Mercado do frango mantém trajetória de alta com demanda firme e otimismo nas exportações

Publicado em 10/10/2025 14:22 e atualizado em 10/10/2025 15:20
Cotações do frango vivo e da carne seguem valorizadas em várias regiões do país, impulsionadas pelo consumo doméstico e pela expectativa de retomada das vendas ao mercado chinês.

Os preços do frango vivo e da carne registraram novas altas ao longo da semana, impulsionados pela demanda aquecida típica de início de mês e pela expectativa positiva com o mercado externo. Segundo levantamento do Cepea, o movimento de valorização vem se sustentando desde o início de setembro, mesmo durante a segunda quinzena, quando o consumo tradicionalmente recua. A firmeza na procura tem dado suporte às cotações tanto no varejo quanto nas granjas.

Na comparação semanal, o frango congelado teve alta de 1,36%, passando de R$ 8,09/kg na segunda-feira (6/10) para R$ 8,20/kg nesta quinta-feira. O indicador do frango resfriado também subiu 1,48%, passando de R$ 8,11/kg para R$ 8,23/kg. 

No Paraná, o preço do frango vivo registrou avanço de 3,82% no comparativo diário, enquanto em Santa Catarina o valor permaneceu estável em R$ 4,69/kg.

De acordo com a Scot Consultoria, os preços nas granjas paulistas se mantiveram estáveis em R$ 6,40/kg, enquanto no atacado houve valorização de 1,96%, com a cotação passando de R$ 7,65/kg no início da semana para R$ 7,80/kg.

“Com o otimismo de início de mês e as boas perspectivas que já rondavam o mercado há uma semana, os preços no atacado apresentaram alta na semana. Com o recebimento de salários e estímulo ao consumo, os compradores se prepararam para atender ao aumento do movimento nos estabelecimentos, reforçando seus estoques”, informou a Scot Consultoria. 

Para Allan Maia, analista da Safras & Mercado, o mercado brasileiro de frango apresentou oferta ajustada e reposição aquecida ao longo da cadeia, resultando em preços firmes tanto no vivo quanto no atacado. 

O analista explica que o setor aguarda uma decisão oficial da China sobre a retomada das importações de produtos avícolas brasileiros. “A visita recente de uma delegação chinesa sinalizou que essa reabertura pode acontecer em breve, o que daria novo fôlego ao mercado”, destacou. 

Maia acrescenta que as exportações tiveram ótimo desempenho em setembro, com embarques superiores aos de julho e agosto. Segundo ele, a capitalização das famílias também favoreceu o consumo doméstico, contribuindo para a boa evolução da demanda na ponta final.

Pela primeira vez desde o registro de um caso de gripe aviária em granja comercial no Brasil, em maio, o preço médio mensal da carne de frango voltou a subir em setembro, apoiado principalmente no reaquecimento das exportações. O mês marcou a retomada das vendas à União Europeia, suspensas desde maio, e renovou o otimismo em relação à China, quarto maior destino da carne brasileira em 2025. Apesar do embargo ainda em vigor, o setor acredita que a reabertura está próxima.

Levantamento do Cepea indica que, em setembro, o frango congelado foi comercializado a R$ 7,49/kg na Grande São Paulo, alta de 7,7% frente a agosto. Já o frango resfriado atingiu R$ 7,54/kg, avanço de 7,8%. Mesmo assim, os preços seguem abaixo dos níveis de maio, quando o produto era negociado a R$ 8,60/kg, reflexo da forte oferta interna registrada nos últimos meses. Nos cortes, o peito congelado em São Paulo teve valorização de 7,1%, alcançando R$ 10,43/kg.

O Cepea aponta ainda que o mercado de pintainhos de corte completou dois meses consecutivos de valorização, em agosto e setembro. Agentes consultados afirmam que a alta reflete uma oferta reduzida e demanda firme por parte dos integradores e granjas independentes, reforçando o bom momento da cadeia avícola.

De forma geral, o mercado do frango atravessa um momento de recuperação, com demanda doméstica consistente, oferta controlada e perspectiva positiva nas exportações. A expectativa de uma retomada dos embarques à China pode consolidar a reação dos preços e garantir maior sustentação ao setor nas próximas semanas.

A Scot Consultoria ainda destacou que o mercado deve permanecer firme nos próximos dias. Por estarmos na primeira quinzena do mês, espera-se uma demanda mais ativa.

Por: Andressa Simão | Instagram @apautadodia
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Suinocultura no Reino Unido enfrenta entraves regulatórios e pressão social
Peste Suína Africana leva Filipinas a suspender importações de carne suína de Taiwan
Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril
Guerra eleva custos e pressiona preços na avicultura do Paraná
36ª Reunião Anual do CBNA vai debater como avanços da inteligência artificial na avicultura permite prever problemas antes de sinais clínicos
Feira AgroExperts em Boituva reúne cadeia de aves e suínos para discutir sanidade e produtividade