Queda de 16% no preço do suíno pressiona produtor, enquanto exportações batem recorde em fevereiro

Publicado em 13/03/2026 16:30
Relatório do Cepea mostra forte desvalorização do animal vivo, perda no poder de compra do suinocultor e aumento na competitividade da carne suína frente às proteínas concorrentes.

O mercado brasileiro de suínos iniciou o ano com forte pressão sobre os preços pagos ao produtor. Levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo Cepea mostra que as cotações do animal vivo registraram queda expressiva em fevereiro na comparação com janeiro. A retração ocorreu em meio a uma combinação de menor demanda da indústria e maior disponibilidade de oferta no mercado interno.

Na praça conhecida como SP-5, que reúne importantes polos de comercialização no estado de São Paulo, o recuo mensal foi de 16,1%. Esse movimento representou a maior desvalorização para um mês de fevereiro desde 2022, quando o mercado também registrou forte ajuste negativo nas cotações.

Segundo o relatório do Cepea, o preço médio do suíno vivo ficou em R$ 6,91 por quilo no segundo mês do ano. Em janeiro, o valor médio havia sido de R$ 8,24 por quilo, evidenciando o impacto da queda sobre a rentabilidade da atividade.

mercado inicia o ano com baixa liquidez

O movimento de baixa começou ainda na segunda quinzena de janeiro. Na região SP-5, o animal chegou a ser negociado a R$ 7,09 por quilo no dia 30 daquele mês, bem abaixo do patamar próximo de R$ 9 registrado no início do período.

Durante fevereiro, o mercado apresentou momentos alternados de estabilidade e novas quedas. Mesmo assim, o valor final permaneceu próximo ao observado no fim de janeiro, sinalizando que o setor entrou no ano com dificuldade de sustentação nas cotações.

O Cepea destaca que esse tipo de movimento é relativamente comum no começo do ano. Nesse período, a comercialização costuma apresentar menor liquidez, o que amplia a sensibilidade do mercado a variações entre oferta e procura.

menor demanda da indústria pressiona preços

Agentes consultados pelo Cepea indicam que a principal causa da desvalorização foi a retração na procura da indústria por lotes de animais no mercado independente. Esse comportamento acabou gerando um desarranjo na relação entre oferta e demanda no mercado doméstico.

Quando a indústria reduz o ritmo de compras, os produtores acabam competindo entre si para vender os animais. Essa dinâmica normalmente pressiona os valores pagos ao suinocultor.

No comparativo anual, o recuo também chama atenção. Em relação a fevereiro de 2025, quando o suíno vivo foi negociado a média de R$ 8,66 por quilo, a desvalorização chega a cerca de 20%.

demanda no atacado também perde força

O enfraquecimento da procura não ficou restrito ao mercado de animais vivos. O levantamento do Cepea aponta que o consumo de carne suína no atacado também apresentou desempenho mais fraco ao longo de fevereiro.

Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína foi negociada à média de R$ 10,36 por quilo. Esse valor representa queda de 14,6% em relação à média observada no mês de janeiro.

A menor movimentação no consumo final contribuiu para reduzir o ritmo de compras da indústria. Esse cenário acabou se refletindo diretamente no mercado de animais destinados ao abate.

exportações seguem em ritmo recorde

Apesar da pressão interna sobre os preços, o comércio exterior trouxe sinais positivos para o setor. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o Brasil exportou 120,9 mil toneladas de carne suína em fevereiro.

Esse volume representa crescimento de 5,1% frente a janeiro e aumento de 6,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Além disso, trata-se do maior embarque já registrado para um mês de fevereiro desde o início da série histórica em 1997.

O Cepea destaca que este foi o terceiro mês consecutivo com recordes mensais nas exportações brasileiras. Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, os embarques somaram mais de 372 mil toneladas.

filipinas lideram compras da carne suína brasileira

Entre os destinos da proteína suína brasileira, as Filipinas seguem como principal parceiro comercial. Pelo décimo terceiro mês consecutivo, o país asiático liderou as compras, com volume de 40,9 mil toneladas.

Na sequência aparecem o Japão, com 12,1 mil toneladas, e a China, que importou 11,1 mil toneladas do produto brasileiro no período.

Para março, o ritmo de embarques deve continuar elevado. Ainda assim, agentes do setor acompanham com atenção os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que pode afetar rotas comerciais e elevar custos logísticos.

poder de compra do produtor diminui

A queda no preço do suíno vivo também reduziu o poder de compra do suinocultor paulista frente aos principais insumos utilizados na produção. Esse indicador é importante para avaliar a rentabilidade da atividade.

Segundo dados do Cepea, com a venda de um quilo de suíno em fevereiro foi possível adquirir 3,75 quilos de farelo de soja. Esse é o menor volume desde julho de 2024.

No caso do milho, o produtor conseguiu comprar 6,11 quilos com o valor recebido pela venda do animal. Esse patamar representa o menor poder de compra desde abril do ano passado.

custos de ração continuam firmes

Os preços dos principais insumos mantiveram comportamento relativamente firme no período. O farelo de soja negociado no mercado de Campinas apresentou média de R$ 1.843,41 por tonelada, segundo levantamento da equipe de grãos do Cepea.

A leve valorização foi influenciada por fatores como maior demanda internacional, cautela de produtores diante de incertezas climáticas e alta do complexo soja no mercado externo.

Já o milho registrou média de R$ 67,86 por saca de 60 quilos. O suporte veio da menor presença de vendedores no mercado, já que muitos agricultores estavam concentrados nas atividades de campo.

carne suína ganha competitividade no varejo

Mesmo com a queda nos preços, a proteína suína ganhou competitividade frente às carnes concorrentes. O levantamento do Cepea indica que o valor da carne de porco recuou para o menor nível desde abril de 2024 em termos reais.

A diferença em relação à carne bovina aumentou após a valorização da carcaça casada de boi. Em fevereiro, a proteína bovina foi negociada a média de R$ 23,71 por quilo, alta de 3,6% frente a janeiro.

Esse movimento ampliou a diferença entre as duas proteínas para R$ 13,35 por quilo. Quanto maior essa distância, maior tende a ser a atratividade da carne suína para o consumidor final.

relação com frango também favorece suinocultura

No caso da carne de frango, os preços também registraram queda no atacado, mas em intensidade menor que a observada na proteína suína. O frango inteiro resfriado foi negociado a R$ 7,10 por quilo na Grande São Paulo.

Com isso, a diferença entre os preços das duas proteínas diminuiu ao longo de fevereiro. Essa redução também contribui para melhorar a competitividade da carne suína no mercado consumidor.

Para o setor, o desafio agora será equilibrar a oferta e estimular o consumo para permitir eventual recuperação dos preços ao produtor. Segundo agentes consultados pelo Cepea, o primeiro passo seria interromper o ciclo de quedas observado no início do ano.

Tags: suinocultura, mercado de suínos, preços do suíno, Cepea, carne suína, exportação de carne suína, custos de produção suínos, milho e farelo de soja, proteína animal, pecuária brasileira,

Confira o relatório na íntegra: https://www.cepea.org.br/upload/revista/pdf/0589499001773427561.pdf

Por: Michelle Jardim
Fonte: Notícias Agrícolas

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