Alta do frete interrompe queda no preço do frango no fim de março no Brasil

Publicado em 02/04/2026 09:43
Valorização do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio eleva custos logísticos e pressiona indústria avícola; apesar da reação recente, trimestre ainda registra forte desvalorização.

O movimento de queda nos preços da carne de frango no Brasil, observado desde o início de 2026, foi interrompido nos últimos dias de março, conforme apontam dados do Cepea. A recuperação pontual dos valores esteve diretamente ligada ao aumento dos custos logísticos, especialmente do frete.

Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização do petróleo no cenário internacional — impulsionada pelo conflito no Oriente Médio — tem elevado os preços do diesel no Brasil, pressionando o transporte de cargas. Como consequência, agentes da cadeia produtiva do frango de corte passaram a repassar esses custos ao mercado, interrompendo a tendência de baixa.

Levantamento do Cepea mostra que praticamente todos os produtos avícolas acompanhados registraram alta significativa entre os dias 24 e 31 de março. No atacado da Grande São Paulo, o frango congelado, que vinha acumulando queda expressiva ao longo do mês, reagiu na última semana. Até o dia 19 de março, o produto havia registrado desvalorização de 6,2%, mas encerrou o mês com leve recuo de apenas 0,3%.

Pressão logística muda dinâmica de preços

O encarecimento do frete tem sido um dos principais fatores de sustentação dos preços no curto prazo. A alta do diesel impacta diretamente o custo de distribuição, especialmente em um setor com forte dependência de transporte rodoviário, como o avícola.

Esse cenário evidencia a sensibilidade da cadeia de proteína animal às variáveis externas, como conflitos geopolíticos e oscilações no mercado de energia, que rapidamente se refletem nos custos internos.

Trimestre ainda é de queda expressiva

Apesar da reação observada no fim de março, o balanço do primeiro trimestre de 2026 segue negativo para os preços do frango. De acordo com o Cepea, o movimento baixista foi causado principalmente pelo descompasso entre a oferta elevada e a demanda interna mais enfraquecida.

No acumulado de janeiro a março, o frango inteiro congelado comercializado no atacado da Grande São Paulo registrou queda expressiva de 9,4%, refletindo um mercado ainda pressionado pelo excesso de produto disponível.

Perspectivas para o setor

A recente alta pontual nos preços indica uma possível mudança de trajetória no curto prazo, mas o comportamento do mercado seguirá condicionado a fatores externos, como o custo do petróleo e os desdobramentos do cenário internacional, além da recuperação — ou não — da demanda doméstica.

Para os próximos meses, agentes do setor devem manter atenção redobrada aos custos logísticos e à dinâmica de consumo, que continuarão sendo determinantes para a formação dos preços da carne de frango no Brasil.

Por: Avicultura Industrial
Fonte: Avicultura Industrial

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril
Guerra eleva custos e pressiona preços na avicultura do Paraná
36ª Reunião Anual do CBNA vai debater como avanços da inteligência artificial na avicultura permite prever problemas antes de sinais clínicos
Feira AgroExperts em Boituva reúne cadeia de aves e suínos para discutir sanidade e produtividade
2ª Conbrasfran debate inovação, tecnologia e tendências na produção de carne de frango
Alta do frete interrompe queda no preço do frango no fim de março no Brasil