Contaminação por poeira em ovos no Reino Unido preocupa setor e exige ajustes no manejo
A contaminação por poeira em ovos provenientes de sistemas de criação solta tem gerado preocupação crescente na avicultura do Reino Unido, após registros de aumento significativo durante o último inverno. O problema, antes pontual, passou a impactar de forma mais ampla a qualidade dos ovos e os índices de classificação comercial.
De acordo com a Egg Marketing Inspectorate (EMI), houve crescimento relevante na incidência de ovos com aspecto empoeirado durante inspeções de rotina. A ausência de uma categoria específica para esse tipo de defeito dificulta a mensuração precisa do problema, levando o órgão a intensificar o diálogo com o setor produtivo.
Monitoramento e dados ainda são desafios
Em parceria com a British Free Range Egg Producers Association (BFREPA), o EMI busca consolidar informações mais detalhadas sobre a ocorrência e as causas da contaminação. Produtores relatam aumento consistente de ovos com poeira, associado principalmente a períodos prolongados de confinamento, cama excessivamente seca e características operacionais dos galpões modernos.
Manejo e ambiência influenciam diretamente o problema
Relatos de campo indicam que a contaminação ocorre, sobretudo, quando partículas finas se depositam nas esteiras de transporte e entram em contato com ovos recém-postos, ainda com a cutícula úmida, favorecendo a aderência da sujeira à casca.
Durante o inverno, a restrição de acesso ao pasto intensifica os banhos de poeira dentro dos galpões, elevando a concentração de partículas em suspensão. Paralelamente, a manutenção de cama seca — condição desejável para o bem-estar — contribui para o aumento da poeira no ambiente.
A ventilação também exerce papel determinante. Estruturas com circulação de ar limitada tendem a acumular poeira em zonas de ar estagnado, facilitando sua deposição em equipamentos como correias transportadoras e ninhos artificiais.
Condições externas ampliam a complexidade
Fatores ambientais, como solos leves e períodos de seca, agravam o cenário. A terra seca pode ser facilmente transportada para o interior dos galpões pelas aves, aumentando a carga de partículas e potencializando o risco de contaminação.
Estratégias de mitigação ganham espaço
Diante do avanço do problema, produtores têm adotado medidas operacionais para reduzir a contaminação. Entre as principais ações estão o uso antecipado das esteiras de coleta, a limpeza com ar comprimido e o funcionamento contínuo dos sistemas antes do início da postura.
Uma das soluções com maior eficácia observada é a instalação de sistemas de nebulização de alta pressão, que promovem a aglomeração das partículas em suspensão, reduzindo sua deposição sobre os ovos sem comprometer a umidade da cama. Em casos monitorados, a adoção dessa tecnologia contribuiu para a redução dos índices de ovos de segunda categoria para níveis próximos aos padrões considerados normais.
Impacto sanitário reforça necessidade de controle
Além do impacto visual e comercial, a poeira representa risco sanitário, uma vez que pode conter resíduos de esterco, cama, ração e solo, favorecendo a presença de microrganismos. A adesão desses materiais à casca compromete a higiene do produto e reforça a importância de práticas rigorosas de limpeza e manutenção.
Ação conjunta e monitoramento contínuo são determinantes
O alinhamento entre produtores, entidades representativas e órgãos de inspeção indica uma resposta coordenada do setor frente ao desafio. A adoção de monitoramento contínuo dos índices de classificação e a comunicação com empacotadores são apontadas como medidas essenciais para identificar precocemente o problema.
A experiência recente demonstra que o reconhecimento rápido das causas e a implementação de ajustes no manejo permitem restabelecer os padrões de qualidade de forma eficiente, reforçando a importância da gestão técnica na produção de ovos em sistemas ao ar livre.