Influenza aviária no Uruguai e Argentina reacende alerta sanitário no Brasil
A confirmação de novos casos de influenza aviária de alta patogenicidade (H5) na Argentina e a declaração de emergência sanitária no Uruguai ampliaram o estado de atenção no Brasil. O país permaneceu, até agora, sem registro de foco ativo em granjas comerciais, mas o cenário regional renovou a preocupação do setor avícola e dos mercados internacionais.
O que aconteceu nos países vizinhos
ARGENTINA
Na Argentina, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (SENASA) confirmou um surto de influenza aviária em uma granja comercial na província de Buenos Aires. A descoberta levou à suspensão temporária das exportações de produtos avícolas para mercados com exigência de status livre da doença, enquanto medidas de contenção como isolamento, abate sanitário das aves afetadas e delimitação de zonas de controle, foram ativadas imediatamente.
Esse novo foco surge poucos meses após o país ter recuperado o status sanitário de livre da doença em 2025 e representa um risco imediato para a confiança dos importadores externos. As exportações argentinas de carne de frango haviam registrado crescimento em 2025 (de mais 8% frente ao período anterior), com destinos importantes incluindo China e Chile, o que torna o mercosul e outros blocos comerciais fonte crucial de demanda.
URUGUAI
No Uruguai, o Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca declarou emergência sanitária nacional após a detecção do vírus H5 em aves silvestres em várias regiões (Maldonado, Rocha e Canelones). Embora os focos detectados ainda não envolvam produção comercial, as medidas de emergência restringem a mobilidade de aves e limitam atividades avícolas não controladas, para evitar a entrada do vírus no setor produtivo.
SITUAÇÃO OFICIAL DO BRASIL
O Brasil recuperou em 2025 seu status de país livre de influenza aviária de alta patogenicidade em aves comerciais, após cumprir um período obrigatório de vazio sanitário e comunicar oficialmente à World Organisation for Animal Health (WOAH). Desde então, não há registro de novos focos em produção comercial brasileira.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reforça que o país mantém vigilância reforçada nas fronteiras e intensificou inspeções e biosseguridade nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde a densidade de produção avícola é maior.
ALERTA REGIONAL E SEUS EFEITOS
Embora a ocorrência de casos em países vizinhos não altere automaticamente a condição sanitária do Brasil, ela aumenta o nível de vigilância nas fronteiras e nos fluxos de comércio, sobretudo nas rotas logísticas com Argentina e Uruguai.
Esses países não apenas fazem parte do Mercosul, mas também são interdependentes em cadeias de comércio agropecuário:
➡️A Argentina é um parceiro importante nas importações brasileiras de insumos e produtos agroindustriais (como soja, milho e carnes processadas), além de ser destino de exportações brasileiras de fertilizantes e commodities.
➡️O Uruguai, embora menor em volume econômico, mantém relações robustas de comércio de carnes, lácteos e grãos com o Brasil, além de integrar fluxos logísticos essenciais do Mercosul.
A suspensão temporária de exportações argentinas de produtos avícolas pode pressionar esse mercado regional por oferta, enquanto as medidas sanitárias uruguaias indicam cuidado com a cadeia produtiva doméstica. Em ambos os casos, mercados que já enfrentam restrições sanitárias podem abrir oportunidades, ou barreiras, para fornecedores alternativos, incluindo o Brasil.
Impacto para comércio exterior brasileiro
Exportações brasileiras
O Brasil continua sendo o maior exportador mundial de carne de frango, com volumes recordes registrados em 2025 (cerca de 5,324 milhões de toneladas), mesmo após as restrições impostas por um surto anterior de influenza aviária em 2025 e negociações para retomar mercados importantes.
Porém, a proximidade de novos surtos na região pode afetar:
➡️Certificação sanitária: Muitos países exigem que produtos avícolas venham de países com status sanitário livre. Qualquer mudança no cenário regional pode reforçar exigências ou revisões de confiança nos sistemas de biosseguridade.
➡️Negociações comerciais: Países importadores tradicionalmente sensíveis à segurança sanitária (como membros do Mercosul e blocos como UE e Ásia) podem ajustar suas exigências ou impor restrições preventivas.
➡️Competitividade regional: Com restrições temporárias na Argentina, o Brasil pode ganhar espaço de mercado para envio de produtos avícolas, caso mantenha seu status e prove conformidade sanitária.
Importações brasileiras
A dependência de grãos (milho e farelo de soja) para ração animal faz com que o Brasil também se beneficie de relações estáveis com Argentina e Uruguai em cadeias logísticas regionais. Impactos prolongados nos mercados agropecuários desses países podem afetar preços e oferta de insumos de ração, alterar fluxos de exportação de outros produtos agroindustriais e influenciar negociações tarifárias dentro do Mercosul.