Ovos: Crescimento na venda impulsiona produção, mas custos ainda pressionam margens do avicultor

Publicado em 23/01/2026 06:21 e atualizado em 23/01/2026 07:08
Alta nos insumos segue limitando o retorno ao produtor, destacam os analistas

O crescimento nas vendas de ovos observado em janeiro trouxe fôlego ao setor, mas ainda não se traduz em recomposição consistente das margens de produção. Mesmo com um mercado mais aquecido, os custos elevados com ração e outros insumos continuam diluindo os ganhos do produtor, que segue operando em um cenário de forte atenção ao caixa e aos investimentos.

Na avaliação de Edival Veras, presidente do Instituto Ovos Brasil, o setor ainda enfrenta um desequilíbrio preocupante entre preços e custos. Segundo ele, mesmo com alguma recuperação recente, a margem negativa persiste, o que tende a frear investimentos e pode levar à redução da produção. Esse movimento, por sua vez, costuma gerar distorções no mercado, com impacto direto tanto na oferta quanto nos preços ao consumidor. O cenário considerado ideal, destaca a liderança, é aquele em que produção e consumo caminham de forma equilibrada, garantindo remuneração adequada ao produtor e preços acessíveis ao consumidor.

Embora o avanço das exportações ajude a sustentar o mercado no curto prazo, o efeito estrutural ainda é limitado. Hoje, cerca de 99% da produção de ovos brasileira é destinada ao mercado interno. Ainda assim, a expectativa do setor é positiva em relação à abertura de novos mercados internacionais, impulsionada pela qualidade do produto nacional e pelo bom status sanitário da avicultura brasileira. 

TABELA CEPEA

O aumento da demanda por proteínas mais acessíveis também favorece o consumo de ovos e de frango, mas os custos seguem como principal desafio. O planejamento da produção, segundo o Instituto Ovos Brasil, depende de uma série de variáveis que vão além do consumo, como condições climáticas, preços de milho e soja, logística e infraestrutura. Esses fatores limitam a capacidade do produtor de aproveitar plenamente os momentos de maior demanda.

Dados e análises do Cepea reforçam essa leitura. De acordo com a pesquisadora Claudia Scarpelin, responsável pela área de ovos no centro de pesquisas, o movimento recente de valorização ainda não foi suficiente para reverter perdas acumuladas.

 "É importante ressaltar que, embora as cotações tenham apresentado forte valorização nos últimos dias, a média parcial de janeiro ainda permanece abaixo das registradas em dez/25 e jan/25. Além disso, apesar do expressivo aumento recente, as cotações diárias ainda não retornaram aos patamares praticados no início de dezembro, período anterior às acentuadas quedas observadas no final do ano passado."

Outro ponto de atenção é o poder de compra do produtor frente aos principais insumos. "O poder de compra do avicultor de postura frente aos principais insumos consumidos na atividade, milho e farelo de soja, segue em queda nesta parcial de janeiro. As desvalorizações mais intensas nos preços dos ovos têm pressionado a relação de troca frente aos insumos".

No curto prazo, a expectativa do Cepea é de manutenção de preços firmes. O retorno das aulas escolares em fevereiro tende a fortalecer a demanda e favorecer as vendas. Por outro lado, as altas temperaturas em algumas regiões produtoras mantêm o setor em alerta, diante dos possíveis impactos sobre a produtividade.

O resultado, segundo analistas e representantes do setor, é um mercado que reage ao crescimento da demanda, mas ainda responde mais a uma urgência produtiva do que a um cenário confortável de rentabilidade. Enquanto os custos seguirem elevados, o avanço nas vendas deve continuar sendo absorvido como um ajuste necessário, e não como um ganho pleno para o produtor.

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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