Suíno valoriza quase 25% em outubro no Paraná, mas recuperação das margens ainda é incerta
Os preços do suíno vivo apresentaram recuperação expressiva no Paraná durante outubro, depois de um período marcado pela queda na remuneração dos produtores e pelo aumento dos custos de produção. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o indicador médio estadual passou de R$ 4,66 por quilo em setembro para R$ 5,82 em outubro, valorização de 24,89% entre os dois meses.
A reação representa uma mudança importante em relação ao cenário identificado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, no levantamento referente a setembro. Naquele mês, o custo de referência da produção chegou a R$ 6,13 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor na série utilizada pelo órgão ficou em R$ 5,17. A diferença de R$ 0,96 por quilo indicava uma remuneração 15,66% inferior ao custo calculado.
Os levantamentos do Deral e do Cepea utilizam referências distintas de preços, de modo que seus valores não devem ser comparados diretamente para calcular a rentabilidade. Ainda assim, a evolução mensal do indicador do Cepea confirma uma valorização relevante do suíno vivo em outubro, em contraste com a deterioração econômica observada anteriormente.
O encarecimento da alimentação foi um dos principais fatores de pressão sobre a atividade. Segundo o Deral, a nutrição animal representou 71,45% do custo total de produção em setembro, com desembolso estimado em R$ 4,38 por quilo de suíno vivo. Esse valor superou em 10,61% o registrado no mesmo mês de 2025.
Na comparação com agosto, o custo total de produção avançou 2,85%, passando de R$ 5,96 para R$ 6,13 por quilo. Em relação a setembro do ano anterior, o aumento foi de 6,24%. O comportamento dos custos, combinado com a queda dos preços recebidos naquele período, contribuiu para estreitar as margens de referência da atividade.
Recuperação ganha força, mas preços recuam no fim de outubro
A melhora do mercado também foi identificada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), que destacou, em análise divulgada em 22 de outubro, a recuperação das cotações do animal vivo e da carne suína depois das quedas registradas ao longo do ano.
Segundo a entidade, a valorização do suíno, acompanhada pela redução dos preços do milho e pela estabilização do farelo de soja, favoreceu a relação de troca com os principais ingredientes utilizados na alimentação dos animais. A avaliação considera indicadores de mercado e uma composição de insumos calculada a partir de referências de preços de São Paulo.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, avaliou naquele momento que as condições de mercado já permitiam a recuperação de margens positivas em determinados sistemas de produção. O resultado, entretanto, não pode ser generalizado para todas as propriedades ou regiões produtoras.
No Paraná, os dados do Cepea mostram que a valorização perdeu força nos últimos dias de outubro. O indicador estadual alcançou R$ 6,02 por quilo em 23 de outubro, mas recuou para R$ 5,80 no dia 30, queda de 3,65% no intervalo.
Apesar da acomodação no encerramento do mês, a média de outubro permaneceu significativamente acima da registrada em setembro. A recuperação da remuneração oferece uma perspectiva mais favorável para a atividade, mas ainda não é possível confirmar seu efeito sobre a rentabilidade sem os custos consolidados de outubro.
A situação também varia conforme o sistema produtivo. Produtores independentes, responsáveis pela aquisição de insumos e comercialização dos animais, possuem exposição diferente daquela observada em contratos de integração, nos quais a divisão de custos, responsabilidades e remuneração depende dos acordos estabelecidos com as agroindústrias.
Assim, a evolução dos custos de alimentação, a sustentação dos preços do suíno vivo e o comportamento da demanda nos próximos meses serão determinantes para avaliar se a recuperação de outubro poderá consolidar uma melhora econômica na suinocultura paranaense.