Sem preconceito contra a carne suína

Publicado em 02/06/2010 11:38 236 exibições

Para um público de cerca de 50 pessoas, em sua maioria médicos, Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), organizou, ontem, durante a SuperAgro 2010,uma palestra do Professor Arnaldo Ganc, gastroenterologista-chefe do departamento de endoscopia do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Diversos médicos vieram de municípios do interior do Estado, como Poços de Caldas e Sete Lagoas, exclusivamente para assistir à fala do Dr. Ganc.
 
Como parte das ações do Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), a palestra abordou as principais causas do preconceito da carne suína. Ganc dividiu a explicação para esse conceito arraigado na população contra a carne suína em cinco tópicos diferentes: misticismo e religião; estereótipo histórico; a histeria do colesterol; mudanças no padrão de beleza; e erro médico. Ao longo da apresentação, o gastroenterologista fez explanações sobre cada um dos temas, desde os tempos de Maomé em que a carne suína era considerada “imunda” até os complexos anoréxicos contemporâneos, definidos como padrão de beleza.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Segundo Ganc, a carne suína está associada a diversas situações do cotidiano. “Culturalmente a palavra “porco” é referencia à sujeira, se remetendo à uma forma de produção vigente há mais de 50 anos atrás, na qual os animais eram criados em quintais e alimentados com restos de comida”, disse. Esse é o sentido de as pessoas usarem os termos “come como um porco” ou “você é um porco”, relacionando a ação do sujeito com a imundice”, conta do médico. Ele aponta ainda relação entre o animal e fartura, que o associa consequentemente à gordura.

Ainda dentro dos tópicos principais do preconceito, o palestrante abordou a “histeria do colesterol” como um grande vilão. Ganc explica que nos últimos anos vem baixando os índices desejáveis da substância no organismo e que muitas vezes, no imaginário popular, o colesterol é relacionado diretamente com a gordura. “O que poucos sabem é que a produção de colesterol tem 80% de componentes genéticos e apenas 20% de componentes alimentares”.

Para o médico, um dos mais renomados gastroenterologistas brasileiros, pode-se diagnosticar obesos mórbidos com colesterol baixo e pacientes magros com colesterol bastante alto. “No Brasil, por exemplo, houve queda no consumo de carne suína e aumento no colesterol”, ressalvando, porém, não haver pesquisa sobre esta relação de causa e efeito.

Ganc apresentou durante a palestra pesquisas feitas pela professora e pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Dra. Neura Bragagnolo, segundo as quais os níveis de colesterol na carne suína não justificam toda a campanha negativa que se faz contra o produto. “Tem gente esquecendo que o colesterol é um elemento indispensável ao bom funcionamento do organismo”, disse o Professor, referindo-se ao que ele considera uma verdadeira histeria que relaciona relacionando o colesterol às doenças cardiovasculares.

Arnaldo Ganc destacou ainda que a carne suína é uma importante fonte de proteínas e vitaminas do complexo B e é composta por 75% de água, 20% de proteína e apenas 4% de gordura”.

Complexo Teníase-Cisticercose

Para encerrar, o gastroenterologista discorreu sobre o Complexo Teníase-Cisticercose, desmistificando a crença de que carne suína é responsável direta pela doença. “O que precisa ficar claro é que nessa doença quem contamina o animal é o homem e não contrário, pois é o ser humano que deposita os ovos para contaminação, que somente acontece pela ingestão de alimentos (verdura, frutas e água) contaminados com fezes humanas. Ou seja, a cisticercose não é transmitida pelo animal, seja bovino ou suíno. Nesse sentido, a doença está relacionada a questões sociais, culturais e sanitárias, tendo o homem como sua única forma de contaminação”.

Na sessão de perguntas, Ganc explicou aos médicos que a criação de suínos moderna e tecnificada na prática elimina a possibilidade de que os consumidores da carne proveniente dessa forma de produção possam contrair “nem mesmo a teníase”, já que neste caso não existe a possibilidade dos animais ingerirem fezes humanas, fato que dá início ao ciclo de contaminação.

 

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Fonte:
ABCS

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