Carne bovina amplia distância para o frango e relação de preços atinge maior nível desde setembro

Publicado em 04/11/2026 16:10
Em 29 de outubro, um quilo de carcaça bovina equivalia a 3,17 quilos de frango resfriado no atacado paulista; alta da carne bovina e recuo da ave aumentam a atenção sobre a disputa pelo consumidor.

A diferença entre os preços da carne bovina e do frango voltou a crescer no atacado paulista. Em 29 de outubro, o valor de um quilo de carcaça bovina era suficiente para comprar 3,17 quilos de frango resfriado, a maior relação desde 3 de setembro.

O levantamento foi elaborado pela Terra Investimentos, com base em dados do Cepea. Em 19 de outubro, antes de o mercado absorver as informações sobre os focos da doença de Newcastle em Santa Catarina, a relação estava em 3,05 quilos de frango por quilo de carcaça bovina.

A mudança combina a valorização da carne bovina com o recuo do frango no período. Para a cadeia pecuária, o movimento merece atenção porque uma diferença maior pode favorecer a proteína mais barata na disputa pelo consumidor.

Bovina sobe e frango recua

A carcaça casada bovina, referência para o atacado da Grande São Paulo, chegou a R$ 26,19 por quilo em 29 de outubro, recorde nominal apontado no levantamento. Em 19 de outubro, estava em R$ 25,95, uma alta de 0,9%.

No mesmo intervalo, o frango resfriado passou de R$ 8,51 para R$ 8,26 por quilo, queda de 2,9%. Com isso, a relação entre os preços aumentou 4%.

Indicador 19/10/2026 29/10/2026 Variação
Carcaça bovina R$ 25,95/kg R$ 26,19/kg +0,9%
Frango resfriado R$ 8,51/kg R$ 8,26/kg -2,9%
Frango equivalente a 1 kg de carcaça bovina 3,05 kg 3,17 kg +4,0%

Fonte: Cepea, em levantamento da Terra Investimentos.

Vale ressaltar que o indicador compara preços de produtos no atacado. Portanto, não significa que o consumidor encontrará exatamente a mesma proporção no supermercado: cortes, processamento, distribuição e margens comerciais influenciam os valores finais.

Distância também cresceu em um ano

Na comparação com 29 de outubro de 2025, o quilo da carcaça bovina subiu 19%, enquanto o frango avançou 2,2%. Há um ano, a relação era de 2,72 quilos de frango para cada quilo de carcaça bovina; agora, chegou a 3,17 quilos.

A relação também está acima da média de 2,68 quilos, calculada pela Terra desde 2016. Isso mostra que a carne bovina permanece relativamente mais cara frente ao frango do que na referência histórica do levantamento.

Na parcial de outubro, até o dia 29, a média foi de 3,06 quilos, ante 3,04 quilos em setembro. Segundo o estudo, outubro caminhava para ser o 12º mês consecutivo com a relação acima da média histórica.

Arroba valorizada sustenta a carne bovina

O levantamento relaciona a firmeza da carcaça ao avanço do boi gordo. Em 30 de outubro, o indicador Cepea estava em R$ 389,90 por arroba, com alta de 7% no acumulado do mês.

A valorização do animal aumenta o custo de aquisição da matéria-prima pela indústria. Para preservar suas margens, o frigorífico precisa buscar melhores preços pela carne, embora a capacidade de repassar esse custo dependa da demanda.

Para o pecuarista, a firmeza da arroba é positiva na venda do animal. Ao mesmo tempo, a diferença crescente para o frango exige atenção: se a carne bovina encontrar resistência no consumo, a indústria poderá ter mais dificuldade para sustentar novos reajustes.

Newcastle traz preocupação para a avicultura

A comparação acontece em um momento de atenção para o setor avícola. O relatório da Terra informa que um terceiro foco da doença de Newcastle, em uma granja comercial de perus em Nova Erechim, Santa Catarina, foi confirmado em 28 de outubro, dentro da área de emergência já estabelecida. Nesta quarta-feira (04) foi confirmado o quarto foco da doença em Nova Erechim - SC. 

O material também aponta que, em 30 de outubro, o México passou a restringir as compras de frango apenas de Santa Catarina, assim como China, Chile e Arábia Saudita.

A preocupação é que restrições comerciais reduzam o ritmo das exportações e direcionem mais produto ao mercado interno. Caso isso aconteça e a oferta cresça além da capacidade de absorção, o frango poderá enfrentar pressão adicional nos preços.

A queda de 2,9% registrada entre 19 e 29 de outubro, porém, não comprova sozinha que o recuo foi causado pela doença ou pelas restrições. A evolução dos embarques, a duração das medidas e o comportamento da demanda serão importantes para entender o efeito sobre o mercado.

O relatório lembra que, no episódio de influenza aviária de maio de 2025, o preço do frango caiu 16% em quatro semanas. O dado serve como referência para o risco observado pelo setor, mas não significa que o mesmo resultado ocorrerá agora.

O que acompanhar daqui para frente

Para o mercado bovino, o ponto central é saber se a carne conseguirá manter o escoamento diante de um concorrente relativamente mais barato. Caso o consumidor aumente a preferência pelo frango, poderá haver maior resistência a reajustes da bovina no varejo e no atacado.

Por outro lado, o preço do boi não depende apenas dessa relação. A oferta de animais, as escalas de abate e as exportações de carne bovina também influenciam as negociações. A combinação desses fatores é que definirá se a arroba terá espaço para novas altas.

 

Fonte: Terra Investimentos com dados do Cepea

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