China anuncia tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro por 5 anos

Publicado em 15/02/2019 07:53 e atualizado em 15/02/2019 18:16
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As 14 empresas que ficaram de fora da taxa extra representam em torno de 80% ds exportações brasileiras. Em nota divulgada há pouco (veja ao final), a ABPA manifesta preocupação, mas diz que enquanto estiver em vigor o Price Undertaking (acordo de preços), o antidumping fica suspenso. Ministério do Comércio do país asiático também anunciou que JBS, BRF e outras 12 empresas brasileiras ficarão de fora das medidas antidumping após assumirem 'compromisso de preço'

XANGAI - A China confirmou nesta sexta-feira, 15, a imposição de medidas antidumping sobre a importação de frango brasileiro. De acordo com anúncio do Ministério do Comércio local, os importadores do frango brasileiro deverão pagar tarifas de 17,8% a 32,4% a partir do próximo domingo, 17. A medida terá validade de cinco anos.

O governo chinês também informou que JBS, BRF e outras 12 empresas brasileiras que conseguiram um acordo com as autoridades locais após apresentarem um "compromisso de preço" não sofrerão a imposição das tarifas.

Além das gigantes nacionais do setor, ficarão de fora das novas taxas os produtos das seguintes companhias: Copacol, Consolata, Aurora Alimentos, Bello Alimentos, Lar, Coopavel, São Salvador Alimentos, Rivelli Alimentos, Gonçalves e Tortola, Copagril, e Vibra e Kaefer.

Leia a notícia na íntegra no site do Estadão

China isenta de taxas 14 empresas do Brasil que exportam carne de frango

LOGO REUTERS

Por Dominique Patton

PEQUIM (Reuters) - A China isentará 14 empresas brasileiras, incluindo a BRF e a JBS, das tarifas antidumping sobre as importações de produtos de frango, desde que as vendas sejam feitas acima de um preço mínimo não divulgado.

As isenções seguem-se a meses de negociações entre produtores brasileiros de carne de frango e a China, enquanto o Brasil buscava resolver uma questão antidumping lançada em agosto de 2017.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e o maior fornecedor estrangeiro para a China.

Uma determinação preliminar em junho do ano passado colocou impostos entre 18,8 e 38,4 por cento sobre todas as importações chinesas de frangos de corte brasileiros.

Sob uma decisão final emitida pelo Ministério do Comércio nesta sexta-feira, Pequim manterá tarifas entre 17,8 e 32,4 por cento a partir de 17 de fevereiro por cinco anos.

No entanto, uma lista de empresas será excluída das tarifas como parte de um "compromisso de preço" acordado entre os dois lados, e divulgado pela Reuters no mês passado. O acordo estabeleceu preços mínimos para as vendas para a China, mas esses não foram publicadas nesta sexta.

A decisão veio depois que os preços chineses da carne de frango atingiram níveis recordes de 11,2 iuanes (1,65 dólar) por kg no final do ano passado, devido ao aumento da oferta doméstica.

A China baniu as importações de aves reprodutoras de muitos fornecedores importantes por causa de surtos de gripe aviária, prejudicando a produção doméstica. O país é o segundo maior produtor e consumidor de frango do mundo.

A demanda por carne de frango também parece ter aumentado após os surtos de peste suína africana.

Apesar dos resultados preliminares da investigação antidumping, as exportações brasileiras de frango para a China devem apresentar alta de cerca de 10 por cento em 2018 em relação ao ano anterior.

Mas a concorrência está aumentando, com a China no ano passado abrindo seu mercado para as importações da Rússia e suspendendo uma proibição de anos sobre a Tailândia.

"Se o mercado cair e houver uma concorrência mais forte, alguns produtos de baixo preço não entrarão no mercado", disse uma fonte do setor familiarizada com os preços acordados.

A fonte recusou-se a ser identificada devido à sensibilidade do assunto.

O Brasil exporta principalmente pés, pernas e asas de frango para a China, produtos que estão com demanda em alta e escassos no mercado interno.

NOTA DA ABPA - Associação Brasileira e Proteína Animal

O Ministério do Comércio da China (MOFCOM) anunciou hoje a conclusão do acordo com as agroindústrias brasileiras de carne de frango, em relação à investigação de práticas de dumping, iniciada em agosto de 2017.

É importante esclarecer que, embora o governo chinês tenha divulgado a imposição de tarifas de direito antidumping, elas estão suspensas devido à celebração de um acordo de Price Undertaking (PU), firmado entre empresas do setor e as autoridades chinesas para a aplicação de direitos antidumping.

Ao mesmo tempo, a conclusão do PU não significa que o setor exportador de carne de frango do Brasil concorde com a determinação final do processo.

Conforme a ABPA tem defendido desde o início da investigação, não houve praticas de dumping e não há qualquer nexo causal entre as exportações de produtos avícolas do Brasil e eventuais situações mercadológicas locais.  As provas já foram apresentadas pelo setor produtivo do Brasil.

Ao mesmo tempo, a  Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)   e o Governo Brasileiro identificaram diversas violações no acordo internacional antidumping pela autoridade chinesa na análise de dano e nexo causal ao longo do processo.   O Conselho Diretivo da ABPA analisará a decisão chinesa e submeterá suas considerações ao Governo Brasileiro para a decisão sobre futuras ações.

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Fonte Estadão + Reuters + ABPA

1 comentário

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Entendo que começaram a preparar terreno para fechar acordo com os EUA.

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