Custo de produção do frango superou preço recebido no Paraná; cenário em outubro ainda exige cautela

Publicado em 30/10/2026 14:37 e atualizado em 30/10/2026 15:44
Ração encareceu 5,06% em setembro e pressionou margens da atividade

A avicultura de corte paranaense encerrou setembro com os custos de produção acima da remuneração média recebida pelo frango vivo. Segundo o boletim conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) nesta quinta-feira (29), o custo de referência da atividade chegou a R$ 4,96 por quilo, enquanto o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 4,75 por quilo.

A diferença de R$ 0,21 por quilo representa uma remuneração 4,23% inferior ao custo calculado para o sistema de produção acompanhado pela Embrapa Suínos e Aves. O resultado evidencia a pressão sobre as margens da atividade em setembro, embora não represente necessariamente a situação financeira de todas as propriedades, que possuem diferentes estruturas de produção e comercialização.

O custo de produção avançou 2,27% em relação a agosto, quando estava em R$ 4,85 por quilo, e acumulou alta de 7,13% na comparação com setembro de 2025. Já o preço recebido pelo frango vivo apresentou valorização mensal de apenas 0,42%, permanecendo 4,63% abaixo do registrado um ano antes.

O principal fator de pressão foi a alimentação das aves. Conforme o Deral, as despesas com ração aumentaram 5,06% em setembro, enquanto os custos de capital tiveram elevação de 1,97%. A nutrição animal respondeu por 65,55% do índice de custos da atividade.

No Paraná, o gasto estimado com alimentação chegou a R$ 3,25 por quilo de frango produzido, aumento de 5,18% no mês e de 9,80% na comparação anual. O levantamento também aponta que, em setembro, o milho foi negociado no atacado estadual a R$ 66,43 por saca de 60 quilos, enquanto o farelo de soja atingiu R$ 2.171,40 por tonelada, valor 27,5% superior ao de setembro do ano passado.

Esse cenário deteriorou as relações de troca da atividade. Para adquirir uma tonelada de milho, eram necessários 233 quilos de frango vivo, volume 13,7% superior ao exigido um ano antes. No caso do farelo de soja, a quantidade passou a 457 quilos, aumento de 33,2% na comparação anual.

Preços reagem em outubro, mas margem ainda é incerta

Apesar do resultado negativo apontado para setembro, as cotações do frango vivo apresentaram recuperação ao longo de outubro. Segundo os dados do Deral, o preço de referência no Paraná chegou a R$ 4,99 por quilo em 29 de outubro, após ter sido cotado a R$ 4,95 na semana anterior.

O patamar mais recente está acima da média de R$ 4,75 registrada em setembro. Entretanto, a comparação entre períodos diferentes não permite concluir que a rentabilidade dos produtores tenha sido restabelecida, uma vez que o custo de produção de outubro ainda não foi consolidado.

Além disso, os preços da carne no atacado paulista perderam força na última semana. O indicador do frango resfriado acompanhado pelo Cepea/Esalq passou de R$ 8,50 por quilo em 22 de outubro para R$ 8,26 no dia 29, recuo de 2,82%. No mesmo intervalo, o frango congelado caiu de R$ 8,49 para R$ 8,24 por quilo.

O comportamento desses preços não pode ser transferido diretamente para a remuneração dos avicultores paranaenses, mas acrescenta um sinal de atenção sobre a evolução do mercado.

O cenário de custos pressionados ocorre mesmo diante do crescimento das exportações brasileiras de carne de frango. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país embarcou 500,3 mil toneladas em setembro, aumento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as exportações alcançaram 4,421 milhões de toneladas, avanço de 14%.

Assim, os próximos indicadores de custos e de preços recebidos serão importantes para verificar se a recuperação observada nas cotações do frango vivo em outubro foi suficiente para melhorar o resultado econômico da produção paranaense ou se a pressão dos insumos continuará limitando as margens da atividade.

Fonte: Notícias Agrícolas

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