Surto de gripe aviária na China agrava crise sanitária e pode alavancar exportação de frango brasileiro

Publicado em 03/02/2020 15:34
Apesar da expectativa de embarcar volumes maiores, a perspectiva é de preços sustentados, e não de supervalorização

Ao longo deste mês, as exportações de frango para a China devem começar a ganhar mais tração devido às crises sanitárias que ocorrem no país, segundo o analista da Radar Investimentos, Douglas Coelho. Entretanto, ainda não é possível afirmar que deva haver uma supervalorização nos preços do produto para exportação, já que o frango é um animal de fácil ajuste de produção em relação à demanda.

"Já há informações de que o preço do frango subiu na China por causa do problema com a Peste Suína Africana, coronavírus e, agora, a gripe aviária, e que o problema com a gripe aviária não se restringe apenas à Ásia. Mas não podemos afirmar que os preços vão explodir por causa da facilidade na oferta, entretanto os preços deverão ser sustentados", explica. 

Atualmente, o país asiático confronta um surto de coronavírus, que já matou mais de 300 pessoas, a Peste Suína Africana (PSA), que dizimou quase metade do plantel de suínos no local e continua fora de controle, causando um déficit grande de proteína animal para a população e, mais recentemente, a descoberta de um novo surto de gripe aviária. 

Este último problema sanitário atingiu uma fazenda próxima a Whuan, o epicentro do surto de coronavírus. Na propriedade onde o problema com as aves foi registrado, das 7.850 galinhas da granja, 4,5 mil morreram. Autoridades da área da agricultura do governo chinês abateram mais 17.828 aves nas proximidades onde o surto de H5N1 foi registrado.

De acordo com Coelho, a notícia vem em um momento muito delicado para a China, e só reforça a necessidade de adquirir matéria prima de qualidade e evidencia o déficit de proteina animal que existe no país. "Isso carimba o Brasil como um país atrativo para se comprar o produto, porque há oferta, qualidade e custo mais atrativo", afirma.

Além de começar a puxar os volumes exportados de frango, a crise sanitária enfrentada pela China mexeu com a economia global e, por consequência, com o câmbio, tornando atrativa a exportação de insumos para ração animal, como o milho e farelo de soja, o que não deve dar alívio ao suinocultor ou avicultor brasileiro. 

"É dificil pensar como isso vai terminar, mas é bem comum os governos trabalharem juntos para tentar neutralizar a situação. O débito em proteína animal é latente, e deve fortalecer as exportações", finaliza.

Por: Letícia Guimarães
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Suinocultura no Reino Unido enfrenta entraves regulatórios e pressão social
Peste Suína Africana leva Filipinas a suspender importações de carne suína de Taiwan
Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril
Guerra eleva custos e pressiona preços na avicultura do Paraná
36ª Reunião Anual do CBNA vai debater como avanços da inteligência artificial na avicultura permite prever problemas antes de sinais clínicos
Feira AgroExperts em Boituva reúne cadeia de aves e suínos para discutir sanidade e produtividade