Medidas emergenciais da Conab não atendem os suinocultores do Sul

Publicado em 28/03/2012 10:21 351 exibições
A Conab iniciou na semana passada a venda dos estoques públicos de milho via Valor de Escoamento de Produto (VEP) e venda balcão destinado aos produtores da região Sul. No entanto, após algumas reuniões com lideranças da Região Sul, percebemos que este milho ofertado não está chegando aos suinocultores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina ao preço de R$ 21 a saca. Os produtores continuam pagando o mesmo preço para o milho balcão da Conab – algo em torno de R$ 27.

A diferença de valores ocorre pela dificuldade de encontrar suinocultores que atendam às exigências do programa, que precisam estar inscritos no Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) para se beneficiar do milho oferecido pela Conab. Além disso, o produtor precisa estar em localidades onde tenha sido declarado estado de calamidade.

O problema para o suinocultor é que a Conab não atende à necessidade até mesmo para os pronafianos, seja por não estarem nos municípios declarados ou pela quantidade de milho por produtor não corresponder à quantidade necessária. Fora isso, precisamos que esse milho seja destinado também para os produtores que não são inscritos no Pronaf. O presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador, relatou:

“O milho que está sendo vendido pela Conab, a R$ 21 a saca, está indo todo para a avicultura e para a produção de leite. Nada vai para os nossos produtores”.

Cléo Barbiero, produtor da região de Sarandi (RS), reforça: “Nós estamos pagando de R$ 27 a R$ 28 numa saca, mais a taxa de carregamento e o frete para um milho padrão nível 2 e com micotoxina. Isso reflete fortemente no desempenho dos animais”.

Na semana passada, tivemos um encontro com o secretário de políticas agrícolas do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Caio Rocha, após a reunião com o ministro Mendes Ribeiro Filho. No encontro, reivindicamos a venda para todos os suinocultores cadastrados no programa em até 27 toneladas por mês, com o preço equiparado ao exercido para os produtores com a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), que é de R$ 21 a saca. O secretário compreendeu o problema e afirmou que irá tomar esta medida.

Enquanto as soluções não chegam, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) segue buscando junto ao governo novas medidas não emergenciais para solucionar a questão do abastecimento e volatilidade dos preços do milho. Já estamos trabalhando em assuntos como: diferentes opções de compra para o milho, linhas de financiamento para custeio do insumo com longos prazos e juros baixos, leilões direcionados para o produtor de suínos com base no seu plantel, entre outros.

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ABCS

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