Consumo fitness impulsiona produção de ovos em Minas Gerais

Publicado em 26/03/2026 12:06
Resposta a um mercado mais exigente envolve manejo técnico rigoroso, biosseguridade, ambiência controlada e gestão eficiente.

O aumento do consumo de ovos no Brasil acompanha mudanças consistentes no comportamento alimentar. Cada vez mais presente em dietas hiperproteicas e na rotina de quem pratica atividade física, o alimento deixou de ser apenas uma alternativa econômica e passou a ocupar posição estratégica nos cardápios voltados ao desempenho e à praticidade.

Fonte de proteína de alto valor biológico, o ovo oferece, em média, de 6 a 7 gramas de proteína por unidade, além de vitaminas e minerais importantes para o metabolismo muscular e energético. Segundo a nutricionista Keila Moraes, o ovo é um alimento completo do ponto de vista nutricional. “

“É uma proteína de alto valor biológico, com excelente qualidade e todos os aminoácidos essenciais, sendo um grande aliado tanto na manutenção quanto no ganho de massa muscular, especialmente para quem pratica atividade física. Além disso, é rico em vitaminas e minerais importantes, como as do complexo B, vitaminas A e D, ferro, selênio e colina, um nutriente fundamental para a saúde do cérebro”, explica.

Produção em alta

A demanda crescente sustenta números expressivos em Minas Gerais. Em 2024, o estado produziu 5,443 bilhões de ovos. Já em 2025, foram 5,895 bilhões de ovos, crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. O plantel de galinhas poedeiras aumentou 2,4%, refletindo a expansão da atividade.

Com esse desempenho, Minas assumiu a segunda posição no ranking nacional em 2025, ultrapassando o Paraná e ficando atrás apenas de São Paulo. O avanço também aparece no Valor Bruto da Produção (VBP), que passou de R$ 2,67 bilhões em 2024 para R$ 3,31 bilhões em 2025, alta de 23,7%.

Crescimento com gestão no campo

Para atender a um consumidor mais atento à qualidade, o setor investe em manejo técnico rigoroso, ambiência controlada e monitoramento constante de indicadores produtivos. A técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Iara Maria França Reis, destaca que a organização da rotina da granja é uma das primeiras orientações repassadas aos produtores.

“Trabalhamos manejo adequado das aves, qualidade da alimentação e da água, limpeza dos galpões, controle de temperatura e ventilação, além do bem-estar animal. O cuidado com a cama, os ninhos e a coleta correta dos ovos impactam diretamente na qualidade final do produto”, explica.

Na gestão, o foco é estruturar a atividade como negócio. O acompanhamento do custo de produção, consumo de ração, percentual de postura, mortalidade e produção diária permite decisões mais assertivas e maior rentabilidade. Mesmo com controles simples, em planilhas ou cadernos organizados, o produtor consegue reduzir desperdícios e melhorar resultados.

A alimentação, principal item de custo, recebe atenção especial, com formulações ajustadas à fase produtiva das aves e à realidade de cada propriedade. A biosseguridade também é prioridade, com medidas como controle de acesso às granjas, uso de pedilúvio, calendário vacinal individualizado, higienização de equipamentos e controle de pragas.

Expansão e novos mercados

Em Buritis, no Noroeste de Minas, o pequeno produtor Douglas Espíndola confirma o cenário positivo. Com 160 galinhas, ele produz entre 125 e 130 ovos por dia e já planeja ampliar a estrutura, que comporta até 300 aves.

“O trabalho começa desde o primeiro dia de vida das aves, com transporte adequado, ambiente climatizado, vacinação e alimentação específica para cada fase. O manejo diário, o programa de luz e a higiene constante são fundamentais para manter a produtividade e a qualidade”, relata.

Atualmente, ele fornece para escolas municipais e estaduais e pretende avançar para mercados e feiras, buscando a regularização por meio do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) para ampliar as entregas de forma formalizada.

Mercado externo em expansão

No cenário internacional, Minas também ampliou sua presença em 2025. As exportações cresceram 129% em faturamento e 82% em volume, com os Estados Unidos respondendo por 60% do total embarcado. Ainda assim, apenas 2,05% da produção mineira é destinada ao exterior, o que reforça a força e a capacidade de absorção do mercado interno.

Por: FAEMG/SENAR
Fonte: FAEMG/SENAR

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