Pesquisa no Cazaquistão desenvolve biorevestimento que pode ampliar vida útil do frango refrigerado para até 20 dias
Cientistas do Cazaquistão desenvolveram uma tecnologia capaz de ampliar significativamente a vida útil da carne de frango refrigerada. De acordo com o Ministério da Agricultura do Cazaquistão, a inovação pode estender o período de conservação para cerca de 20 dias, quase triplicando o tempo de armazenamento em comparação aos métodos convencionais.
A solução consiste na aplicação de um filme de base biológica sobre a carne de aves, produzido a partir de soro de leite e bacteriocina. O revestimento atua como uma barreira protetora que reduz o crescimento de microrganismos responsáveis pela deterioração do produto.
Segundo o ministério, a tecnologia pode facilitar o transporte de carne de frango refrigerada por distâncias maiores, contribuindo para reduzir perdas logísticas e ampliar as oportunidades de comercialização para produtores.
Biopreservativo combate microrganismos patogênicos
O biorevestimento utiliza bacteriocina derivada da cepa híbrida Lactococcus lactis ssp. lactis F‑116, uma bactéria lática desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Científica de Processamento e Indústria Alimentar do Cazaquistão.
De acordo com os pesquisadores, o biopreservativo apresenta capacidade de inibir o crescimento de microrganismos considerados críticos para a segurança alimentar, incluindo Pseudomonas, Salmonella e Listeria.
Além da ação antimicrobiana, o revestimento atende aos princípios internacionais do conceito “clean label”, que prioriza ingredientes naturais e seguros, sem a utilização de aditivos químicos considerados potencialmente tóxicos.
Ensaios laboratoriais indicaram que o tratamento reduz significativamente a deterioração microbiológica e preserva a qualidade da carne refrigerada quando armazenada em temperaturas de aproximadamente 0±1°C por até 20 dias.
Avicultura global pode se beneficiar da tecnologia
O Ministério da Agricultura do Cazaquistão avalia que a inovação tem potencial para beneficiar a indústria avícola global, especialmente diante da expansão prevista para o consumo de carne de frango.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), até 2030 a carne de frango deverá representar cerca de 41% do mercado mundial de carnes. Nesse contexto, tecnologias capazes de prolongar a vida útil dos produtos tornam-se estratégicas para aumentar a competitividade e ampliar o alcance das exportações.
Testes confirmam preservação de qualidade
A tecnologia foi desenvolvida ao longo de estudos realizados entre 2023 e 2025. Durante o processo, os pesquisadores determinaram as temperaturas crioscópicas e os limites de super-resfriamento da carne de frango, além de definir a concentração ideal do composto formador de película.
Os estudos também estabeleceram recomendações técnicas para o processamento e tratamento de carcaças de aves.
De acordo com os resultados obtidos, as características organolépticas da carne — como sabor, aroma e textura — permanecem preservadas mesmo após o período prolongado de armazenamento.
Tecnologia avança para aplicação comercial
Com a conclusão das etapas iniciais de pesquisa, a inovação avança agora para testes em escala produtiva. As diretrizes técnicas para aplicação da tecnologia já foram aprovadas no Cazaquistão, permitindo que produtores iniciem experimentações comerciais.
O biorevestimento foi testado na fazenda local Medeu 55, onde os resultados confirmaram que o tratamento prolonga de forma segura a vida útil da carne de frango refrigerada, reforçando o potencial da tecnologia para adoção pela indústria avícola.