Avicultura brasileira cresce no 1º trimestre mesmo sob pressão geopolítica e alta de custos
A avicultura brasileira encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento nas exportações, mesmo diante de um cenário internacional adverso. O desempenho positivo foi destacado pelo presidente da ABPA, Ricardo Santin, que classificou o período como desafiador, porém vitorioso.
Apesar das incertezas, a avicultura nacional conseguiu avançar. “Chegamos em março com mais de 500 mil toneladas exportadas e crescemos cerca de 6% em relação ao ano passado”, destacou. No acumulado do trimestre, o crescimento ficou próximo de 5% em volume e 6% em receita.
Logística redesenhada para manter exportações
A crise no Oriente Médio impactou diretamente a logística global, já que a região responde por mais de 30% das exportações brasileiras de carne de frango. Segundo Santin, a resposta do setor foi imediata. “Conseguimos encontrar rotas alternativas e manter o abastecimento. Mesmo sem acesso direto ao Estreito de Ormuz, chegamos aos clientes por outros portos”, explicou.
Entre as alternativas, passaram a ser utilizados corredores via Turquia, Jordânia, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes. A estratégia garantiu a continuidade das entregas, mas trouxe custos adicionais.
Pressão de custos reduz margens
Embora os volumes tenham crescido, a rentabilidade foi afetada. Santin detalha o cenário:
“Tivemos aumento de 30% a 50% no custo do combustível e do frete, além de quase 50% de alta nas embalagens plásticas”, afirmou. “Sem falar nos insumos importados e nas taxas de risco, que encarecem toda a operação”.
Segundo ele, esses fatores já têm impacto mais amplo. “Isso acaba chegando na prateleira, contribuindo para a inflação de alimentos no mundo inteiro”.
Mesmo com a pressão, o setor conseguiu evitar retração produtiva.
“A gente conseguiu manter a indústria girando e não deixar produtores reduzirem seus lotes”, disse.
Influenza aviária mantém setor em alerta
Além dos desafios econômicos, a sanidade segue como prioridade. Com a aproximação do período de maior risco, o setor intensifica a vigilância contra a influenza aviária. “A ABPA não tem descanso. Estamos lançando mais uma campanha para reforçar todos os protocolos de biosseguridade”, afirmou Santin.
Ele destacou medidas como controle de acesso, uso de pedilúvios, higienização de veículos e isolamento de aves. “A gente já mostrou que sabe fazer. O Brasil é referência e respondeu muito rápido ao caso que teve”.
Expectativa ainda depende do cenário internacional
Para os próximos meses, o setor mantém cautela. “É um período de dificuldade que ainda não acabou. A gente reza para que a guerra termine e possamos voltar a uma normalidade mínima”, disse.
Mesmo assim, Santin reforça a confiança na avicultura brasileira.
“A resiliência foi muito grande. Conseguimos cumprir nosso principal objetivo, que é garantir segurança alimentar aos nossos clientes”.