Preço do frango cai 5,2% em março e atinge menor nível desde 2023
Os preços da carne de frango seguem em queda no mercado brasileiro em março, pressionados principalmente pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas relacionadas ao cenário internacional, segundo levantamento do Cepea.
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março (até o dia 18), o que representa queda de 5,2% em relação a fevereiro.
Considerando os valores deflacionados pelo IPCA de fevereiro de 2026, esse é o menor patamar registrado desde julho de 2023, evidenciando a pressão recente sobre o setor avícola.
Demanda interna fraca pressiona cotações
De acordo com pesquisadores do Cepea, a principal razão para a queda nos preços é a fraqueza da demanda doméstica, que tem limitado o ritmo de negociações no mercado interno.
Além disso, o setor também enfrenta especulações e incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio, uma região estratégica para as exportações brasileiras de carne de frango.
Esse cenário tem gerado cautela entre agentes da cadeia produtiva, impactando decisões comerciais e contribuindo para o viés de baixa nos preços.
Carne de frango ganha competitividade
Apesar da desvalorização, o movimento tem um efeito positivo do ponto de vista competitivo. Segundo o Cepea, a carne de frango vem ampliando sua competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a suína e a bovina.
No caso da carne suína, embora também haja queda nos preços, as desvalorizações do frango têm sido mais intensas, ampliando sua atratividade relativa ao consumidor.
Já na comparação com a carne bovina, o cenário é ainda mais favorável ao setor avícola, uma vez que os preços da carcaça casada de boi seguem em alta, aumentando a diferença entre as proteínas.
Mercado acompanha cenário externo e consumo interno
O comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá da evolução de dois fatores principais: o ritmo da demanda interna e os desdobramentos do cenário geopolítico internacional.
Caso o consumo doméstico apresente recuperação ou haja estabilidade nas exportações, os preços podem encontrar um ponto de equilíbrio após as quedas recentes.
Enquanto isso, o setor segue atento às movimentações do mercado, buscando ajustar a oferta diante de um ambiente ainda marcado por incertezas.