Carne bovina ganha competitividade em setembro, mas segue mais cara frente a frango e suíno
A carne bovina recuperou competitividade frente às carnes de frango e suína na parcial de setembro, até o dia 28, no atacado da Grande São Paulo. O movimento, porém, ocorreu pelo encarecimento mais intenso das proteínas concorrentes, e não por uma queda do preço bovino. Para a pecuária, o resultado representa algum alívio na disputa por mercado, embora a diferença de preços ainda favoreça as alternativas mais baratas.
Segundo os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o frango resfriado acumulou valorização de 12% na parcial de setembro em relação a agosto. A carne suína subiu 3%, enquanto a carcaça casada bovina avançou 1%.
Com isso, o preço de um quilo da carcaça casada bovina equivaleu a 3,16 quilos de frango resfriado e a 3,17 quilos de carne suína. Quanto menor essa relação, maior a competitividade da carne bovina: é necessária uma quantidade menor da proteína concorrente para alcançar o valor de um quilo do produto bovino.
O gráfico ajuda a dimensionar o movimento. Na comparação com agosto de 2026, as curvas das relações de preços recuam em setembro, com redução mais acentuada no caso do frango. Esse comportamento acompanha a valorização mais intensa da carne de frango no período.
Entretanto, ao comparar setembro de 2026 com setembro de 2025, o quadro muda. As duas relações permanecem acima das observadas um ano antes, indicando que a carne bovina está relativamente mais cara frente às concorrentes, apesar da recuperação recente de competitividade.
A diferença é especialmente visível na comparação com a carne suína. No gráfico, a relação de 2025 permanece abaixo de dois quilos de suíno para cada quilo da carcaça bovina ao longo de todo o ano. Já em 2026, essa relação aumenta nos primeiros meses e supera três quilos em agosto e na parcial de setembro.
O que muda para o pecuarista
Para o produtor, o encarecimento das proteínas concorrentes pode ajudar a sustentar o espaço da carne bovina no mercado doméstico. No entanto, para esse movimento chegar ao consumo, depende dos preços no varejo e do poder de compra das famílias.