limitam a ampliação de investimentos. “A pandemia não afeta o produtor, mas afeta todo o entorno dele. Ele está sendo cuidadoso”, acrescentou.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que, entre janeiro e setembro, foram vendidas no mercado interno 33,28 mil unidades de máquinas agrícolas e rodoviárias, aumento de 0,9% ante mesmo período do ano anterior. Até o primeiro semestre, a comercialização recuava 1,3% na comparação com o intervalo equivalente de 2019, para 19,64 mil unidades, pressionada pelos meses de pico da covid-19.

Se por um lado a pandemia trouxe incertezas no primeiro semestre, por outro, o surto da doença impulsionou o dólar que, por sua vez, tornou as commodities agrícolas mais competitivas para exportação. Soma-se a isso uma forte demanda, principalmente da China por soja, e o agricultor disparou na comercialização antecipada -fator determinante para a reação no mercado de máquinas.

“Este cenário mostra que já temos potencial para crescimento no ano que vem. Temos que ter um pouco de cautela, mas minha opinião é de otimismo. Não consigo ver forma de não melhorar”, disse Miotto, sem arriscar um número para a projeção de alta em 2021. No Brasil, maior produtor e exportador de soja do mundo, as lavouras estão em fase de plantio, com mais da metade da produção esperada já comercializada. Em Mato Grosso, principal fornecedor do grão no país, as vendas chegam a 60%.

Instabilidade

Do ponto de vista de produção, os dados são menos animadores. Segundo a Anfavea, houve queda de 19,6% nos nove primeiros meses deste ano e a fabricação de máquinas agrícolas atingiu 33,18 mil unidades. No início de junho, o executivo da New Holland disse à Reuters que o setor passava por problemas com fornecimento de peças importadas e a alta do dólar levaria as companhias a aplicarem reajustes de portfólio.

Agora, Miotto afirmou que o fornecimento de peças “melhorou muito”, mas ainda existem alguns gargalos devido à segunda onda do novo coronavírus em alguns países. “Temos componentes suficientes para manter a capacidade máxima de produção das unidades, mas temos dificuldade para formar o mix de produção”, explicou, lembrando que parte das peças era trazida do exterior por via aérea, logística que se tornou muito mais escassa durante a pandemia.

Devido à tecnologia embarcada nas máquinas, a importação pode variar de 15% a 50% do custo de produção da indústria e, como a desvalorização do real continua pesando nesta conta. Por isso, ele não descarta novos reajustes no portfólio. “Houve aumento de preços, tivemos que repassar porque os custos foram muito grandes, isso ainda é uma preocupação para a cadeia”, admitiu.

“Podem vir novos repasses de custo sim, se continuar a tendência de valorização (do dólar) têm coisas que são inviáveis”, completou.

Fonte:
Agência Brasil

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1 comentário

  • elcio sakai vianópolis - GO

    É difícil de entender o serviço de reposição de algumas fabricantes de máquinas agrícolas..., outro dia fui numa concessionária de uma marca ver se tinha em estoque (um cabo que aciona o hidráulico de um trator), e, pra minha surpresa, além de não ter, a firma já não a comercializava mais, pois o trator já tinha passado de 10 anos de fabricação... Outro fato que aconteceu comigo durante a colheita de milho -- precisei comprar um braço que agita a peneira da colhedeira, e em todas as concessionárias de Goiás não tinha esta peça; fui encontra-la em Minas Gerais, mas precisei dirigir 700 km de distancia pra poder adquirir esta peça, fora os 700 km da volta (obs. colhedeira ano 2014)... Essas firmas quando falam que tem que repassar o custo do aumento das peças, nós produtores até entendemos, já que esta peça da colhedeira que pesa aproximadamente um kg de ferro fundido alcança um preço de dois salários mínimos. O que mais me chateia é que uma concessionaria que vende tratores, colhedeiras e outros implementos agrícolas só tem interesse em fazer a venda. Depois que vendem pelos altíssimos preços que nos produtores aceitamos pagar, na hora que precisamos de uma peça de reposição, em boa parte das vezes temos que esperar de 7 a 10 dia uteis até que esta peça seja fabricada e que chegue na revenda. A maior parte dessas grandes marcas tinham que ter um respeito maior com o consumidor..., se nós, produtores, somos os consumidores, no mínimo tinham que ter um estoque de peças nas concessionárias, já que o argumento de terem que repassar os reajustes da peças sempre foi válido, pois nunca existiu peça barata em concessionária.

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    • CESAR AUGUSTO SCHMITT Maringá - PR

      A questão aí é a seguinte: nós aceitamos isso!!!. Pagamos o que querem, vamos buscar peças longe, pois a urgencia nos obriga a isso.... Um absurdo uma maquina 2014 não ter peças de reposição de facil acesso. Culpa nossa, aceitamos passivamente. O colega não citou a marca nem a revenda que fez essa trambicagem. Devemos dar nomes aos bois. Eu não compro nenhum equipamento de uma empresa de Horizontina no RS, que é verde e que tem um viadinho como simbolo e cujas iniciais começam com J.D. Motivos s... o mesmo que o companheiro citou na mensagem.

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